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Política

Número 2 da PF diz ter confiança em Andrei, e cúpula vê decisão política

Após o afastamento, integrantes da cúpula da PF manifestaram, sob reserva, sentimento de indignação e revolta e entenderam a decisão do Supremo como política

Publicado em 08 de Setembro de 2026 às 15:37

Agência FolhaPress

Publicado em 

08 set 2026 às 15:37
William Marcel Murad é delegado de carreira da Polícia Federal desde 2002
William Marcel Murad é diretor-executivo da Polícia Federal Marcos Oliveira / Agência Senado
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, número 2 da corporação, disse em discurso nesta terça-feira (8) que manifesta confiança no diretor-geral Andrei Rodrigues após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinar que o chefe da corporação se afaste do cargo.
Após o afastamento, integrantes da cúpula da PF manifestaram, sob reserva, sentimento de indignação e revolta e entenderam a decisão do Supremo como política.
Andrei cancelou a participação em um evento da PF durante a manhã, pouco antes do horário previsto para discursar na abertura de um curso de formação profissional de agentes. Ele tomou conhecimento da decisão a caminho do local da cerimônia.
"Não nos deixaremos abalar com ataques, venham de onde vier, e afirmamos a nossa total confiança na direção-geral e no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos", disse Murad no discurso. Ele saiu do evento sem falar com a imprensa.
À Folha, um superintendente da PF próximo a Andrei disse que "a avaliação é de espanto", ao falar da decisão. Para ele, o ministro tenta influenciar no andamento de investigações, comportamento que não vê no diretor-geral.
Na Academia Nacional, em Brasília, 735 alunos aguardaram sentados cerca de 50 minutos até serem informados de que Murad substituiria Andrei no evento.
O que motivou o pedido de afastamento, segundo a decisão de Mendonça, foi a produção de um relatório interno da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O magistrado pediu preventivamente que o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, deixe o cargo.
Fux convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do Supremo nesta terça para analisar a decisão de Mendonça contra Andrei Rodrigues. A turma é composta pelos ministros Luiz Fux (presidente), Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Nunes Marques, além do próprio André Mendonça.
A turma formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues, mas Gilmar pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu a sessão.

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