Uma das surpresas durante esta nova rodada de anúncios do secretariado do futuro governo Casagrande, nesta terça-feira (13), foi a indicação do doutor em Ciências Sociais e professor universitário Vitor Amorim de Angelo, que assume, a partir de janeiro, a Secretaria de Educação.
Com o propósito de não haver descontinuidade em um programa de Estado e sim, aperfeiçoá-lo, ele assegurou que o programa de educação em tempo integral Escola Viva, uma das principais vitrines do governo Paulo Hartung, será mantido na próxima gestão, inclusive com o mesmo nome.
O aumento de alunos matriculados no ensino integral é meta dos Planos Nacional e Estadual de Educação. Seja esse ou outro governo, certamente a gente perseguiria a mesma meta nos prazos estabelecidos. Entendemos que é uma visão atrasada ficar trocando o nome de programas. Para nós, o que importa é avançar nos serviços prestados, afirmou.
Pelo Plano Estadual de Educação, a meta é de que até 2025, 50% dos alunos da rede pública estejam estudando em tempo integral. De Angelo analisa que o Escola Viva possivelmente não deve passar por grandes ajustes metodológicos, e sim de gestão.
Um dos grandes gargalos foi a marca da reorganização da rede escolar sem diálogo, o que levou a uma série de desdobramentos negativos para toda a comunidade que utiliza o serviço: professores, técnicos, pais, alunos, o que gerou protestos. A nossa preocupação será dialogar, para dar um passo atrás no que foi feito, às vezes de maneira açodada, para envolver as pessoas nesse projeto, que é de Estado, de país.
O governador eleito Renato Casagrande (PSB) apontou que outra tarefa importante do futuro secretário é trazer de volta para a sala de aula as crianças e adolescentes que largaram os estudos.
Vamos ter que fazer uma busca ativa. Saber se é porque não tem escola, ou a família não tem preocupação, se tem uma correlação. Mas sempre que tem demanda de aluno, temos que ter condição de ofertar educação para ele, disse.
EVASÃO
Tendo em vista que o número de alunos matriculados, que era de 300 mil no governo Casagrande, passou para 250 mil atualmente, segundo ele, e que houve cerca de 50 escolas fechadas nos últimos anos, De Angelo afirma que este será um ponto a ser atacado.
A gestão atual deixa alguns passivos que precisaremos enfrentar. Será pensado junto com a equipe que será formada, para que a gente possa equacionar, já que isso deságua no início do ano letivo. Passa pela criação de vagas, reavaliação das escolas que foram fechadas. Mas ainda é prematuro falar cabalmente de como isso será feito.
SECRETÁRIO DE GOVERNO E PROCURADOR DEFINIDOS
Além dos anúncios de Roberto Sá para a Secretaria de Segurança Pública, e Vitor Amorim de Angelo para a Secretaria da Educação, duas das maiores pastas do Executivo, o governador eleito Renato Casagrande (PSB) indicou o economista Tyago Hoffmann para o cargo de secretário de Governo, instância de articulação política e administrativa da futura gestão.
Outro anúncio foi o do nome do procurador de carreira Rodrigo de Paula para o cargo de procurador-geral do Estado.
Hoffmann já era esperado para integrar o primeiro escalão da gestão, pois tem sido braço direito de Renato Casagrande nos últimos anos.
Na gestão anterior, foi secretário-chefe da Casa Civil do governo do socialista. Filiado ao PSB, foi um dos principais coordenadores da campanha eleitoral, e agora também foi indicado para a equipe de transição.
Foi dada a ele, inclusive, a tarefa de coordenar o estudo sobre as alterações que serão feitas no projeto de lei orçamentária do Estado.
Segundo Hoffmann, as mudanças ainda estão sendo avaliadas, mas já é possível dizer que será um orçamento mais conservador, reduzindo a expectativa de receitas e despesas.
Isso porque ele e a equipe consideram necessário reduzir a expectativa projetada em relação aos indicadores econômicos a partir de 2019, para um cenário mais pé no chão, visto que ainda há dúvidas sobre os resultados econômicos do governo Bolsonaro.
As funções da Secretaria de Governo são o assessoramento ao governador, a articulação com as secretarias na área administrativa, a coordenação da elaboração dos atos legislativos de competência do governador, publicação das leis estaduais, organização do cerimonial, coordenação das atividades do Palácio e residências oficiais, entre outras.
PROCURADOR
Quanto a escolha do procurador-geral, como já havia adiantado, Casagrande não atendeu ao pleito da associação de classe, que indicou uma lista tríplice de nomes para o cargo.
O futuro governador contou que convidou a associação, pela manhã, para esclarecer o assunto com a categoria.
Quis recebê-los antes de anunciar o nome, em respeito a eles, e temos um diálogo aberto. O procurador Rodrigo de Paula tem capacidade grande de relacionamento, e conseguirá unificar a Procuradoria nos nossos objetivos, afirmou Casagrande.
A EQUIPE
Roberto Sá
Segurança
Tem 53 anos. É delegado federal
Vitor De Angelo
Educação
Doutor em Ciências Sociais. Tem 36 anos
Rodrigo de Paula
Procurador-geral do ES
Procurador do ES desde 2006, tem 40 anos
Tyago Hoffmann
Secretário de Governo
Economista e professor, tem 38 anos
ANUNCIADOS ANTES
Álvaro Duboc (Planejamento)
Rogelio Pegoretti (Fazenda)
Davi Diniz (Casa Civil)
Flavia Mignoni (Comunicação)
Luiz Paulo Vellozo Lucas (Instituto Jones dos Santos Neves)