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Entenda porque Jair Bolsonaro passará por sua quarta cirurgia

Há quase um ano o presidente levou uma facada no abdômen, durante um ato de campanha. As múltiplas operações pelas quais passou resultaram na formação de uma hérnia

Publicado em 02/09/2019 às 11h19
Atualizado em 07/09/2019 às 11h17
Retrospectiva 2018 - Uma facada na democracia  Em setembro, já durante a campanha presidencial, Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada durante ato político e ficou à beira da morte em Juiz de Fora. Crédito: Fábio Motta/Estadão
Retrospectiva 2018 - Uma facada na democracia Em setembro, já durante a campanha presidencial, Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada durante ato político e ficou à beira da morte em Juiz de Fora. Crédito: Fábio Motta/Estadão

No próximo domingo (8), o presidente  Jair Bolsonaro (PSL) passará por sua quarta cirurgia na região do abdômen. O novo procedimento, que também será feito em decorrência da facada levada pelo presidente ainda durante o período eleitoral em 2018, desta vez tem como objetivo corrigir uma hérnia incisional que se formou no local das cirurgias anteriores.

A cirurgia será feita no Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo. Em entrevista ao jornal O Globo, o cardiologista Leandro Echenique, que acompanha o presidente, explica que o Bolsonaro não sente dor intensa, mas sim um incômodo no local. A hérnia, no entanto, chega a ser visível mesmo sob a roupa do presidente. A expectativa é que ele já esteja recuperado para embarcar, no dia 22 de setembro para a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Conforme explica o cirurgião do aparelho digestivo, Paulo Henrique Oliveira de Souza, o procedimento é de média complexidade e é necessário para evitar que surjam complicações, como o aumento de tamanho da hérnia, além de eliminar possíveis dores e incômodos. Embora menos comuns, outros riscos também precisam ser prevenidos.

Abaixo, o especialista responde as principais dúvidas sobre o tema. Confira:

O que é a hérnia incisional?

Hérnias de maneira geral são defeitos anatômicos que fazem com que alguma estrutura de uma cavidade do organismo saia de seu local original. No caso do presidente, ele tem uma hérnia incisional porque é decorrente de uma incisão cirúrgica. Após as cirurgias, a cicatrização da parede abdominal, da musculatura e tudo mais, faz com essa região fique mais frágil e suscetível a uma abertura, a um defeito anatômico, que é a hérnia.

Existe algum risco para o paciente, como o de rompimento?

O risco de rompimento acontece em casos bem extremos, no caso do presidente provavelmente não, a gente vê rompimento de hérnia em casos de pacientes cirróticos, pacientes que acumulam líquido na barriga. Mas ainda assim são casos muito extremos. O maior risco que existe é, acima de tudo, um defeito estrutural, que atrapalha a função da parede do abdômen e a estética.

Mas nesses casos, a complicação mais grave é o encarceramento ou estrangulamento, que é quando o conteúdo de dentro do abdômen que sai pelo orifício da hérnia pode ficar preso e não retornar mais ao abdômen. isso pode gerar uma dor muito forte e em alguns casos esse conteúdo não volta. Se for uma parte do intestino, por exemplo, ela pode necrosar. Isso é um pouco menos raro de acontecer do que o rompimento. A hérnia também pode aumentar de tamanho com o tempo, esforço físico repetitivo, etc.

É um problema comum? Quais são as consequências para os pacientes?

É um problema que depende de muitos fatores. Primeiro, a condição clínica do paciente, a idade, se ele possui doenças associadas. Segundo, o lugar, a região em que foi feita a incisão. No caso do presidente foram múltiplas incisões. A primeira das três cirurgias foi de de urgência, o que também aumenta as chances de isso acontecer. A principal queixa dos pacientes com hérnias é justamente pelo abaulamento. Pode ter dor principalmente por esforços físicos. Eu imagino que pelo fato de o presidente se deslocar, viajar muito, ficar em pé, isso gera desconforto. Em alguns casos, as pessoas sentem dor.

É preciso mesmo operar? Por quê?

É preciso operar para reconstituir a anatomia normal da parede do abdômen e para o paciente ficar livre dessas possíveis complicações, além de parar de sentir dor. Há também a questão estética.

Quanto tempo a cirurgia demora?

Depende do tamanho, da região. A gente opera hérnia incisional em 30 minutos ou em 7 horas. É uma cirurgia de médio porte. Nem tão simples, mas não tão difícil. Tudo depende do tamanho da hérnia, do conteúdo dela. Hoje em dia essa cirurgia pode ser feita de forma convencional (abrindo o abdômen), por vídeo (entrando com uma câmera pelo abdômen) ou até com auxílio de robô sob o comando do cirurgião.

Quem pode operar?

O cirurgião geral ou do aparelho digestivo.

Como é o procedimento pós-operatório? Demora para se recuperar?

Basicamente, após a operação é preciso evitar esforço físico, fazer um repouso de cerca de 15 dias. Mas essas orientações variam de acordo com a resposta do paciente e com o profissional que o atende. No mais, não é preciso fazer nenhuma dieta ou medicação especial.

RELEMBRE O ATENTADO

Bolsonaro se recupera após facada . Crédito: Reprodução
Bolsonaro se recupera após facada . Crédito: Reprodução

Na época ainda candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro foi alvo de um atentado enquanto participava de um ato de campanha em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018. Ele era carregado nos ombros por apoiadores quando um homem se aproximou e o feriu na barriga. O agressor, Adélio Bispo de Oliveira, 40 anos, confessou o crime e foi preso. Atualmente, está internado por termo indeterminado em um manicômio judicial, após a Justiça considera-lo inimputável

A primeira cirurgia após a facada aconteceu no mesmo dia do incidente, em um hospital de Juiz de Fora (MG). Durante o procedimento, Bolsonaro recebeu quatro bolsas de sangue, e teve implantada uma bolsa de colostomia.

Dias depois, no hospital Albert Einstein, em São Paulo, Bolsonaro passou por uma segunda cirurgia, quando os médicos reabriram o corte da primeira operação e encontraram uma obstrução em uma alça do intestino delgado, na parte esquerda do abdômen.

Em janeiro de 2019, o presidente voltou ao Einstein, em São Paulo, para retirar a bolsa de colostomia e fazer o ligamento do intestino.

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