As listas de boicote a comércio e profissionais por serem "de esquerda" seguem circulando em aplicativos de mensagem e publicações em redes sociais. No Espírito Santo, essas listagens já alcançam comerciantes e trabalhadores de ao menos 15 municípios, segundo levantamento feito por A Gazeta, com base em informações apuradas e relatadas.
São eles:
- Afonso Cláudio
- Alegre
- Baixo Guandu
- Barra de São Francisco
- Boa Esperança
- Cachoeiro de Itapemirim
- Castelo
- Colatina
- Domingos Martins
- Guaçuí
- Guarapari
- Rio Bananal
- Santa Maria de Jetibá
- Venda Nova do Imigrante
- Vitória
Embora ainda não tenha confirmado seu nome na lista de Domingos Martins, uma profissional liberal do município revelou que, logo após o segundo turno e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve contratos cancelados. Ela disse que uma das contratantes fez postagens sugerindo a dispensa de petistas.
A profissional falou que nem tem perfil aberto nas redes sociais com postagens políticas, mas acredita que foi "marcada" em grupos como uma pessoa de esquerda por ser da comunidade LGBTQIAPN+.
"É uma sensação de impotência e me sinto um pouco acuada, com medo. Não sei nem explicar. No nazismo, havia essas listas de boicote. A preocupação é não saber como isso vai evoluir, se vão ficar só nas listas, ou se vamos sofrer questões físicas nas ruas, se vão ficar apontando dedo e gritando quando a gente entrar nos lugares", desabafou.
A criação e disseminação de listas de boicote pode resultar em ações de indenização por quem se sentir prejudicado e, em determinadas circunstâncias, também ser classificada como crime, conforme pontuado em reportagem de A Gazeta quando surgiram as primeiras listas, na eleição de Lula em 2022.
Leia mais sobre Eleições: