Por Camila Leão, Kamila Rossi, Patrick Mizrahi e Analu Fagundes
Antes mesmo de os artistas subirem ao palco, o Movimento Cidade já se anunciava no transporte aquaviário. Grupos de amigos e famílias seguiram rumo ao Parque da Prainha, em Vila Velha, nesta sexta-feira (14), para curtir o primeiro dia do festival.
Com o uniforme do trabalho ainda no corpo ou vestindo looks pensados com antecedência, um público diverso marcou presença na primeira noite (e única gratuita), do maior festival de artes integradas do Espírito Santo.
E a Prainha lotou. Segundo estimativa da Guarda Municipal e do Corpo de Bombeiros, entre 5 mil e 8 mil pessoas passaram pelo local para acompanhar os shows de artistas locais e nacionais, como Ajuliacosta e Gaby Amarantos. Até a última atualização desta matéria, a organização do festival ainda não havia divulgado o balanço oficial de público.
Com filas para revista e acesso rápido após a entrega do alimento não perecível obrigatório para a entrada gratuita, o Movimento Cidade se espalhou por pequenos territórios dentro da praça. Ao todo, são seis palcos, além de ativações e atividades paralelas.
Logo na entrada, um telão do Cine Sesc exibiu, entre uma apresentação e outra, quatro curtas-metragens nacionais. Puffs coloridos espalhados pela grama também acolheram os espectadores.
Parte do público chegou em excursão. Grupos como o Folclórico Jaraguá e a Banda de Congo Raízes da Barra levaram famílias inteiras, reunindo festivaleiros dos 9 aos 68 anos, como no caso das famílias Pereira e Ferreira, de Anchieta.
Essa diversidade de público também é celebrada pela família Castelo Branco, que trabalha com eventos culturais em toda a Grande Vitória. Para eles, a relação com o festival é tão forte, que afirmam: “Trabalharíamos no Movimento Cidade até se fosse como voluntários”.
Artistas capixabas no palco
A noite contou com artistas capixabas no line-up, como Roberta de Razão, às 19h, e um set de Jamboo, às 20h30, no Palco Rua. Já no Palco Gente, Ury Vieira brilhou no Parque da Prainha, por volta das 19h30. Estreando no palco principal, Ury falou com HZ sobre a sensação de participar do festival.
“Validação de quem eu sou como artista, do que eu faço, uma validação da galera que é meu público também. Se eu estou aqui, é porque eles me colocaram aqui.”
Baiana radicada no Espírito Santo, Ury destacou ainda a importância de se apresentar justamente no dia gratuito, que permite que seu público tenha acesso ao festival.
O clímax do line-up ficou por conta do rap paulista de Ajulliacosta e do “rock doido” paraense de Gaby Amarantos.
Ajulliacosta reforçou a diversidade musical do evento, destacando no palco a colaboração com o capixaba Vinni Tøsta, produtor de sua rima viral em "Poetisas no Topo 3".
É a minha primeira vez aqui. Eu não sabia muito bem o que esperar. Acho que é até melhor não esperar nada. Porque quando você chega, é preenchida com tanto carinho
Ajulliacosta Cantora de rap
"O show de rap, para além de ser informativo, pode ser um espetáculo. Nós temos várias mulheres lindas fazendo isso acontecer. E eu acho que está mudando ainda mais esse cenário", contou a artista para HZ.
Gaby, por sua vez, levou bailarinos e artistas locais ao palco. Em um discurso tocante, a cantora paraense também conversou com o público local.
Relembrando a própria trajetória na indústria da música, reforçou a importância de nunca desacreditar de si mesmo e da própria carreira, pedindo que o público repetisse para si: “meu sonho será minha bússola“
E encerrou a apresentação emocionada diante do público, que cantou em coro “Ex Mai Love”, um dos grandes hits da cantora.
Após oito edições inteiramente gratuitas, o evento também conta com uma parte paga, com ingressos entre R$ 220 e R$ 400 no fim de semana.
Nos próximos dias, o público poderá conferir apresentações de João Gomes, Zeca Pagodinho, Emicida e Marina Sena. Entre os shows, a programação também reúne opções gastronômicas que vão do sushi ao cardápio do Bar da Zilda, ponto conhecido de Vila Velha.
Na Feira Recria, as empreendedoras sustentáveis Tuani Barbosa e Josinete Scwanz destacaram o workshop desta edição, que apresentou as marcas e seus propósitos ligados à ESG. Para elas, a iniciativa também reforça a importância dos eventos para o fomento à cultura e aos negócios do Espírito Santo.
Na lojinha do MC, as amigas Regiane, Jaíne e Irene analisaram os preços dos produtos e consideraram os valores acessíveis. Entre os produtos, roupas e uma ecobag com estampas de brasilidades chamaram a atenção.
E, se existia um código de vestimenta para o festival, ninguém avisou: looks variados, peças ousadas e combinações cheias de personalidade desfilaram pelo espaço.
O festival também abriu espaço para as crianças. Raul, de 4 anos, participa do Movimento Cidade pela segunda vez. Sua mãe, Bárbara Canielli, prefere os cantos menos movimentados, onde o filho pode correr e brincar.
Para ela, estar no evento também é uma forma de apresentar, desde cedo, ao filho a mistura de pessoas, ritmos e culturas reunida pelo festival. Para garantir a segurança, as crianças são identificadas na entrada e recebem uma pulseira com o nome e o telefone do responsável.
Nos intervalos da programação, avisos reforçaram essa política de acolhimento do festival, que também conta com área PCD, posto médico e diretrizes voltadas à segurança e ao acolhimento social.
A iniciativa é reforçada pela equipe do SOS Movimento Cidade, que, além de orientar o público sobre o mapa do evento e os horários da programação, recebe denúncias de racismo e assédio e direciona os casos para atendimento especializado. Dúvidas podem ser tiradas pelo WhatsApp do SOS: (27) 99709-7952.
A Rede Gazeta também marca presença no festival com uma ativação especial em comemoração aos 50 anos da TV. Localizado ao lado do espaço da Recria, o painel idealizado por Pedro Marinho tem feito sucesso entre o público, que compartilha os registros nas redes sociais.
O espaço ficará disponível durante todo o fim de semana. Para quem deseja garantir um mimo, a recomendação é chegar a partir das 16h: os brindes têm quantidade limitada e já formam fila.
*Camila Leão, Kamila Rossi, Patrick Mizrahi e Analu Fagundes são alunas do 29º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação e edição do editor de HZ, Felipe Khoury.