O ex-assessor presidencial José Yunes afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), que contou ao presidente Michel Temer sobre o "envelope lacrado grosso" que ele diz que o doleiro Lúcio Funaro entregou em seu escritório, em 2014, a pedido do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O conteúdo do depoimento foi divulgado pelo jornal "O Estado de São Paulo".
Yunes relatou ter contado sobre o pedido, "alguns dias depois", para Temer. O presidente teria ficado "estarrecido", por considerar Funaro uma "figura delinquencial", depois de "tomar conhecimento através do Google" siobre escândalos envolvendo ele.
O ex-assessor também ressaltou que "não desconfiou de nenhuma legalidade de tal entrega".
Em sua delação premiada, Funaro dá uma versão diferente: ele diz ter ido buscar uma caixa no escritório, e não entregá-la. De acordo com ele, havia R$ 1 milhão no pacote, e o dinheiro foi enviado para o ex-ministro Geddel Vieira Lima.
O depoimento de Yunes foi realizado após ele ter sido preso temporariamente na Operação Skala, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-assessor, que é amigo pessoal de Temer, foi libertado após ter ficado dois dias detido.
Em janeiro, em resposta a uma pergunta formulada pela PF, Temer disse que soube do episódio primeiramente "por meio da imprensa" e, depois, por intermédio de Yunes.