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Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 14:21
O Carnaval sempre foi sinônimo de fantasias, brilho e muitos adereços. Mas em Vitória, ele também começa a ser repensado a partir do que sobra depois que a bateria silencia. É nesse ponto que entra A Fantástica Carpintaria, um laboratório de reciclagem criativa e design circular que propõe novos caminhos para os resíduos gerados pela maior festa popular do país, sem tirar a poesia, a criatividade e o espírito coletivo da folia. >
Idealizado pela designer Juliana Lisboa, o projeto ganhou força em 2025 com o estudo Re-Colheita, aprovado pelo edital Rumos Itaú Cultural entre mais de 12 mil propostas inscritas em todo o Brasil. A pesquisa mergulha nos bastidores do Carnaval de Vitória para investigar o que pode ser feito com toneladas de materiais descartados após os desfiles: tecidos, plásticos, metais, EVA, TNT, madeira e outros elementos que, tradicionalmente, teriam como destino o lixo.>
“Essa ideia surgiu quando conheci o trabalho do ReciclaFolia, que há 16 anos atua de forma voluntária na destinação das fantasias do carnaval”, explica Juliana. >
A parceria com o Recicla Folia Vitória é central no projeto. Só em 2024, o grupo recolheu cerca de oito toneladas de resíduos no Sambão do Povo. A partir desse volume diverso e complexo, Juliana e sua equipe selecionaram materiais com potencial de reaproveitamento técnico, como EVA, TNT e plásticos de alta densidade, e passaram a testá-los em processos de reciclagem e remanufatura, tanto em Vitória quanto em laboratório parceiro em São Paulo.>
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Mais do que transformar, o projeto propõe reflexão. “Nem tudo deve virar reciclagem. O carnaval já pratica economia circular há décadas, reformando e reaproveitando fantasias por necessidade e criatividade”, destaca Juliana. “A pergunta é: o que faz sentido reformar, o que pode circular mais tempo e o que precisa ser reimaginado de outra forma?”.>
Essa investigação ganha forma concreta na Carpintaria Aberta #6, que acontece neste sábado (31), no Centro de Vitória. A edição especial, com temática carnavalesca, abre as portas do laboratório ao público para mostrar resultados da pesquisa, materiais processados, amostras de novos usos e, principalmente, para colocar as pessoas com a mão na massa.>
A programação inclui mostra de materiais reciclados, oficina gratuita de criação de adereços com resíduos dos desfiles e troca de saberes com quem constrói o carnaval capixaba todos os anos. “A ideia é tirar esse debate do campo técnico ou acadêmico e colocar as pessoas em contato direto com o processo”, afirma Juliana. >
Na visão da idealizadora, pensar sustentabilidade no carnaval não significa eliminar o excesso, mas imaginar novas possibilidades a partir dele. “O carnaval sempre foi uma festa do imaginário. Por que não imaginar também outras formas de lidar com os resíduos que ele gera?”, provoca. >
Entre as ideias estudadas estão o uso desses materiais reciclados em infraestruturas do Sambão, mobiliários, estruturas coletivas e até insumos para carnavalescos e aderecistas, fortalecendo uma cadeia criativa mais durável e consciente.>
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