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Brasília

Diretores da PF colocam cargos à disposição em apoio a chefe da PF afastado por Mendonça

Manifesto divulgado hoje afirma que o grupo decidiu se posicionar publicamente em defesa de Rodrigues e de Almada… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/09/08/onze-diretores-da-pf-colocam-cargo-a-disposicao-apos-decisao

Publicado em 08 de Setembro de 2026 às 16:16

Agência FolhaPress

Publicado em 

08 set 2026 às 16:16
Diretor-geral afastado da PF, Andrei Passos Rodrigues
Diretor-geral afastado da PF, Andrei Passos Rodrigues Andressa Anholete/Agência Senado
Os diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto nesta terça-feira (8), em reação ao que classificaram como ataques contra o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.
Em manifestação conjunta assinada por 11 diretores, a cúpula da PF afirmou prestar total apoio aos dois delegados e repudiou tentativas de atribuir a eles ou à instituição uma atuação não republicana. O gesto de colocar os cargos à disposição ocorre em meio à crise envolvendo a direção da corporação.
Nesta terça-feira (8), a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para referendar a ordem do ministro André Mendonça e manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. O julgamento, porém, foi suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
"Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas", afirmam os diretores.
Ao final da manifestação, eles dizem: "Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do diretor-geral substituto".
Os integrantes da cúpula da PF também afirmaram que Andrei tem uma trajetória marcada pela atuação técnica, isenta e responsável. Eles disseram que as críticas dirigidas à direção da corporação são influenciadas por interesses políticos.
"Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja", diz o texto.
Segundo os diretores, a manifestação tem como objetivo defender a instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções e preservar a capacidade da Polícia Federal de atuar na promoção da Justiça e na defesa do Estado democrático de Direito.

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Entre os diretores que colocaram os cargos à disposição está Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, área da Polícia Federal que concentra as investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Também assinam a nota Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa; Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas; Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico.
Além de André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística; Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia; Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa; Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação; e Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente.
A justificativa principal do afastamento de ambos foi um relatório interno produzido pela PF e utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça, por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O relatório aponta que Mendonça teria agido para direcionar as investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Alcolumbre-AP), "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".
A alegação de abuso de autoridade ocorreu depois que Mendonça tornou públicas apurações da PF que identificaram Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Ao determinar o afastamento do diretor-geral, Mendonça afirmou que o relatório utilizado por Moraes não tem validade. "A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos 'relatórios de inteligência' impõe a adoção de providências imediatas", escreveu o relator.
De acordo com Mendonça, é "inimaginável" conceber que setores da PF estejam produzindo relatórios para "descredibilizar o trabalho técnico realizado" por outros delegados e agentes que estão atuando no caso Master.
Mendonça usa termos como surreal e inimaginável para descrever o material produzido pela Polícia Federal que baseou o pedido de Moraes e até ironiza seu teor, ao usar aspas quando o classifica como documento.
"Verifica-se que o documento é apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer conferência quanto à sua autoria e data de elaboração", diz o relator.

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