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Artes Visuais

Chumbo, bronze e inox: exposição gratuita no MAES celebra 40 anos de arte de Rosana Paste

Escultora capixaba reúne obras majoritariamente inéditas em mostra gratuita que revisita quatro décadas de produção e desafia fronteiras entre materiais e linguagens
Aline Almeida

Publicado em 18 de Agosto de 2026 às 13:51

Artista Rosane Paste
Artista Rosane Paste Jocimar Nalesco

Quatro décadas depois de iniciar sua trajetória nas artes visuais, a escultora capixaba Rosana Paste celebra a carreira com uma exposição no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), no Centro de Vitória. “Entre Tempo e Coisas” abre nesta terça-feira (18), às 17h, com entrada gratuita, e reúne um conjunto majoritariamente inédito de trabalhos da artista. A mostra, com curadoria de Agnaldo Farias, fica em cartaz até 18 de outubro.


A exposição percorre uma produção iniciada nos anos 1980 e marcada pela experimentação com diferentes materiais e linguagens. Chumbo, bronze e inox dividem espaço com fotografia, performance e outras possibilidades artísticas. Ao longo desse percurso, Rosana construiu sua carreira em um campo historicamente associado aos homens, especialmente pelo trabalho com materiais pesados, grandes formatos e processos que exigem esforço físico e estruturas específicas de produção.

Na minha pesquisa, o maior desafio sempre foi a materialidade. Tudo é pesado, grande, exige força, roupas de proteção e espaço para produzir. Esse universo sempre foi atribuído aos homens

Rosana Paste

 A relação com esse universo, porém, começou ainda na infância. Criada na zona rural, Rosana lembra da convivência com o pai e do interesse por construir, plantar e transformar. “Acho que foi ali que comecei a ser escultora. Gosto do desafio de transformar a matéria”, conta.

Rosana Paste utiliza diversos materiais em seu processo criativo
Rosana Paste utiliza diversos materiais em seu processo criativo Jocimar Nalesso

Em “Entre Tempo e Coisas”, essa transformação da matéria serve de ponto de partida para reflexões sobre memória, passagem do tempo, pertencimento e ancestralidade. O Espírito Santo também atravessa a exposição por meio de referências aos manguezais, à arquitetura, ao meio ambiente e às relações afetivas construídas com o território.


O próprio título resume parte dessa investigação. Para Rosana, o “entre” representa um espaço subjetivo, localizado entre aquilo que passou e aquilo que permanece. “O tempo é inexorável, transmuta, muda, modifica e deixa suas marcas. Já as coisas carregam nossas escolhas, nossas memórias e até traços dos nossos ancestrais”, explica.


Além da produção artística, Rosana mantém há mais de três décadas uma relação direta com a formação de novos artistas. Desde 1994, é professora do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e define sua atuação como a de uma “artista-professora”, aproximando a experiência em sala de aula de sua própria pesquisa e criação.

As redes orquestram o trabalho de Rosana Paste
As redes orquestram o trabalho de Rosana Paste Jocimar Nalesco

A proposta da exposição é justamente evitar interpretações fechadas. Em vez de oferecer respostas, as obras levantam questões sobre a relação das pessoas com o próprio corpo, o ambiente, seus desejos e o legado deixado para as próximas gerações. A programação também conta com um projeto educativo coordenado por Adriana Magro, voltado para professores, estudantes e visitantes de diferentes idades.


A abertura nesta terça-feira terá ainda uma visita mediada pelo curador Agnaldo Farias. Depois disso, o público poderá visitar gratuitamente a exposição até 18 de outubro.

Serviço

Entre Tempo e Coisas — Rosana Paste
Onde: Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) — Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória
Abertura: 18 de agosto, às 17h, com visita mediada pelo curador
Visitação: até 18 de outubro de 2026
Curadoria: Agnaldo Farias
Entrada: gratuita

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