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Faixas vermelhas

Faixa na nova Avenida Vitória gera reclamação de motoristas

Leitores de A Gazeta reclamam das faixas vermelhas pintadas logo depois das faixas de pedestres, alegando que o material aplicado favorece a derrapagem de veículos; Prefeitura de Vitória diz que a tinta é adequada

Publicado em 16 de Setembro de 2020 às 16:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 set 2020 às 16:18
Carros e motos estão perdendo a aderência quando passam sobre uma faixa feita com tinta vermelha na Avenida Vitória, na entrada da Curva do Saldanha
Carros e motos estão perdendo a aderência quando passam sobre uma faixa com tinta vermelha na Avenida Vitória, na entrada da Curva do Saldanha Crédito: Carlos Alberto Silva
Após a inauguração da nova Avenida Vitória, uma das principais vias da Capital, entregue no dia 8 de setembro, leitores de A Gazeta têm reclamado das faixas vermelhas instaladas logo depois das faixas de pedestres, alegando que o material aplicado favorece a derrapagem de veículos, principalmente das motos. Em especial, o trecho de destaque é o da saída do Forte São João, próximo ao início da Curva do Saldanha. Diante dos comentários, a reportagem procurou o presidente em exercício do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia no Espírito Santo (Crea-ES).
Para o engenheiro civil Ricardo Guariento, que já transitou pela via após a inauguração, a tinta utilizada no trecho citado parece não ser antiderrapante, material indicado para esses casos. "O que é importante deixar claro é que todas as vezes que vai se executar um trabalho de engenharia, o desenvolvimento de um projeto, todas as questões devem ser pensadas antes. Ou seja, nós tivemos um problema de projeto ou de execução. O projeto deveria especificar a tinta, que no caso aparentemente não é antiderrapante, e o produto aplicado deveria estar de acordo", iniciou.
Segundo o especialista, haveria a necessidade de se constatar onde houve o equívoco, se na especificação do material no projeto ou no material de fato aplicado. "O risco que este material apresenta é que no seco é de pouca aderência, no molhado então, vira um sabão. Eu sou motociclista, só ando de moto, o que é pior. Tudo nos leva a crer que não é antiderrapante a tinta e os riscos de acidentes são consideráveis", afirmou.
O fotógrafo de A Gazeta Carlos Alberto Silva, esteve no local e fez imagens da passagem de veículos no trecho. No vídeo é possível ouvir o barulho causado pelo atrito dos pneus sobre a faixa.  Assista. 
Apesar de ser comum pensar que com o tempo o material se desgasta e piora, o engenheiro afirmou que no local haverá, na verdade, a abrasão e uma diminuição de riscos. "O material aplicado tem que ser adequado. Se não foi o determinado pelo projeto, ou se não foi usado o que foi determinado no projeto pela empresa executora, deve-se averiguar o processo da obra. De todo modo, em todas as faixas de pedestres temos que redobrar a atenção, independente do material e molhado fica muito pior. Eu, por exemplo, não deixo de andar de moto por estar chovendo. No caso da Avenida Vitória, a proximidade de uma curva potencializa um possível acidente, é um fato agravante, mas entendo que o principal é a especificação do material, projeto ou execução. Algum deles pode ter sido mal-executado", concluiu.
Segundo relatou o técnico em mecânica e morador da região Alessandro Herzog, de 40 anos, nesta segunda-feira (14) um motociclista teria derrapado na faixa vermelha e caído no chão. "Ele arrastou no chão uns 30 metros. Não se machucou muito e, como era cedo, deu sorte que tinha pouco carro atrás e conseguiram desviar. Está muito perigoso! Vai acontecer um acidente grave, principalmente quando chover", disse.

O OUTRO LADO

Demandada pela reportagem, a Prefeitura Municipal de Vitória, por meio da Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória (Setran), informou que o local questionado é de baixa velocidade, que a sinalização deve ser respeitada e que as curvas devem ser feitas em velocidade adequada. Em nota, a Setran destacou que os condutores devem evitar frear nas faixas vermelhas e, quando próximos, precisam reduzir a velocidade, pois as marcações também ficam próximas às faixas de retenção, que devem ser respeitadas, assim como as faixas de pedestres.
Além disso, a PMV informou que a tinta vermelha usada na sinalização da avenida Vitória é antiderrapante e à base de resina acrílica viária. "Esse material é o mesmo usado em toda a cidade e, também, na sinalização viária das principais cidades do Brasil e do mundo, tendo sua qualidade atestada por técnicos do órgão. A Setran destaca, ainda, que a aplicação do material também segue o mesmo padrão", disse a nota.

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