Repórter / [email protected]
Publicado em 5 de outubro de 2022 às 17:36
A disputa pelo segundo turno para o Governo do Espírito Santo começou levantando temas sensíveis para a história do Estado. Nesta terça-feira (4), o deputado Felipe Rigoni (União) publicou um vídeo onde associa o candidato ao Executivo estadual Carlos Manato (PL) à Scuderie Le Cocq e ao crime organizado “que assombrou o Estado até os anos 2000”. No mesmo vídeo, postado nas redes sociais, Rigoni declara apoio ao adversário de Manato, o atual governador Renato Casagrande (PSB). >
Apontada como um dos principais grupos de extermínio a agir no Espírito Santo, a Scuderie Detetive Le Cocq foi fundada no Rio de Janeiro na década de 1960, e chegou oficialmente ao Estado na década de 1980. >
Até a data da dissolução da organização por decisão da Justiça Federal em 2004, a Le Cocq tinha sido acusada de 30 assassinatos políticos e quase 1.500 homicídios anuais que transformaram o Espírito Santo no segundo estado mais violento do Brasil e as cidades da Grande Vitória nas mais violentas do mundo.>
A Scuderie foi oficialmente fundada no Espírito Santo em 24 de outubro de 1984, pautada para “aperfeiçoar a moral e servir à coletividade”. Um dos lemas do grupo era “bandido bom é bandido morto”. >
>
Nela, foram associados advogados, juízes, políticos, promotores, empresários e comerciantes. O símbolo é o mesmo dos esquadrões de morte: uma caveira, duas tíbias e as iniciais EM.>
O grupo não era clandestino e nem ilegal. Tinha registro de CNPJ, ficha de inscrição - é estimado que tenha tido cerca de 800 membros no Estado - e os integrantes costumavam ser identificados por chaveiros, broches ou adesivos nos carros. >
Classificada muitas vezes como organização paramilitar, investigações apontam que a entidade interferiria na apuração de crimes para garantir a impunidade de associados. >
Pessoas associadas à Le Cocq foram acusadas de assassinatos e de envolvimento com tráfico de drogas, jogo do bicho, roubo de carros, roubos a bancos e sonegação de impostos.>
A Le Cocq esteve no centro dos crimes e violações de direitos humanos no Espírito Santo cometidos principalmente entre os anos 1990 e início dos anos 2000. A organização era considerada o braço armado do crime organizado capixaba. >
É importante destacar que, diferente de hoje em dia, o que se entendia por crime organizado não era aquele composto por traficantes de drogas em torno de compra e venda de entorpecentes e disputa de territórios.>
Ele era formado por membros importantes da sociedade, e envolvia juízes, parlamentares, secretários, governantes, policiais, promotores e grandes empresários que se articulavam para a manutenção do próprio poder. >
Os integrantes do crime organizado estavam infiltrados em todas as esferas de poder, inclusive nas altas cúpulas do Judiciário, dos Executivos municipais e estadual, Legislativo e até em instituições financeiras. >
Na decisão de 2004 que extinguiu oficialmente o grupo, o juiz federal Alexandre Miguel, então na 4ª Vara da Justiça Federal, em Vitória, dissolveu o registro jurídico da associação e mandou suspender de imediato todas atividades da organização e a inclusão de novos sócios. O documento também proibiu a divulgação do nome e de símbolos da Scuderie.>
O candidato ao governo do Estado, Carlos Manato (do PL), reagiu ao vídeo do deputado federal Felipe Rigoni (do União Brasil) e afirmou que "é lamentável que alguém que criticou o governo se preste a fazer um papel desses".
>
O candidato do PL esclareceu que em 1991 fez um ciclo de estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg). De acordo com Manato, a entidade reunia juízes, advogados e médicos e, depois da conclusão dos cursos, passou a integrar outra instituição que também teria objetivos filantrópicos e distribuição de cestas básicas, chamada de Fraternidade, Força e Honra (FFH). >
Segundo ele, foi por causa da participação nessa fraternidade que teria se relacionado com o grupo conhecido como Scuderie Le Cocq.>
Manato afirma que "a instituição acabou na década de 90 porque tinha pessoas de má índole. Nunca participei de nada, não tenho arma, nunca dei um tiro">
Ao final, o candidato do PL desafiou os adversários a comprovarem qualquer participação sua com o crime organizado.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta