Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Capixaba
  • Sul
  • Como a tecnologia mudou a forma de montar os tapetes de Corpus Christi no ES
Uma das páginas da revista O Cruzeiro, que inspirou o Corpus Christi de Castelo Matheus Martins/TV Gazeta Sul
Inovação e tradição

Como a tecnologia mudou a forma de montar os tapetes de Corpus Christi no ES

Atualmente, cerca de 3 mil voluntários movimentam engrenagem artística em nome da fé, durante celebração religiosa de Castelo, no Sul do Estado

Matheus Passos dos Santos

Reporter

Publicado em 19 de Junho de 2025 às 07:00

Publicado em

19 jun 2025 às 07:00
Festa de Corpus Christi, em Castelo, Sul do ES
Festa de Corpus Christi, em Castelo, Sul do ES Crédito: Prefeitura de Castelo
Festa de Corpus Christi, em Castelo, Sul do ES
Festa de Corpus Christi, em Castelo, Sul do ES Crédito: Carlos Alberto Silva
Antes de os tapetes colorirem as ruas de Castelo, no Sul do Espírito Santo, cada detalhe dos desenhos é cuidadosamente planejado. A arte tem um propósito: provocar reflexão. E a cada passo da procissão, uma nova história é contada.
Desde o primeiro tapete de Corpus Christi montado na cidade em 1963, a manifestação religiosa não parou de crescer. Atualmente, 3 mil voluntários, divididos em 34 equipes (17 quadros e 17 passadeiras), movimentam essa engrenagem artística em nome da fé.
Se antes, a rotatividade dos voluntários era alta, com mais trabalho do que mãos para ajudar, hoje a realidade é diferente, conta o coordenador-geral do Corpus Christi em Castelo, Luciano Travaglia. 
"Hoje, temos pessoas que perguntam se tem vaga para trabalhar em algum quadro ou passadeira"
Luciano Travaglia  - Coordenador-geral do Corpus Christi de Castelo 

Um novo jeito de fazer 

A tradição da celebração de Corpus Christi em Castelo começou despretensiosa, em 1963, quando a freira Vicência, montou um singelo tapete com folhas e flores em frente à Capela da Santa Casa. Dois anos depois, a inspiração para aprimorar o trabalho veio das páginas da revista semanal ilustrada O Cruzeiro, fundada por Assis Chateaubriand, com sede na cidade do Rio de Janeiro. 
"Nós estávamos preparando material para o Corpus Christi. Nunca tínhamos visto tapetes como se faz hoje. Então, chegou uma colega nossa com a revista O Cruzeiro nas mãos. E nessa revista havia uma reportagem sobre a cidade de Matão, em São Paulo, mostrando as passadeiras. Foi um alvoroço. E a Irmã Vicência, entusiasmada, falava: 'vamos fazer, vamos fazer!'", relembrou Maria Cecília Perim, professora aposentada e uma das pioneiras dos tapetes de Corpus Christi de Castelo. 
Uma das páginas da revista O Cruzeiro, que inspirou o Corpus Christi de Castelo Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul
As referências mudaram, e os materiais também. A confecção começou com o que se tinha em casa, como folhas, flores e pó de café, por exemplo. Hoje, são usados materiais modernos: pedriscos, calcita e dolomita. Na estimativa da organização, a matéria-prima usada nos tapetes deve pesar cerca de  80 toneladas.
Integrante da comissão artística do Corpus Christi, o artesão Thainan Vettorazi explica que a transformação da festa não passou apenas pela forma de montar os tapetes e pelos materiais utilizados. 
"É um trabalho maior do que as pessoas imaginam. Existe a escolha de um tema do Corpus Christi, que é dividido em subtemas, que são colocados nos quadros e passadeiras. Os temas não são escolhidos aleatoriamente. Existe uma sequência específica. O quadro traz uma introdução ao tema, com uma imagem figurativa. Já a passadeira, é um espaço  de reflexão sobre o tema apresentado no quadro. Enquanto a pessoa vai passando, vai refletindo", explicou. 
Juliano Guimarães explica como a tecnologia ajuda a manter viva uma tradição de mais de 60 anos. Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul
Por muitos anos, as formas dos tapetes eram desenhadas em papais por cima de uma imagem projetada em uma parede. Hoje, essa realidade é outra. Os desenhos dos quadros e das passadeiras são projetados primeiro na tela de um computador pelo designer gráfico Juliano Guimarães. Ele, que faz esse trabalho desde 2023, explica como a tecnologia ajuda a manter viva uma tradição de mais de 60 anos. 
"Com o software, dá para fazer desenhos em escala real, que são impressos em tamanho real. Dá para ter um cálculo de material mais preciso e também testar cores. Os artistas e os voluntários conseguem fazer esses testes nos materiais, trazendo mais precisão"                                                                                     
Juliano Guimarães - Designer gráfico  

Origem do Corpus Christi

A hóstia é o ponto central da Festa de Corpus Christi Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul
Antes da montagem dos tapetes nas ruas, a celebração de Corpus Christi, em Castelo, era marcada por folhas nas ruas e enfeites nas sacadas. Para os católicos, explica o professor de teologia José Angelo Campos, o corpo de Cristo é, nesse dia, remédio e alimento espiritual — e os tapetes sacros celebram essa fé durante a procissão. 
"A origem da festa de Corpus Christi remonta às visões da Santa Juliana, que viu uma lua com uma mancha, interpretada como uma  ausência de uma celebração específica para a Eucaristia. Ela recebeu a revelação de que era preciso instituir uma festa dedicada à hóstia consagrada, para fortalecer a fé. A ideia chegou ao Papa Urbano IV, também impactado por um milagre: durante uma missa, um padre que duvidava da presença real de Cristo viu a hóstia sangrar. Assim o papa, que conhecia Santa Juliana, instituiu oficialmente a festa de Corpus Christi", explicou. 
A professora e escritora Joelma Cellin, afirma que a manifestação transcende os rituais religiosos no município. 
"A festa de Corpus Christi pode ser considerada o chão, o corpo e a alma do povo castelense"
Joelma Cellin - Professora e escritora

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados