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Glória Eterna: relembre os títulos do Palmeiras na Libertadores

Glória Eterna: relembre os títulos do Palmeiras na Libertadores

Clube paulista venceu as edições de 1999, 2020 e 2021, e enfrenta o Flamengo em busca da Glória Eterna pela quarta vez em sua história

Camila Müller

Estagiária / [email protected]

Publicado em 27 de novembro de 2025 às 19:48

O troféu da Libertadores de 2020 conquistado pela SE Palmeiras após jogo contra a equipe do Santos FC
O troféu da Libertadores de 2020 conquistado pela SE Palmeiras após jogo contra a equipe do Santos FC Crédito: Cesar Greco/Palmeiras

A finalíssima da Copa Libertadores da América 2025 entre Palmeiras e Flamengo já é o maior confronto entre clubes brasileiros da competição e, no entanto, pode vir a se tornar a maior final da história. O fato se dá pois, pela primeira vez, o Brasil obterá um time tetracampeão do principal campeonato da América. Conheceremos o clube coroado no dia 29 de novembro, a partir das 18h, e justamente na temporada que marca o ápice da rivalidade entre eles.

Pensando neste momento histórico do futebol brasileiro, A Gazeta preparou uma série de reportagens que contam a história, caminhada, análises e expectativas para ambos os times que entrarão em campo no próximo final de semana no Estádio Monumental, em Lima, capital do Peru. Para isso, vamos começar resgatando a história do Palmeiras e relembrar as três vezes que o “Porco” conquistou a Glória Eterna.

Final da Copa Libertadores de 1999 no Parque Antártica. Palmeiras x Deportivo Cali
Final da Copa Libertadores de 1999 no Parque Antártica. Palmeiras x Deportivo Cali Crédito: Joel Silva/Folhapress

1999 - O ano em que o Palmeiras conquistou a América: a Libertadores de São Marcos

Embora já tivesse a conquista da Copa Mercosul em 1998, o Palmeiras almejava ardentemente alcançar a Glória Eterna com o título da Liberta. Com um elenco comandado pelo renomado técnico Luiz Felipe Scolari “Felipão” e protagonizado pelo goleiro “São Marcos”, eleito o melhor jogador do torneio, o clube alcançou seu primeiro título nos clássicos pênaltis em 16 de junho de 1999.

Após a classificação pela Copa do Brasil, a caminhada alviverde começou no grupo 3 ao lado de Corinthians, Cerro Porteño e Olimpia, dois rivais paraguaios. Ilustremente, o primeiro Derby válido pela história da Libertadores estreou a campanha do Palmeiras, que ganhou por 1 a 0 com gol do lateral paraguaio Arce.

Após vitória sob o Cerro Porteño, um clima de receio e incertezas surgiu. Três partidas seguidas sem vencer, apesar das derrotas, foi na última dessas partidas que o futuro melhor jogador da Liberta surgiu. Após a lesão do titular Velloso, o goleiro reserva Marcos assumiu a titularidade.

No entanto, a classificação apenas se concretizou na última rodada com a virada de 2 a 1 sobre o Cerro Porteño. O Palmeiras avançou sendo o vice-líder da chave, com dez pontos, dois a menos que o Corinthians. Além de que simultâneamente enfrentava o desafio de disputar outras três competições: Torneio Rio-São Paulo, o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.

Partindo para as oitavas de final, o adversário seria o Vasco da Gama, vencedor da edição anterior da Liberta. O jogo de ida foi um empate em 1 a 1, no estádio Palestra Itália. Já no Rio de Janeiro, Alex marcou duas vezes e deu um show, auxiliando na vitória por 4 a 2 do Alviverde.

Nas quartas de finais, um reencontro improvável. Mais um derby. No Morumbi, o Verdão saiu por cima vencendo por 2 a 0. Apesar da vitória com gols de Oséas e Rogério, o verdadeiro nome da partida foi o, até o pontapé da Liberta, goleiro reserva Marcos. E foi ali, diante do maior rival que o “São Marcos” começou a surgir.

goleiro Marcos, do Palmeiras, leva as mãos ao alto, após defender pênalti de Vampeta, do Corinthians, em jogo no estádio do Morumbi
Goleiro Marcos, do Palmeiras, leva as mãos ao alto, após defender pênalti de Vampeta, do Corinthians, em jogo no estádio do Morumbi Crédito: Antônio Gaudério/Folhapress

No jogo de volta, 2 a 0 Timão e decisão nos pênaltis, onde o inevitável São Marcos retomou seu protagonismo. Após o atacante do Corinthians, Dinei, desperdiçar a segunda cobrança, o goleiro defendeu o chute de Vampeta. O Palmeiras estava na semifinal e para Marcos só restou agradecer, se ajoelhou no gramado e clamou a Deus.

Na partida de ida no Monumental de Núñez, em Buenos Aires (Argentina), o River Plate venceu por 1 a 0 e só não ganhou com uma vantagem maior graças ao paredão Marcos. Na volta, o Verdão contou com mais uma noite inspirada do maestro Alex, que brilhou marcando dois gols no triunfo por 3 a 0, e após 31 anos distante da finalíssima na Libertadores, o Palmeiras consagrava seu retorno.

 Alex comemora a classificação após a vitória no Parque Antarctica de 3 a 0 contra o River Plate
Alex comemora a classificação após a vitória no Parque Antarctica de 3 a 0 contra o River Plate Crédito: Folhapress/Folhapress

16 de junho e 1999: é festa no chiqueiro!

Assim como na semi, no dia 2 de junho, o Palmeiras foi derrotado na ida por 1 a 0. Duas semanas depois, chegava o dia do tudo ou nada. O Alviverde foi a campo com Marcos; Arce; Júnior Baiano; Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas. Após a primeira etapa sem gols, restou para o ídolo Evair deixar o banco de reservas e abrir o placar de pênalti aos 19’ do segundo tempo. E como diz o ditado: “tudo que é bom dura pouco”. Cinco minutos depois, Zapata igualou o placar, porém ainda restava muito tempo.

Aos 30 minutos, Oseás levou o confronto para as temidas penalidades. Na primeira cobrança, Zinho deixou os torcedores apreensivos ao acertar a bola no travessão. Porém no quarto chute do Cali, Bedoya também encontrou a trave. Era a chance do Alviverde se sobressair nas penalidades, e Euller não desperdiçou, deixando o clube com vantagem pela primeira vez.

Torcedores do Palmeiras festejam na arquibancada antes da cobrança de pênaltis entre Palmeiras e Deportivo Cali na final do torneio. Palmeiras 2x1 Deportivo (4x3 nos pênaltis)
Torcedores do Palmeiras festejam na arquibancada antes da cobrança de pênaltis entre Palmeiras e Deportivo Cali na final do torneio. Palmeiras 2x1 Deportivo (4x3 nos pênaltis) Crédito: Alex Ribeiro/Folhapress

Desde então, um Palestra Itália que estava calado formou um grito uníssono de “fora”. Zapata era o responsável por tentar manter o Cali na disputa, no entanto, o jogador desperdiçou a cobrança chutando ao lado esquerdo da trave. E então era real, o Palmeiras conquistou a América pela primeira vez.

O projeto vencedor de 1999 foi reflexo direto da parceria com a Parmalat, com o investimento da empresa, o clube alcançou estrutura, contratações e competitividade. Ao longo de alguns anos, a “Era Parma” se firmou com 11 títulos.

Jogadores do Palmeiras comemoram o título da Libertadores de 1999 sob o Deportivo Cali
Jogadores do Palmeiras comemoram o título da Libertadores de 1999 sob o Deportivo Cali Crédito: Fernando Santos (F)/Folhapress

2020 - O início da era Abel Ferreira

Depois de 1999, o clube obteve apenas trajetórias fracassadas, tendo como resultado mais longe chegar em 2001 e 2018 nas semis. Entretanto, o Palmeiras buscava incansavelmente o bicampeonato e para isso algumas mudanças eram necessárias. Em 2020, a confiança da diretoria e torcedores com o atual comandante estava abalada. Para assumir, a escolha foi do técnico português Abel Ferreira, enfim iniciando uma nova era no clube.

Com o novo comando, apostar na juventude era a nova estratégia. Jogadores que não eram os principais, começaram a se tornar peças fundamentais e promissoras. Aos poucos, o Palmeiras caminhava para se tornar uma equipe ambiciosa.

O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, recebe trote dos jogadores em entrevista coletiva após a conquista da Copa Libertadores em jogo contra a equipe do Santos FC, no Estádio do Maracanã
O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, recebe trote dos jogadores em entrevista coletiva após a conquista da Copa Libertadores em jogo contra a equipe do Santos FC, no Estádio do Maracanã Crédito: Cesar Greco/Palmeiras

Foram 13 partidas com apenas uma derrota, na ida das semis para o River Plate por 2 a 0, e com vitórias marcadas por goleadas. A grande final foi a imortalização de um clássico paulista no Maracanã (RJ). Pela primeira vez na história, Palmeiras e Santos se enfrentaram na decisão da principal competição da América do Sul.

De um lado, o Santos buscava se consolidar como maior campeão brasileiro da Libertadores e de outro, o Verdão almejava seu segundo título. O confronto foi marcado por uma partida sem muitas chances claras de gols, o que deixava a torcida ainda mais ansiosa e eufórica.

Breno Lopes é o nome da sensação!

O atacante Breno Lopes, que iniciou no banco, entrou para cravar o gol e seu nome na história palmeirense
O atacante Breno Lopes, que iniciou no banco, entrou para cravar o gol e seu nome na história palmeirense Crédito: Cesar Greco/Palmeiras

E foi então, apenas nos acréscimos da segunda etapa, que o memorável aconteceu. O atacante Breno Lopes, que iniciou no banco, entrou para cravar o gol e seu nome na história palmeirense. O Estádio transcende em euforia e o Palmeiras conquista a América pela segunda vez.

A conquista passou longe de ser apenas um título, se tornando enfim a confirmação de uma nova era ao clube. O qual após 2020, fincou-se como um dos clubes mais aniquiladores e ganhadores do Brasil.

Os jogadores e comissão técnica, da SE Palmeiras, comemoram a conquista da competição após jogo contra a equipe do Santos FC, em partida final, da Copa Libertadores de 2020, no Estádio do Maracanã
Os jogadores e comissão técnica, da SE Palmeiras, comemoram a conquista da competição após jogo contra a equipe do Santos FC, em partida final, da Copa Libertadores de 2020, no Estádio do Maracanã Crédito: Cesar Greco

2021 - Deyverson: o improvável herói que saiu do banco de reservas

Comemorações da SE Palmeiras pela conquista da Copa Libertadores 2021
Comemorações da SE Palmeiras pela conquista da Copa Libertadores 2021 Crédito: Cesar Greco

Após se tornar bicampeão da Libertadores em 2020, o Palmeiras buscava o tricampeonato em 2021. E ele veio após uma campanha sólida, com apenas uma derrota em 13 jogos. Marcando 29 gols e sofrendo 10. O atacante Rony ainda terminou como o artilheiro do clube com seis gols. Gustavo Scarpa, Raphael Veiga, Dudu e Gustavo Gómez eram os principais nomes do Alviverde. 

Após enfrentar clubes brasileiros desde as quartas: São Paulo, Atlético-MG nas semifinais; e enfim na final, o Flamengo. Em um jogo emocionante, o Palmeiras conquistou a Glória Eterna na prorrogação após o empate de 1 a 1 no tempo regulamentar.

Logo no primeiro tempo, o Alviverde foi mais rápido e abriu o placar aos quatro minutos. O considerado melhor jogador da temporada no clube, Raphael Veiga, foi o autor do gol. No entanto, a vantagem no placar trouxe um gostinho da taça da Liberta para os torcedores.

Apesar das boas defesas de Weverton, o Flamengo na segunda etapa voltou mais forte. Aos 26 minutos, Gabigol deixou o placar igual até o apito final e reacendeu as esperanças dos flamenguistas, obrigando se ir para a prorrogação.

Na prorrogação: Deyverson surge!

Deyverson comemorando a conquista do Palmeiras pela Copa Libertadores 2021
Deyverson comemorando a conquista do Palmeiras pela Copa Libertadores 2021 Crédito: Cesar Greco

A prorrogação da finalíssima começou com times diferentes, obtendo a saída do autor do gol Raphael Veiga e a entrada do atacante Deyverson, o “Porco” buscava se igualar ao Flamengo no lado ofensivo. E a virada saiu justamente dos pés desse improvável herói, aos 4 minutos extras, após falha de Andreas, Deyverson aproveitou e sacramentou a virada.

Comemorações da SE Palmeiras pela conquista da Copa Libertadores 2021
Comemorações da SE Palmeiras pela conquista da Copa Libertadores 2021 Crédito: Cesar Greco

Após o apito final, o maestro Abel anotou de vez seu nome na história palmeirense guiando pelo segundo ano consecutivo o clube Glória Eterna, além de entrar para o seleto grupo de técnicos bicampeões da Libertadores.

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