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Crise

Desportiva não tem previsão para quitar salários atrasados

A Locomotiva Grená pagou recentemente os vencimentos do mês de abril, mas o salário de maio segue em atraso. Diretoria enxerga na Vitoria Cup uma alternativa financeira e convoca torcedores ao estádio

Publicado em 23 de Junho de 2025 às 19:55

Vinícius Lima

Publicado em 

23 jun 2025 às 19:55
Vitinho (atacante), Vinícius Domingues (diretor geral), e Rodrigo César (técnico), da Desportiva
Vitinho (atacante), Vinícius Domingues (diretor geral), e Rodrigo César (técnico), da Desportiva Crédito: Vinícius Lima
A Desportiva Ferroviária está passando por um momento complicado fora de campo. No último jogo diante do Sport, no sábado (21), a Tiva perdeu no Estádio Gil Bernardes por 2 a 1, em uma partida marcada por uma derrota grená nas quatro linhas e muita pressão da torcida na arquibancada.
Entre as cobranças, o torcedor da Locomotiva reivindicava o pagamento de salários dos jogadores, pauta que está rondando o Engenheiro Araripe há semanas. Nesta segunda-feira (23), o diretor geral Vinícius Domingues, o treinador Rodrigo César e o atacante Vitinho, deram entrevista coletiva para esclarecer a situação atual do clube.
"O clube resolveu toda a questão do salário de abril e, hoje, a gente está pendente com nossos atletas e comissão para acertar o mês de maio. Eu sou muito transparente com o nosso torcedor em falar que o clube busca novas oportunidades de receita para resolver isso. Então temos problemas sim, e todos nós sabemos dos problemas e não ficamos felizes com a situação. O trabalho é árduo, e a gente precisa fazer muita coisa ainda", confirmou Vinícius.
Segundo o comandante grená, uma parte desta pendência salarial (mês de abril) foi resolvida na última semana, e que as conversas com a diretoria são agradáveis. O atacante Vitinho também foi enfático ao dizer que isso interfere no meio dos atletas, mas que não falta vontade de nenhum jogador e que todas as informações estão sendo bem repassadas internamente no clube.
"A situação que a gente passa hoje é real, a gente vive essas dificuldades de salário. Mas dentro do nosso vestiário isso não tem influenciado. A gente tem blindado bastantes atletas contra isso, deixando o foco somente no trabalho dentro de campo e deixando para a diretoria correr atrás da situação financeira e resolver", disse Rodrigo César sobre a interferência do atraso de salários no dia-a-dia do vestiário.
Segundo a legislação brasileira, mais especificamente a Lei Pelé (Lei nº 9.615/98) e a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), é  permitido a um jogador de futebol a rescisão do contrato de trabalho com justa causa quando o clube atrasa o pagamento de salários por três meses consecutivos.

Vitoria Cup

Outro ponto tocado na coletiva foi a Vitoria Cup, torneio internacional com a participação de Desportiva Ferroviária, Cruzeiro, Banfield e Defensa y Justícia, que acontece entre os dias 2 e 6 de julho.  "A própria Vitória Cup é uma alternativa financeira para o clube, porque parte do lucro da competição é destinado para a Desportiva. Fazer futebol no Espírito Santo é muito difícil, é só para quem realmente acredita que isso aqui pode mudar de alguma forma", desabafou Vinícius Domingues.
O  dirigente e o treinador fizeram um apelo para os torcedores irem aos jogos e continuar apoiando o clube neste momento conturbado. "Eu preciso que o torcedor abrace a gente, vá ao estádio, compareça, grite, apoie e, com certeza, com isso muitas empresas também irão se entrar na nossa briga, pelo objetivo que a gente tem. Reclame quando tem que reclamar, proteste quando tem que protestar, aponte o dedo para quem tem que apontar, mas não deixa de abraçar a Desportiva Ferroviária", completou o dirigente.

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