Passada a primeira semana de convenções partidárias, período
em que os candidatos começam a ser apresentados
ao eleitorado, o lugar do deputado federal Evair de Melo (Republicanos) no
xadrez eleitoral deste ano segue em aberto.
Apontado nos bastidores da política como possível candidato
ao Senado pela direita no Espírito Santo, o parlamentar ainda não revelou se
disputará uma vaga na Casa ou se tentará a reeleição para a Câmara dos
Deputados.
"Minha decisão sobre o Senado poderá acontecer sem
crise e sem briga. Nunca será por vaidades ou interesses obscuros",
afirmou o parlamentar à reportagem nesta sexta-feira (24).
Embora não fale abertamente sobre o impasse em torno de uma
eventual candidatura ao Senado pelo Republicanos, partido ao qual se filiou em
abril deste ano, Evair, antes pertencente ao quadro do Progressista (PP), deixa transparecer incômodo com os rumos das
articulações conduzidas pela nova legenda.
No Espírito Santo, o Republicanos é presidido pelo
ex-deputado estadual Erick Musso. O partido lançou o ex-prefeito de Vitória
Lorenzo Pazolini como candidato ao governo do Estado. Para fortalecer esse
projeto, porém, precisou firmar uma aliança com o PL, comandado no Estado pelo senador Magno Malta.
O acordo custou ao Republicanos uma vaga na chapa ao Senado
do grupo liderado por Pazolini, restando espaço para apenas mais um nome. Como
parte da composição, o ex-prefeito também declarou apoio público à candidatura
do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, como representante
do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Antes da consolidação da aliança entre PL e Republicanos,
Evair sinalizava acompanhar mais de perto a construção das candidaturas de seu
grupo político. Nesta sexta-feira (24), no entanto, preferiu destacar sua
independência e o distanciamento do que chamou de "velha política".
"Minha independência incomoda. (...) Fazem política por
conveniência. A velha política existe, sim, e não vai nos vencer",
afirmou.
Ausência em encontro de aliados
Evair foi uma das ausências mais comentadas no evento realizado pelo PL, em Vitória, no último dia 18. Na ocasião, PL e Republicanos
reforçaram a aliança para a disputa de outubro, com Pazolini sendo confirmado
como candidato ao governo apoiado pela legenda de Magno Malta. Já a
publicitária Maguinha Malta (PL), filha do senador, foi apresentada como a
primeira opção do grupo para uma das vagas ao Senado.
Ex-integrante do PL, o ex-deputado federal Carlos Manato,
hoje filiado ao Republicanos, também participou do encontro. Nos bastidores,
ele é apontado como um dos interessados na última vaga ao Senado da chapa
construída por PL e Republicanos.
Ao justificar a ausência no evento, Evair afirmou que já
tinha compromissos previamente agendados.
"Já tinha agenda predeterminada no Rio de Janeiro e em
Minas Gerais. Sou muito pragmático nesse quesito. Quem acompanha meu mandato
conhece isso. É método, disciplina", disse.
O parlamentar também descartou qualquer distanciamento de
Pazolini e afirmou que as especulações nos bastidores não passam, segundo ele,
de tentativas de criar intrigas.
"A decisão de estar com Pazolini foi minha há quatro
anos. Na época, éramos até de partidos diferentes, e eu nem tinha relação com
ele. Fui eu quem me ofereci para estar ao lado dele, e nada vai mudar. Estão
tentando criar intrigas onde elas não existem. Não vou cair nessa
pegadinha."
Indagado sobre se as supostas intrigas partiriam do próprio grupo político ao qual é ligado, Evair afirmou que estas "são construídas, pensadas e planejadas pelos incomodados com o novo momento".
Perguntando ainda sobre se manteve conversas com dirigentes do Republicanos nos últimos dias em relação a uma eventual disputa interna pela vaga ao Senado, o parlamentar respondeu: "Essa briga é invenção e criatividade. Nunca existiu. Cada um que se abrigue na casa que construiu. O problema é que tem gente querendo morar na casa de outro".