Às vésperas da vigência do período eleitoral, mais de 800 mil eleitores do Espírito Santo ainda não regularizaram o cadastro eleitoral com a coleta de biometria. O número corresponde a 27,61% do eleitorado do Estado e representa o maior percentual de eleitores sem biometria entre as unidades da federação nas Eleições 2026.
No Brasil, os sem biometria correspondem a 10,99% do grupo apto a votar. As informações com esses e outros dados foram divulgadas na última segunda-feira (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nas últimas eleições gerais, em 2022, o Espírito Santo era o segundo Estado com maior índice de eleitores sem biometria (45,69%), atrás somente de Minas Gerais (48,58%). Agora, em 2026, assumiu a liderança, deixando Minas Gerais (23,13%) em segundo e o Rio de Janeiro (18,94%) em terceiro.
Dos 78 municípios capixabas, 42 disponibilizam à população a biometria e 36 adotam o sistema de identificação híbrido. No total, o Estado tem quase 3 milhões de eleitores aptos a votar.
O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) explica que os eleitores sem cadastro biométrico não são impedidos de votar, podendo comparecer à seção eleitoral com o título de eleitor e documentos físicos para comprovar a identidade, desde que estejam com a situação regularizada perante a Justiça Eleitoral.
Danilo Marchiori, secretário de Tecnologia da Informação do TRE-ES, ressalta que, ao fim do período eleitoral, e principalmente a partir de 2027, será feita uma convocação em 21 municípios do Estado para incentivar o cadastramento biométrico.
O objetivo é alcançar 90% de cobertura de cadastros com biometria até o fim do ano que vem. Na avaliação de Marchiori, um dos motivos para o Espírito Santo apresentar o maior índice de eleitores do país foi a viabilização tardia de acordos de cooperação técnica para impor dados de eleitores.
Ele lembra que enquanto estados como Minas Gerais avançaram anteriormente com parcerias com as instituições públicas, o TRE-ES conseguiu concretizar o compartilhamento de dados com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e outros órgãos apenas neste ano.
Esses acordos são importantes porque permitem que a Justiça Eleitoral utilize as impressões digitais e fotos já coletadas para a emissão de documentos como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e passaportes.
O acordo feito pelo TRE com outros órgãos públicos já permitiu que a Justiça Eleitoral do Estado tenha no seu sistema mais de 350 mil registros biométricos. Mas os dados só vão ser importados de fato quando o eleitor colocar a digital na hora de votar.
"A única coisa que está faltando para eles fazerem parte do do cadastro de eleitores efetivamente é a confirmação de que essas digitais são válidas, o que é feito no dia da eleição", afirma.
A expectativa é que esse processo reduza significativamente o estoque de eleitores sem biometria logo após o pleito.
No próximo ano, o TRE-ES realizará uma convocação massiva em 21 municípios capixabas. O foco principal será em cidades com grandes colégios eleitorais, como Serra e Cariacica, que detêm os maiores números absolutos de eleitores sem biometria, além de municípios como Guarapari e Aracruz.
A coleta biométrica é feita somente de forma presencial. Para efetivar o cadastro, o eleitor deve ir ao cartório eleitoral do município onde vota, levando documento de identificação, comprovante de residência, CPF e, caso tenha, o título de eleitor.
Para evitar filas desnecessárias, o TRE-ES planeja disponibilizar uma ferramenta de consulta em seu site. Por meio dela, o cidadão poderá verificar se sua biometria já foi validada (via dados do Detran, por exemplo) ou se será preciso comparecer ao cartório eleitoral.
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