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Operação Minucius

Prefeito, chefe de gabinete e empresários; quem são os presos pela PF em São Mateus

Sete pessoas foram presas e 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O montante movimentado com contratos com indícios de fraudes chega a R$ 50 milhões, segundo a PF

Publicado em 28 de Setembro de 2021 às 14:41

Vinicius Zagoto

Publicado em 

28 set 2021 às 14:41
Prefeito de São Mateus, Daniel Santana Barbosa, o Daniel da Açaí
Prefeito de São Mateus, Daniel Santana Barbosa, o Daniel da Açaí Crédito: Reprodução 
Operação Minucius deflagrada na manhã desta terça-feira (28) resultou na prisão de sete pessoas. Entre os presos estão o prefeito de São Mateus, Daniel Santana Barbosa, o Daniel da Açaí (sem partido), apontado como o líder do esquema criminoso, uma das controladoras do município, seu operador e quatro empresários.
Eles são suspeitos de fraudar licitações e desviar recursos públicos. Além dos sete presos, a operação mais investiga 12 pessoas.
Confira abaixo quem é quem, segundo as investigações:
  • Daniel Santana Barbosa (sem partido): prefeito de São Mateus e apontado pela Polícia Federal como líder do esquema criminoso.
  • Luana Zordan Palombo: controladora municipal, chefe de gabinete e braço direito de Daniel. Foi funcionária dele na Mineração Litorânea e  administrava empresas de Daniel em nome de laranjas. Ela é apontada como a responsável pela organização do esquema de fraudes em licitações no município.
  • João de Castro Moreira: conhecido como João da Antártica, é apontado como amigo de Daniel e testa de ferro no planejamento da execução de atividades escusas. Ele seria o responsável por simular compra de imóveis em nome dos filhos e por recolher dinheiro oriundo de propina, segundo as investigações. De acordo com a PF, além de participar de lavagem de dinheiro em compra de imóveis, ele atuava como cabo eleitoral de Daniel.
  • Edivaldo Rossi da Silva: empresário da K&K Gêneros Alimentícios. As investigações apontam que a empresa se beneficiou em pelo menos dois processos de dispensa de licitação conduzidos pela prefeitura de São Mateus. 
  • Yosho Santos: empresário dono da Estrela Shows e Eventos. É apontado nos autos como um parceiro do prefeito, que o auxiliaria colocando em prática esquemas de corrupção e de lavagem de dinheiro.
  • Gustavo Nunes Massete: empresário da Massete Estrutura e Eventos. A empresa aparece em licitações para simular concorrência, como um rodízio, segundo as investigações. Ele também atuava como cabo eleitoral de Daniel;
  • Caio Faria Donatelli: empresário dono da Multiface Serviços e Produções, que seria parceria de Daniel no esquema de desvio de recursos. A empresa tem R$ 36 milhões em contratos com a prefeitura, é alvo de CPI na Câmara de Vereadores e foi contratada para a construção de passarelas de acesso ao mar de Guriri com verba federal R$ 500 mil. De acordo com a PF, o prefeito teria recebido cerca de 10% a 20% do valor do contrato a fim de concretizar o negócio.

O CASO

A Polícia Federal aponta que o volume contratado pelas empresas suspeitas gira em torno de R$ 50 milhões. Daniel da Açaí e outras seis pessoas foram presos suspeitas de participarem de uma organização criminosa que fraudava licitações e desviava recursos públicos.
Os investigados poderão responder pela prática dos crimes de corrupção passiva e corrupção ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa e de fraudes licitatórias.
Foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e 25 de busca e apreensão, em residências e empresas nos municípios de São Mateus, Linhares e Vila Velha. 

PREFEITO SE AUTOCONTRATAVA

Em coletiva realizada na manhã desta terça-feira (28), o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo,  Eugênio Ricas, e o procurador regional da República, Carlos Aguiar, explicaram que Daniel da Açaí se autocontratava em um esquema piramidal, o qual todos os participantes tinham funções muito bem definidas.
"As empresas eram indicadas para fazer a contratação. Parte desses valores contratados eram pagos em propina. Depois dessa fase, havia a lavagem de dinheiro", afirmou Ricas.
"O prefeito se autocontratava. Ele se valia da caneta que tem para poder viabilizar a contratação de empresas que pertence a ele, mas que estão em nome de laranjas", ressaltou Aguiar. 

O QUE DIZEM OS CITADOS

A Prefeitura de São Mateus informou que o município só vai se manifestar quando tiver acesso aos autos do processo.
A reportagem entrou em contato com o pai de Caio Donatelli , o vereador de Linhares Juarez Donatelli (PV). Ele disse que o filho foi prestar depoimento na Polícia Federal, mas que não recebeu voz de prisão. A decisão do TRF2, no entanto, determina prisão temporária, de cinco dias, de Caio Faria Donatelli.
O advogado, Jayme Henrique, que representa Caio, informou que está seu cliente está na Polícia Federal em São Mateus e que só após a audiência de custódia a defesa vai se pronunciar sobre a prisão.
A Gazeta tenta contato com os outros citados. O texto será atualizado. 

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