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Governo

'Está difícil', diz Bolsonaro sobre escolha do procurador-geral

O presidente deseja que o ocupante do cargo 'esteja alinhado a e afinado com o futuro do Brasil. Que não seja xiita na questão ambiental, na questão de minorias, na questão indígena'

Publicado em 14 de Agosto de 2019 às 19:15

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 ago 2019 às 19:15
Jair Bolsonaro, presidente da República Crédito: Instagram
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quarta-feira (14) em Parnaíba, no Piauí, que está tendo dificuldades em definir o nome do novo procurador-geral da República.
"Tenho tempo ainda. Está difícil a escolha, tem muitos bons nomes. Tenho certeza que o escolhido, além de ser aprovado pelo Senado, todos se orgulharão dele", afirmou o presidente.
O presidente evitou comentar sobre possíveis candidatos ao cargo, como o subprocurador Augusto Aras. Mas destacou o perfil que espera do novo PGR.
"Eu quero uma pessoa que esteja alinhada a e afinada com o futuro do Brasil. Que não seja xiita na questão ambiental, na questão de minorias, na questão indígena, dentre outros. Queremos um PGR que esteja preocupado em destravar a economia", disse o presidente.
Nos últimos dias, sob pressão tanto do mundo político como do jurídico, o presidente reservou parte da agenda oficial para receber postulantes à sucessão de
, cujo mandato termina em setembro e não deve ser reconduzida ao cargo.
O presidente foi convencido a escolher um subprocurador-geral do Ministério Público Federal, função do topo da hierarquia, um requisito defendido por ministros do Supremo consultados pelo Planalto.
Manifestações do Ministério Público Federal, como a defesa de que seja anulada a exoneração de peritos de órgão de combate à tortura e a recomendação para que militares se abstenham de comemorar o golpe de 1964, não agradaram ao presidente.
A ideia é afastar nomes que tenham vínculo com o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, escolhido pela ex-presidente Dilma Rousseff, e que se identifiquem com pautas da esquerda, como as de proteção a grupos minoritários.
O presidente definiu, por exemplo, a necessidade de troca no comando da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que hoje tem à frente a subprocuradora-geral Deborah Duprat. Ela foi indicada por Janot e mantida por Dodge, o que levou Bolsonaro a reavaliar a possibilidade de reconduzir a procuradora-geral.
Desde o início do ano, a estrutura vinculada ao Ministério Público Federal tem adotado posições que contrariaram o presidente, como a declaração de inconstitucionalidade em mudança na Lei de Acesso à Informação e nos decretos que ampliaram a posse e o porte de armas no país.
ESCOLA E SOBREVOO
Nesta quarta-feira (14), Bolsonaro desembarcou no aeroporto de Paranaíba às 10h, de onde saiu para um sobrevoo pela região do perímetro irrigado Tabuleiros Litorâneos.
No retorno, discursou de uma sacada do aeroporto para um público de centenas apoiadores. Vestidos de verde e amarelo e com camisas com a imagem do rosto do presidente, os militantes gritavam "fora PT" e "a nossa bandeira jamais será vermelha".
Em discurso, o presidente voltou a acusar os governadores do Nordeste de querer dividir o Brasil e fazer piada referência ao tamanho da cabeça dos nordestinos.: "Eu não tenho cabeça grande, não, mas sou um cabra da peste", afirmou.
O presidente também prometeu "varrer a turma de vermelho" do Brasil nas próximas eleições e voltou a falar em fezes.
"Vamos acabar com o cocô no Brasil. O cocô é essa raça de corrupto e comunista", afirmou o presidente.
Na sequência, o presidente seguiu para o centro da cidade para inaugurar uma escola do Sesc (Serviço Social do Comércio) que se chamará Escola Presidente Jair Messias Bolsonaro.
Para garantir a homenagem, contudo, a Câmara Municipal de Parnaíba fez uma manobra e, em uma sessão relâmpago na manhã desta quarta-feira, aprovou a cessão do prédio da escola para a Fecomércio, entidade que comanda o Sesc.
A escolha do nome foi em uma ação popular que alegou que, mesmo estando sob usufruto do Sesc, o prédio da escola pertence ao município -a legislação impede que prédios públicos sejam batizados com o nome de pessoas vivas.
Com o imbróglio junto à Justiça, o presidente do conselho regional do Sesc no Piauí, Valdeci Cavalcante, ordenou a retirada do letreiro da escola com o nome do Bolsonaro. O nome retornará quando a questão judicial for resolvida.
Com ensino militarizado, escola terá em seu currículo a disciplina "educação, moral e cívica", instaurada nas escolas durante a ditadura militar para ensinar sobre civismo e patriotismo.
Além das disciplinas tradicionais, a escola também terá ensino de música, esportes, além da oferta de sete idiomas, incluindo alemão e mandarim.
Segundo Valdeci Cavalcante, do presidente do conselho regional do Sesc, a escola terá como público alvo os filhos dos comerciários da região e terá como missão formar novos empresários.
Ao chegar à escola, o presidente foi recebido por manifestantes que criticavam cortes de verbas na educação e chamaram o presidente de "exterminador de direitos". Também havia manifestantes a favor do presidente, vestidos de verde e amarelo. Não houve conflitos.
Nos dois atos, o presidente foi acompanhado por um antigo aliado: o ex-governador do Piauí (1994-2001) e atual prefeito de Parnaíba Francisco de Moraes Souza (SD), o Mão Santa.
Conhecido pelo estilo folclórico e por bordões como "atentai bem", Mão Santa foi governador do Piauí entre 1995 e novembro de 2001, quando foi cassado por abuso de poder econômico durantes as eleições.
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