Depois da sessão, Gandini respondeu à coluna se espera ter constantes embates com Enivaldo em plenário nos próximos tempos. Aí subiu o tom contra o ex-líder do governo: “É natural que, quando as pessoas têm os seus interesses questionados, elas tentem partir para o confronto desqualificado. Eu acho que é isso que ele está querendo. Mas eu não vou descer ao nível dele”.
A sessão também foi marcada pela estreia de fogo do deputado Freitas (PSB) na função de líder. Não foi fácil, pois de cara precisou ter seu primeiro duelo público com Enivaldo. Este, de líder do governo, mostrou que pode passar a dar muito trabalho não só para os governistas mas, particularmente, para o seu sucessor na função. Ou seja, o ex-líder do governo pode saltar para a posição de antagonista do líder do governo.
Doido para achar contendores para poder esgrimir da tribuna, Enivaldo ficou instigando Freitas a apartear seu discurso (pedir a palavra) quando quisesse rebater. Freitas começou tranquilo, querendo pacificar, mas acabou mordendo a isca e indo para o embate em plenário. Era tudo que Enivaldo queria.
Um momento que retrata o quanto o clima da sessão foi pesado, cheio de provocações entre os deputados:
Durante seu longo pronunciamento, Enivaldo concedeu um aparte a
Vandinho Leite (PSDB). O deputado da oposição disse algo que não agradou a Freitas. O novo líder, então, pediu um aparte a Enivaldo para responder a Vandinho. Enivaldo disse que não ia dar ao novo líder um aparte só para ele rebater o aparte de outro deputado. Freitas insistiu, respondeu a Vandinho e arrematou: “Sou admirador do ‘garoto prodígio’”. Enivaldo não perdoou Freitas: “Tá vendo? Você encerrou o seu aparte se referindo ao deputado Vandinho Leite de maneira pejorativa. Ainda tentei te salvar. Mas você é ruim de boia”.
Acenando para deputados mais independentes ao governo, Enivaldo fez um afago até a
Theodorico Ferraço (DEM) – vendo o circo pegar fogo, na dele. Lembrou que ambos foram secretários de Estado juntos, durante o governo de Albuíno Azeredo (1991-1994). Durante a presidência de Ferraço no biênio 2015-2017, Enivaldo foi o 1º secretário da Mesa Diretora. Será que vem pela frente uma nova aliança entre as raposas?
Durante o seu discurso/desabafo, Enivaldo chamou a si mesmo de “cachorro doido”. Embora esteja tudo na família dos canídeos, está registrada a correção da espécie. De todo modo, o governo que prepare as canelas para aguentar as mordidas do “cachorro doido” daqui para a frente.
No plenário, Enivaldo recebeu manifestações de solidariedade de deputados como
Sergio Majeski (PSB), protagonista de muitas divergências acaloradas com Enivaldo (sem perder o respeito jamais), e
Marcelo Santos (PDT), que, ao lado do ex-líder e de
Erick Musso, forma o trio de ferro com maior influência, hoje, sobre o plenário e a administração da Casa.
De todos os abraços recebidos, um chamou mais a atenção: diante de todos, atrás da Mesa Diretora,
Lorenzo Pazolini (sem partido) foi dar um abraço espontâneo em Enivaldo. Com o ex-líder do governo, Pazolini, nas últimas semanas, chegou a protagonizar embates épicos em plenário. No dia 25 de novembro, durante a votação da reforma da Previdência do governo Casagrande,
Enivaldo chegou a chamar o até então adversário de “criancinha mimada”. No início de outubro, o então líder do governo
chegou a dizer a Pazolini que ia afundar o polegar na ferida dele, para ver até onde ele suportaria sangrar sem chorar. Pelo jeito, essa ferida foi cicatrizada.
Além dos abraços e afagos no ego, Enivaldo recebeu algumas cantadas explícitas por parte de deputados situados no bloco de oposição ao governo Casagrande – mas autointitulados “independentes”. O mais sem-cerimônia no “galanteio” foi Vandinho, que tascou-lhe uma cantada no estilo “se eles não te querem, nós te queremos”: “Olha como os deputados governistas estão tratando Enivaldo dos Anjos! É inacreditável!”
Em dado momento da sessão desta segunda-feira (2), sentados informalmente à Mesa Diretora, alguns deputados deram o retrato mais fiel da Mesa que efetivamente detém o poder interno hoje (deputados que gravitam na primeira órbita em torno de Erick e que são prestigiados por ele): enquanto Enivaldo discursava, sentaram-se ali para ouvi-lo: Vandinho Leite (PSDB),
Torino Marques (PSL),
Rafael Favatto (Patri),
Capitão Assumção (PSL) e
Hudson Leal (Republicanos).
No seu bombástico discurso, Enivaldo poupou a pessoa do governador Renato Casagrande, com quem não quer explodir a ponte. Mas, em certo momento, chamou o governador, indiretamente, de “prepotente”. O líder destituído destacou o precedente da Assembleia Legislativa de Goiás, onde o presidente, um deputado do PSB (partido de Casagrande), também antecipou a própria reeleição para continuar no cargo por mais alguns anos. “Mas o governador de lá, o Ronaldo Caiado, é outro prepotente, que também gosta de impor suas regras”, ressaltou Enivaldo.
Já na sessão deste terça-feira (3), Enivaldo foi visto conversando, dentro do plenário, com Theodorico Ferraço e com uma terceira velha raposa política: o ex-deputado federal Carlos Manato, presidente estadual do PSL, cuja bancada na Assembleia, sob a direção de Manato, tem aprofundado a oposição ao governo Casagrande. Ééééé, governador...