Fernando Frazão/Agência Brasil
O Espírito Santo registrou 47 denúncias de assédio eleitoral no trabalho em 2026, segundo dados atualizados até esta terça-feira (27 de outubro) pelo Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES). O total representa 17 registros a mais que os 30 informados em levantamento divulgado por A Gazeta em 21 de outubro, um aumento 57%. Desconsideradas as denúncias sobre um mesmo fato ou empresa, o número passou de 18 para 34 em uma semana.
O órgão continua recebendo relatos mesmo após o fim das eleições. As denúncias envolvem tanto pressões durante a campanha quanto represálias depois do resultado, como ameaças de demissão, recusa de contratação e outras formas de punição pela escolha política do trabalhador.
O MPT reforça que o voto é livre e secreto. “Ninguém é obrigado a revelar em quem votou nem pode sofrer retaliação por sua escolha nas urnas”, afirmou o órgão em comunicado encaminhado à imprensa na tarde desta terça-feira (27).
Além das denúncias, o balanço de 2026 no Espírito Santo registra 19 termos de ajustamento de conduta (TACs) e três ações ajuizadas. Os TACs são acordos pelos quais empresas ou instituições assumem obrigações para corrigir irregularidades e cumprir a legislação, sem a necessidade de uma decisão judicial. Já as ações levam a questão à Justiça do Trabalho.
O número de denúncias recebidas neste ano no Estado ainda é inferior ao das eleições de 2022, quando foram contabilizados 64 registros, sendo 40 sem repetição. Naquele ano, o MPT-ES firmou dois TACs e ajuizou duas ações.
No acumulado de 2020 a 2026, o Espírito Santo soma 163 denúncias de assédio eleitoral no trabalho, das quais 111 sem repetição, além de 30 acordos e nove ações judiciais.
Os registros recebidos pelo MPT relatam possíveis irregularidades e não significam, por si só, que a prática de assédio tenha sido comprovada.
Em todo o país, o MPT contabiliza 2.364 denúncias em 2026, sendo 1.957 sem repetição. Também foram registrados 89 TACs e 63 ações ajuizadas. O Espírito Santo concentra cerca de 2% do total nacional de denúncias.
Nas eleições de 2022, o Brasil somou 3.373 denúncias, das quais 2.365 sem repetição, além de 275 acordos e 71 ações judiciais.
Já no acumulado de 2020 a 2026, são 7.008 denúncias em todo o território nacional, sendo 5.260 sem repetição, 707 TACs e 228 ações ajuizadas.
Trabalhadores que sofreram ou presenciaram assédio eleitoral podem denunciar pelo site do MPT ou presencialmente, em uma das unidades da instituição.
Segundo o órgão, a denúncia pode ser feita inclusive de forma anônima. Quando o denunciante se identifica, seus dados, inclusive o nome, podem ser mantidos sob sigilo.
Mensagens, fotos, áudios e indicação de testemunhas podem ajudar na apuração. A ausência de provas no momento da denúncia, porém, não impede a investigação.