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Bruno Mars flutua com desenvoltura por ritmos negros em novo disco

"The Romantic", o quarto álbum solo do cantor, é muito bom, soando um pouco mais suave do que os anteriores

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 12:16

"The Romantic", o quarto álbum solo de Bruno Mars, é muito bom, soando um pouco mais suave do que os anteriores, mas é curtinho. Apenas nove faixas, que somam praticamente meia hora de música. O som é ótimo, mas talvez seja pouca coisa para saciar os fãs que aguardaram bastante desde o disco anterior, "24K Magic", de 2016.

Nessa longa década de espera, ele lançou um álbum cooperativo com o rapper Anderson Paak, em 2021. Os dois deram à dupla o nome Silk Sonic e misturaram R&B, soul, funk, hip-hop e pop em "An Evening with Silk Sonic", um disco bom, mas nem tanto.

O cantor Bruno Mars durante show no The Town, em São Paulo, em 2023
Bruno Mars durante show no The Town, em São Paulo, em 2023 Crédito: Divulgação

Fora dos estúdios e em cima do palco, Mars foi bem mais ativo. A ponto de mudar completamente sua relação com os fãs brasileiros. Nos três shows de 2012 e nos quatro da turnê de 2017, ele era Bruno Mars, um cantor cheio de hits e muito carisma. Mas ele se tornou um rei pop por aqui após o The Town de 2023.

Talvez por serem transmitidas pela TV, suas duas apresentações no festival levaram Mars para muito além da plateia paulistana. Mania nacional, ele se tornou o Bruninho, que vestiu camisa da seleção brasileira e deixou seu tecladista tocar o hino sertanejo "Evidências" no meio do show.

Esse estouro de popularidade propiciou, no ano seguinte, uma turnê brasileira de 15 datas em grandes arenas. Apenas no Morumbis, em São Paulo, foram seis shows seguidos. Todos com ingressos esgotados.

Repertório 

Sem exagero, todas as faixas de "The Romantic" podem entrar no habitual setlist poderoso do cantor. Ele continua flutuando com desenvoltura pelos ritmos negros. "I Just Might", lançada em 9 de janeiro como single prévio do álbum, é uma das melhores. Um soul-pop com influências de funk, que certamente vai exigir coreografias vigorosas de Mars e seus colegas de palco quando a turnê chegar.

Um detalhe: "I Just Might" é seu primeiro single solo depois de várias parcerias de sucesso nos dois últimos anos: "Die with a Smile", com Lady Gaga, "APT", com Rosé, que surgiu no girl group sul-coreano Blackpink, e "Fat Juicy & Wet", com a rapper Sexyy Red.

As duas canções que abrem o disco formam um bloco um tanto separado do resto. As letras de "Risk It All" e "Cha Cha Cha" falam de relacionamentos difíceis e, cada uma de seu jeito, jogam Mars em canções que se sustentam em violões e vocais claros, limpos, até contidos. Essas faixas parecem legitimar o título do álbum. É um Bruno Mars realmente muito romântico.

Vem então "I Just Might", que dá todas as indicações de ter sido escolhida como primeiro single desse trabalho por ser a faixa mais parecida com o Bruno Mars dançante de sempre. A partir de "God Was Showing Off", cresce uma leveza de certa forma inesperada no álbum. Talvez influência do produtor D'Mile, figura recente na corte de colaboradores em torno de Mars e um discípulo do soul com verniz da Motown.

Parceria 

Em entrevista, Mars disse que gravar com D'Mile fez com que ele, pela primeira vez, não se sentisse colocando a voz para disputar espaço com os instrumentos. "Tudo estava pronto e perfeito para receber o vocal." Partindo de um compositor de canções pop irretocáveis, é um elogio e tanto.

Não que D'Mile simplesmente suavize o som de Mars, mas certamente não há espaço para duelos entre sua voz e os instrumentos, que apareceram muitas vezes em seus álbuns anteriores.

Em outros momentos do novo disco, uma pegada de soul chicano segue evidente. O que pode variar é o peso dançante de cada música. Quando "The Romantic" começa a soar como um disco mais sossegado, Mars pisa no acelerador e cria trechos dançantes irresistíveis.

Dançante retrô 

Talvez "Nothing Left" seja o grande momento, começando como balada tranquila e evoluindo para uma canção emocionada gritada, com ótimas guitarras. Mas "On My Soul" traz um registro dançante meio retrô, anos 1970, que também a credencia como possível destaque.

Faixas como essas e também "Why You Wanna Fight?" e "Something Serious" deixam clara a proposta: "The Romantic" é um disco elegante, sedutor e que parece querer fazer o ouvinte se deitar em veludo macio. Mesmo em canções mais agitadas, é soul classudo, cravejado de influências de pop negro.

"Dance with Me", outra com jeitão de canção romântica que poderia ter sido lançada há uns 50 anos, encerra a audição com a mensagem explícita do título se mostrando desnecessária. Bruno Mars não precisa pedir para que as pessoas dancem. Quando cada música começa, mesmo que mais lentas do que o padrão habitual do cantor, os movimentos de dança tomam conta dos corpos. Coisa de Bruninho.

THE ROMANTIC
Avaliação: muito bom
Onde ouvir: disponível nas plataformas digitais 
Autor: Bruno Mars
Gravadora: Warner Music

Ouça o álbum:

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