Mais do que uma simples regravação, a cantora capixaba TAMY decidiu mergulhar na origem e na memória de Roberto Carlos para dar vida a um novo projeto. Na última sexta (10), a artista lançou o single “Com Muito Amor e Carinho”, releitura contemporânea do clássico eternizado pelo Rei e primeira amostra do EP “TAMY canta Roberto”.
A faixa ganha nova identidade com arranjos assinados por Giuliano Eriston, que também divide a produção musical com a cantora. A proposta do projeto vai além da homenagem: nasce de uma conexão afetiva, estética e simbólica, que aproxima dois artistas capixabas por meio da música e do pertencimento.
O lançamento antecede ainda um show especial, marcado para o dia 18, às 20h, no Dolores Club, na véspera do aniversário de 85 anos de Roberto Carlos. No repertório, apenas canções do artista, revisitando diferentes fases de sua carreira.
A escolha de “Com Muito Amor e Carinho”, originalmente gravada por Roberto Carlos em 1968 no álbum “San Remo”, reflete tanto a força atemporal da canção quanto a possibilidade de reinvenção. Composta por Chile Deberto e Eduardo Araújo, a música ganha agora novos contornos na voz de TAMY.
Eu senti um chamado pra cantar Roberto Carlos quando comecei a perceber que gerações mais novas com quem eu convivo muito, simplesmente não curtem Roberto. Não reconhecem a sua obra. Isso me impactou, porque ele é um artista fascinante
Na nova versão, a artista apostou em uma mistura ousada de referências. A partir de uma sugestão inicial de levar a música para uma sonoridade próxima ao pagodão baiano, o arranjo evoluiu para algo mais complexo e inventivo. “Começaram a surgir contrapontos melódicos, coros, solos, uma riqueza de ideias. Foi aí que eu apelidei a nossa versão de ‘pagodão barroco’”, conta.
Ensaio na origem
Para reforçar o conceito do projeto, TAMY escolheu um cenário carregado de significado: a casa onde Roberto Carlos nasceu, em Cachoeiro de Itapemirim. O local, hoje transformado em museu, foi palco das fotos de divulgação do EP.
“Eu fiz fotos no quarto onde ele nasceu, em 1941. Foi ali que a parteira trouxe o Roberto pra vida. Um quarto pequeno, chão de tábua corrida, um janelão com vista pro jardim. Hoje, a casa guarda muitas memórias da vida dele. Ter ido até lá foi uma experiência muito forte, simbólica e especial”, diz.