O futuro da inovação latino-americana pode ter o Brasil como um de seus principais impulsionadores. Essa é a principal mensagem do Latin America Digital Report 2025, ou Atlantico Report 2025, um estudo anual que mapeia os avanços tecnológicos e o ecossistema empreendedor da região. O documento aponta que, embora o país reúna escala, capital humano crescente e um mercado de quase 220 milhões de pessoas, ainda está cerca de 15 anos atrás de China e Índia em termos de transformação digital.
Segundo o relatório, a América Latina poderia gerar até 4,5 trilhões de dólares (R$ 24 trilhões) em valor de mercado caso alcançasse níveis de desenvolvimento tecnológico semelhantes aos de economias asiáticas. No Brasil, sozinho, esse acompanhamento representaria mais de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,9 trilhões) adicionais, reforçando o potencial do país como motor de inovação da região.
Cenário atual de tecnologia
Um dos pontos fortes do Brasil está no talento dos profissionais de tecnologia. O país já é o 4º do mundo em número de desenvolvedores ativos no GitHub, plataforma global usada para criar e compartilhar softwares – ficando à frente de países como Alemanha e Japão.
Por outro lado, ainda há lacunas em áreas estratégicas, como inteligência artificial (IA) e gestão de produto. Isso significa que, embora haja muitos profissionais, falta especialização em temas que hoje são essenciais para o crescimento das startups.
A inteligência artificial, em especial, vem se destacando. Mais de 70% das startups brasileiras já utilizam IA em seus processos ou produtos. Entre os fundadores que nasceram já trabalhando com essa tecnologia, os chamados AI-native founders, esse número é ainda maior — 76% já colocaram agentes de IA em funcionamento real.
Outro aspecto destacado é o amadurecimento dos investimentos em startups. Mesmo com a queda global no volume de aportes, Brasil e México seguem como os maiores destinos de capital de risco na América Latina. Além disso, o aumento do valor médio investido nas rodadas iniciais mostra que os fundos estão mais seletivos, mas também mais confiantes no potencial do mercado.