Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Após aprovação na Assembleia

Projeto dos superpoderes vai para as mãos de Paulo Hartung

Se for sancionado, procurador-geral de Justiça vai poder atuar em casos que envolvem políticos na Justiça de primeiro grau

Publicado em 20 de Dezembro de 2018 às 01:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 dez 2018 às 01:18
Sede do Ministério Público do Espírito Santo, órgão que propôs mudança na lei Crédito: Vitor Jubini
O Projeto de Lei Complementar 27/2018, enviado pelo Ministério Público Estadual (MPES) e aprovado, por 17 votos a dois e uma abstenção, pela Assembleia, foi para as mãos do governador Paulo Hartung (sem partido). De acordo com fontes do Legislativo estadual, a proposta seguiu para o Palácio Anchieta na manhã desta quarta-feira (19). Cabe ao chefe do Executivo sancionar ou vetar o projeto. O prazo para ele fazer uma coisa ou outra é de 15 dias.
Apontado como uma forma de dar "superpoderes" ao procurador-geral de Justiça, o projeto não é ponto pacífico, muito ao contrário. Apesar do placar folgado com que foi aprovado pelos deputados estaduais, o texto é contestado por integrantes do próprio Ministério Público. E também foi tema do quadro "Me Explica Direito", da CBN Vitória, protagonizado pelo professor e juiz federal Américo Bedê Freire Júnior.
Pelo projeto, autoridades com foro privilegiado - como deputados, senadores e secretários de Estado - ao responderem por crimes comuns no primeiro grau do Judiciário (o que ocorre após a restrição ao foro especial imposta pelo Supremo Tribunal Federal) ficariam sob a atribuição do procurador-geral de Justiça, que é o chefe do MPES, e não dos promotores que atuam no primeiro grau.
CONTRAMÃO
"A proposta vai na contramão do STF de acabar com a prerrogativa de foro da autoridade. A gente tinha a questão de que que algumas pessoas tinham prerrogativa de foro e agora cria-se uma prerrogativa ministerial. Por mais que não haja mais a necessidade de processar uma autoridade num tribunal, seria somente do procurador-geral o poder de decidir se processa ou não alguma autoridade. Se o Direito Penal é do fato e estamos acabando com a ideia de que por se tratar de uma autoridade ela tem que ter um tratamento diferenciado, não tem sentido concentrar poderes nas mãos do procurador-geral", afirmou Freire Júnior.
SUPERPODER
"Se o governador sancionar o projeto, vamos imaginar que um prefeito cometa um crime federal em Guarapari e um crime estadual que não são conexos. O procurador da República vai poder oferecer a denúncia, mas o promotor que está ali não vai poder. Vai ser só o procurador-geral. É uma centralização de poder. A gente não tem que pensar nas pessoas que estão ali e sim na instituição. As pessoas passam, a instituição fica. Não se está falando do procurador-geral X ou Y, não importa. Do ponto de vista republicano é importante que você não concentre poder. A proposta cria, sim, um superpoder e uma situação que enfraquece a decisão do STF, vai na contramão da ideia de que todos são iguais perante a lei e portanto todos tem que prestar contas igualmente", complementou.
ISENÇÃO
"O membro do Ministério Público que está na ponta é que tem melhores condições de avaliar. 'Ah porque garante menor retaliação, interferência política'. Primeiro que a gente tem que confiar nos membros do MP. Não se pode imaginar que um promotor que fez concurso público vai estar filiado aos interesses de A, B ou C. E quanto a esta preocupação, a concentração numa única pessoa é um risco muito maior do que a diluição entre 300 promotores. Do ponto vista político, prático e da Constituição a proposta é bastante preocupante", disse ainda.
"Espero que o governador utilize do poder de vetar o projeto ou se não, que depois haja uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) porque é inconstitucional", destacou. 
A inconstitucionalidade se daria porque trata-se, na visão de Freire Júnior, de matéria processual, de competência da União, além de ferir o princípio do promotor natural.
SEM IMPUNIDADE
O atual procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, que propôs a medida, já concedeu entrevista ao Gazeta Online e afirmou que a medida não configura risco de impunidade ou violação ao princípio do promotor natural. Eder Pontes também destacou que o projeto não é inconstitucional pois não trata de mudança de competência e sim de atribuição, além do fato de que o princípio do promotor natural não estar estabelecido na Constituição e sim por lei.
Eder Pontes é o atual procurador-geral de Justiça Crédito: Marcelo Prest
SEM MANDATO
Uma observação a ser feita é que quem perder o cargo, políticos que hoje têm foro privilegiado mas que estarão sem mandato no ano que vem, por exemplo, não serão alcançados pela nova atribuição do procurador-geral de Justiça, se estabelecida na prática. Isso porque não existe "foro de ex-função". Se um ex-deputado, ou um ex-governador cometer um crime comum já fora do poder, deve responder na Justiça como uma pessoa comum. Se estiver no cargo, no entanto, é aí que passa a receber, de acordo com o projeto, um tratamento diferente dos demais cidadãos, tendo a atuação do procurador-geral de Justiça no caso, ainda que tramitando na Justiça de primeiro grau.
GOVERNO
A reportagem procurou, por mais de uma vez, a Casa Civil do governo do Estado para saber se o governador pretende sancionar ou vetar o projeto. Não houve resposta. No último dia 11, o próprio Eder Pontes esteve na Assembleia, no gabinete do presidente Erick Musso (PRB), para apresentar a proposta aos deputados estaduais. Na sala, relatam parlamentares, estava também o secretário de Estado da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior (PSD). Ele não informou à reportagem se participou das discussões.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Halloween: 8 receitas doces e salgadas com abóbora para entrar no clima da data
Wagner Martins, cinegrafista da TV Gazeta
Amigos e colegas da TV Gazeta se despedem do cinegrafista Wagner Martins
Imagem de destaque
A luta para salvar cidade canadense ameaçada pelas tarifas de Trump

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.