O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sugeriu ao governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que eles trocassem de cargo por uma semana. Em tom de brincadeira, durante evento de lançamento do Plano Estratégico Minas Gerais-Espírito Santo, na última segunda-feira (17), em Belo Horizonte, o político mineiro lançou a ideia.
“Queria ver como é ter a folha de pagamentos em dia pelo menos uma vez na vida”, declarou Zema arrancando risos da plateia, formada essencialmente por empresários e equipes de governo. Vale destacar que Minas Gerais vive uma situação fiscal dramática e que desde 2016 os servidores recebem o salário em parcelas.
O socialista não quis se comprometer e respondeu para o político do Novo algo no sentido de “vamos ver”. Mas empresários não perderam a oportunidade de alertar de forma bem-humorada o governador capixaba: “Acho bom Casagrande não dar corda, se não, corre o risco de o Zema levar a sério e não abrir mão da troca”, disparou uma liderança local.
ALFINETADA
Na avaliação de algumas línguas afiadas é bom mesmo que essa troca de cadeiras não tenha a menor chance de acontecer, afinal, uma recente proposta de Zema, de dar reajuste de 41,7% para os servidores da segurança pública, demonstra incoerência do político em defender a necessidade de ajuste fiscal e ao mesmo tempo ter esse tipo de iniciativa.
CAMA DE PREGOS
Ainda na linha dos elogios ao governo capixaba, como uma referência na gestão fiscal no Brasil, o governador Romeu Zema disse que se Casagrande topar o desafio de assumir a gestão mineira, o político capixaba terá que encarar também a Cidade Administrativa, que é a sede do governo. Mas alertou: “É como deitar numa cama de faquir”.
Faquir é um termo que significa pobre em árabe e identifica indianos islâmicos que praticam exercícios de resistência à dor, como deitar em uma cama cheia de pregos. A comparação de Zema veio recheada de críticas à Cidade Administrativa, que para ele gera muitos custos e é ineficiente.
NEM TUDO FOI RISOS
Apesar das brincadeiras entre as lideranças políticas, não foi em todos os momentos que eles se mostraram alinhados e confortáveis. Uma boa parte do discurso do governador Romeu Zema aos participantes do evento foi para criticar o PT e associar o partido à corrupção. Uma de suas falas, entretanto, foi para elogiar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Ao enaltecer o chefe do Executivo federal, arrancou aplausos de grande parte da plateia. As palmas, porém, não foram compartilhadas pelo governador Renato Casagrande que, naquele momento, ficou de cabeça baixa.