Publicado em 1 de agosto de 2022 às 09:33
Foi com 20 gols marcados e nenhum sofrido que o Brasil conquistou a Copa América feminina. Dificuldade mesmo houve apenas na final, na noite de sábado (30), diante da anfitriã Colômbia. O equilíbrio na decisão foi mais fruto do nervosismo das visitantes diante de um estádio cheio, em Bucamaranga, do que propriamente de uma paridade técnica entre as equipes. Debinha sofreu e cobrou o pênalti que definiu o triunfo verde-amarelo por 1 a 0.>
Foi uma campanha sólida no primeiro desafio sem Formiga, 44, aposentada, e Marta, 36, em recuperação de lesão séria no joelho. Como obviamente atestam os números, a defesa se mostrou confiável ao longo de todo o torneio.>
"Foi impressionante não sofrer gols", afirmou a técnica Pia Sundhage. "Cada tirada de bola é um gol que não entra. Então, isso tem que ser comemorado", disse Antônia, 28, que se firmou na lateral direita e vibrou muito com seus desarmes contra as colombianas.>
O título foi celebrado efusivamente no estádio Alfonso López. Segundo a lateral esquerda Tamires, o lema do time na competição foi "não tomar nada como garantido", motivo pelo qual o torneio, mesmo de menor importância em relação aos que virão, foi bastante valorizado.>
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As jogadoras não deixaram de lamentar, no entanto, as arquibancadas vazias na maior parte do campeonato, pouco divulgado na Colômbia. A final teve casa cheia, com cerca de 28 mil espectadores, mas a média de público do certame foi de 6.889 pessoas por jogo.>
Há um contraste evidente com a Eurocopa feminina, decidida no domingo (31). A vitória por 2 a 1 da Inglaterra sobre a Alemanha foi acompanhada por 87.192 torcedores em Wembley. É o recorde da Euro, incluídas nas contas as partidas masculinas do tradicional torneio.>
Também é inegável a diferença geral na qualidade técnica exibida nos gramados europeus. Se serviram para alimentar a confiança das jogadoras, vitórias como a sobre o Peru, por 6 a 0, não foram exatamente um teste para os confrontos duros no horizonte da seleção brasileira.>
O próximo desafio mais complicado para a equipe verde-amarela está marcado para 2023, entre julho e agosto. Na Copa do Mundo da Oceania, Pia Sundhage conta com a evolução de jovens que se apresentaram bem na Copa América, como Duda Sampaio, 21, e a estabilidade das mais experientes, como Tamires, 34. A ideia da treinadora sueca é também voltar a ter no grupo a craque Marta.>
Além dos ajustes táticos, Pia tem como preocupação ver suas atletas mais calmas. Há três anos à frente do time, ela ainda se surpreende com o estado emocional oscilante de suas comandadas.>
"As jogadoras brasileiras jogam muito com emoção, especialmente as mais jovens. Se a emoção sobe em um bom sentido, isso é fantástico. Mas, se a emoção mostra que o time está ficando para baixo, é preciso buscar a concentração na parte tática. Para isso, a gente precisa ter jogadoras mais experientes e se acostumar a ter grandes adversários", declarou a treinadora.>
Se não houve grandes rivais na Copa América, eles estarão à espera na Copa do Mundo - e nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris. Até lá, Pia torce pela recuperação plena da meio-campista Angelina, 22, que vinha jogando bem. Na final, ela sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco lateral do joelho direito.>
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