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Faixa Azul: motociclistas querem via exclusiva para reduzir acidentes no ES

Faixa Azul: motociclistas querem via exclusiva para reduzir acidentes no ES

A ideia, que vem de São Paulo, pode acabar com os famosos "corredores" e melhorar o tráfego em ruas e avenidas

Lucas Gaviorno

Estagiário / [email protected]

Publicado em 25 de julho de 2025 às 17:12

Faixa exclusiva para motos foi uma das discussões feitas no programa CBN Vitória desta sexta-feira (25)
Faixa exclusiva para motos foi uma das discussões  no programa CBN Vitória desta sexta-feira (25) Crédito: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

A segurança no trânsito é um assunto que sempre está em discussão, principalmente em relação aos motociclistas, principais vítimas em acidentes nas ruas e avenidas das cidades envolvendo veículos automotores. Os dados do Observatório de Segurança Pública revelam que as mortes deles aumentou em 2025.

De janeiro a abril deste ano, 146 condutores morreram, enquanto em todo o ano de 2024, 138 motociclistas morreram. Os resultados do levantamento ainda mostram que pessoas do sexo masculino entre 15 e 24 anos são as principais vítimas.

Devido à importância do assunto, aconteceu nesta sexta-feira (25), um bate-papo na Rádio CBN Vitória, 92,5 FM, para falar sobre o Dia do Motociclista, celebrado no dia 27 de julho (domingo). Participaram da conversa o coordenador do Motoclube Bodes do Asfalto e do Fórum Permanente Estadual, Wilson Fly, e o presidente do Sindicato dos Mototaxistas (Sindimototaxi), Luciano Ferreira. 

Wilson Fly disse à âncora do CBN Vitória, Fernanda Queiroz, que a categoria resolveu criar um fórum permanente, abraçado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), para tratar da insegurança no trânsito vivida pelos motociclistas no Espírito Santo, sobretudo na Grande Vitória. Fly também destacou as causas dos acidentes.

Acredito que uma parte muito grande dos acidentes é culpa da pressa. Outra coisa que a gente tenta combater entre nós motociclistas é querer mostrar habilidade em lugares indevidos. Temos discutido também a questão que envolve a população e nós, os motociclistas. Tanto que trabalhamos com entrega ou estamos usando a moto para deslocamento, ou para o lazer

Wilson Fly

Coordenador do Motoclube Bodes do Asfalto

Já Luciano pontuou a classe dos motoboys, que crescem a cada ano no Estado, prestando o serviço de entrega rápida. Ele disse que os trabalhadores não conduzem as motos sempre com pressa, o que é condenado pelo sindicato. Todos os motociclistas que estão ligados ao sindicato recebem instruções, ou até mesmo pelas empresas que contratam funcionários para atuarem em motos.

Entretanto, segundo Fly, alguns profissionais não estão sindicalizados e não recebem as devidas instruções, o que pode ocasionar em sérios problemas de trânsito, como acidentes fatais.

Outro ponto abordado, inclusive pelos ouvintes, foca na formação prática para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação destinada aos motociclistas. "É preciso melhorar o modo de se habilitar a categoria A. Fazer apenas um circuito hoje não é mais garantia de que a pessoa se torne apta a rodar no trânsito", disse o ouvinte.

O presidente do Sindicato dos Mototaxistas disse na entrevista que grande parte da culpa de acidentes vem dos patrões, que não exigem o que é cobrado nas leis trabalhistas. "No caso de uma entrega de lanche, o patrão não está preocupado com o motociclista, enfim, tá preocupado com o lanche e joga o funcionário na rua de qualquer maneira. Esta é a nossa maior preocupação, porque os motoboys querem e precisam trabalhar", relatou Luciano.

Faixa Azul, em São Paulo
Em São Paulo algumas das principais avenidas possuem a faixa azul, destinada exclusivamente aos motociclistas Crédito: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Faixa exclusiva

Outra pauta levantada e debatida foi a criação de faixas exclusivas para motos em ruas e avenidas de Vitória. Recentemente, Wilson e Luciano foram à Câmara de Vereadores da Capital e promoveram uma audiência pública para o assunto ser tratado, mobilizando o poder público e a sociedade para a implementação do modelo.

Luciano Ferreira destacou que corredor é diferente de faixa exclusiva. "Corredor não é faixa. Eu estava vendo que há pouco tempo, haviam liberado faixas exclusivas para ônibus e táxis na Grande Vitória, mas, por que as motos não podem ter este mesmo espaço?", disse Luciano.

Os representantes dos motociclistas afirmam que ter uma faixa exclusiva para motos na via é mais seguro do que não ter. Em muitas avenidas de grande movimento na Região Metropolitana de Vitória, os condutores passam pelo famoso "corredor" entre as faixas, o que pode ser bastante perigoso no trânsito.

"Quando a gente conversa com as autoridades de trânsito, tal, ele fala assim: 'Não existe corredor'. Aí eu fiz a pergunta mais simples: 'Então, por onde as motos estão passando?' Elas não têm asas, apesar de alguns correrem tanto. Mas eles estão passando por algum lugar. É proibido passar. Mas, na verdade, está acontecendo", afirmou Fly.

Fly contou que esteve em São Paulo, reunindo-se com diversos outros motoclubes, para discutir sobre as faixas exclusivas, chamadas de "faixa azul" na Capital paulista. Ele destacou que, mesmo com a criação das faixas, é necessário se ter uma educação no trânsito, tanto para os próprios motociclistas, quando para os condutores de outros veículos. Além disso, Fly afirmou que essas faixas diminuem o risco de motociclistas disputarem espaços com outros veículos, reduzindo os desentendimentos no trânsito.

Conscientização

A entrevista também abordou a conscientização dos motociclistas e as denúncias feitas por conta de irregularidades. Segundo Wilson Fly, existem muitos motociclistas que se comportam no trânsito, conduzindo o veículo na velocidade correta e sem adulteração nas motos. Mas, situações adversas acabam fazendo com que os motociclistas sejam multados. 

"Às vezes, você denuncia um cara que se comporta extremamente bem. Ele tá sindicalizado, tem carteira assinada e tudo mais. Em um certo momento, alguém fala para ele: 'Você tem que fazer uma entrega imediatamente. O motociclista entra em desespero. Porque, na verdade, ele quer defender o emprego dele. E aí naquele momento ele comete, é, uma infração que seja ou uma ultrapassagem que seja, ou passou no corredor numa velocidade um pouco maior. Eu vou e denuncio aquele cara. Isso acaba criando uma situação desfavorável".

00:00 / 25:26
Entrevista sobre o Dia do Motociclista, parte 1
00:00 / 16:31
Entrevista sobre o Dia do Motociclista, parte 2

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