O ator Eduardo Moscovis chega ao Espírito Santo em setembro para protagonizar um espetáculo que propõe uma discussão sobre violência, responsabilidade e os limites entre vítima e algoz. A peça “O Motociclista no Globo da Morte” será apresentada no Teatro Glória, no Centro Cultural Sesc Glória, nos dias 19 e 20 de setembro, dentro do projeto Grandes Espetáculos do Sesc-ES.
Vencedor do Prêmio Shell de Melhor Ator, Moscovis encara pela primeira vez um trabalho dirigido por Rodrigo Portella, um dos nomes de destaque do teatro brasileiro contemporâneo. A montagem, escrita pelo ator e dramaturgo Leonardo Netto, aposta em uma narrativa visceral para questionar até que ponto uma pessoa aparentemente comum pode se aproximar daquele que considera seu oposto.
É justamente essa transformação que chamou a atenção de Moscovis para o projeto.
O que mais me cativou no texto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que, assim como seu antagonista — um homem vil em todos os aspectos —, pode se igualar a ele ao cometer um ato de extrema violência
A peça parte de uma situação que poderia acontecer com qualquer pessoa para explorar uma pergunta perturbadora: o que leva alguém a atravessar a fronteira entre uma vida considerada normal e um ato extremo de violência?
O ponto de partida da dramaturgia veio de uma experiência de Leonardo Netto. Depois de assistir, nas redes sociais, a um vídeo de extrema violência, o dramaturgo passou a refletir não apenas sobre quem pratica esse tipo de ato, mas também sobre quem registra, compartilha e assiste às imagens.
A partir daí, surgiram outras questões: por que assassinos, psicopatas e serial killers despertam fascínio e, em alguns casos, até idolatria? E de que maneira a exposição constante a imagens violentas pode alterar a percepção do público sobre a própria violência?
Para Netto, a multiplicação de câmeras e a presença permanente da internet podem contribuir para a banalização desses acontecimentos. "O espetáculo nasce menos como uma tentativa de oferecer respostas e mais como um convite à reflexão", afirma Netto.
O título também carrega essa ideia. O “globo da morte”, tradicional atração circense em que motociclistas percorrem uma estrutura esférica em alta velocidade, funciona como metáfora para uma situação de risco permanente. Na peça, a sensação é de que a catástrofe pode acontecer a qualquer momento.
As escolhas de Rodrigo Portella reforçam o caráter psicológico da história. Em vez de apostar em um cenário carregado de elementos, o diretor optou por uma estrutura minimalista, deixando que a imaginação do público complete aquilo que não está concretamente no palco.
A opção também coloca Moscovis diante de um dos desafios característicos do monólogo: sustentar sozinho a relação com a plateia durante toda a apresentação.
Mesmo com a ausência da contracenação, que é um dos grandes desafios do monólogo, fui arrebatado pelo texto do Leo, e o processo tem sido muito prazeroso
A classificação indicativa é de 14 anos. O espetáculo contém descrição gráfica de violência e cenas que podem despertar gatilhos emocionais. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Let’s Events e também na bilheteria do Sesc Glória, de quarta a sábado, das 10h às 20h.
Espetáculo: “O Motociclista no Globo da Morte”
Local: Teatro Glória – Centro Cultural Sesc Glória
Datas: 19 de setembro (sábado) e 20 de setembro (domingo)
Horários: sábado, às 19h30; domingo, às 18h
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos:
Inteira: R$ 100
Comerciário, meia-entrada e meia solidária: R$ 50
Conveniado e comerciante: R$ 55