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Guerra de números

Em Vila Velha, Arnaldinho diz que vai herdar R$ 100 milhões em dívidas

Prefeitura afirma, no entanto, que o novo prefeito vai encontrar R$ 283 milhões em caixa e que os últimos anos registrara superávit

Publicado em 29 de Dezembro de 2020 às 22:45

Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 dez 2020 às 22:45
Vice-prefeito eleito Victor Linhalis, prefeito eleito Arnaldinho Borgo e Gilson Daniel, todos do Podemos
Vice-prefeito eleito Victor Linhalis, prefeito eleito Arnaldinho Borgo e coordenador da transição Gilson Daniel, todos do Podemos Crédito: Assessoria de Imprensa
O cenário financeiro que o prefeito eleito de Vila VelhaArnaldinho Borgo (Podemos), vai encontrar é preocupante, de acordo com o relatório preparado por sua equipe de transição, chefiada pelo prefeito de Viana, Gilson Daniel (Podemos). O material de 300 páginas aponta que Arnaldinho vai herdar cerca de R$ 100 milhões em dívidas, além de uma queda de arrecadação de R$ 15 milhões.
A transição nada tranquila entre a equipe do prefeito eleito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), e o prefeito da cidade, Max Filho (PSDB), culminou nesta terça-feira (29) na apresentação de um relatório em que o time de Arnaldinho aponta que ele vai herdar R$ 100 milhões em dívidas, além de uma queda de arrecadação de R$ 15 milhões.
O material, de 300 páginas, é capitaneado pelo chefe da equipe de transição do prefeito eleito, Gilson Daniel (Podemos), que até o dia 31 é também prefeito de Viana. A equipe afirma que não teve acesso às informações de forma clara e a prefeitura rebate, diz que os dados apresentados por Arnaldinho estão equivocados.
Em nota enviada à reportagem, a atual gestão afirmou que nos últimos anos o município fechou as contas com dinheiro em caixa e que o futuro prefeito vai encontrar mais de R$ 200 milhões em receita disponível no início do mandato. "A Prefeitura de Vila Velha informa que o salto de disponibilidade financeira atual é de R$ 283 milhões e não há dívida a pagar relativa a restos a pagar de 2017 a 2019", escreveu.
De acordo com o relatório da equipe de Arnaldinho, no entanto, o valor das dívidas inclui R$ 24 milhões em restos a pagar, de dívidas feitas entre os anos de 2009 a 2019. Ainda não foi passado para a equipe o valor exato da dívida referente ao ano de 2020, por isso foi considerada uma projeção de cerca de R$ 13 milhões de despesas empenhadas e não pagas durante o ano de eleição e de pandemia de Covid-19.
Também estão na conta dívidas fundadas, ou seja, de pagamento a longo prazo, que incluem  financiamentos, pagamentos de previdência INSS e previdência municipal e pagamento de precatórios. De acordo com Gilson Daniel, a administração de Arnaldinho terá que liquidar, em até quatro anos, cerca de R$ 70 milhões em precatórios. 
"Se somado ao Fonplata, a dívida a longo prazo chega a R$ 511 milhões", destacou o coordenador da equipe. Ele se refere a um financiamento de R$ 110 milhões feito pela administração atual para investimento em obras no município.

FALTA DE ESTRUTURA PARA VOLTA ÀS AULAS

Entre os pontos ressaltados durante a coletiva, Gilson Daniel falou sobre a situação que as escolas se encontram quanto ao combate ao coronavírus. De acordo com ele, a Secretaria Municipal de Educação não comprou nenhum equipamento de proteção individual para professores e alunos para viabilizar a volta às aulas.
"Não tem máscara, álcool em gel, luva, não tem nada comprado. Ainda não há previsão de volta às aulas, mas em Vila Velha o problema é ainda maior, é estrutural, porque não temos o material para o retorno das crianças", pontuou.
As unidades também estariam em uma situação de "sucateamento", sendo necessária a elaboração de um plano para reformá-las. "Está caindo aos pedaços, chove mais dentro do que fora, tem que reformar", afirmou Arnaldinho.
Sobre esse ponto, a prefeitura afirma que "contratou empresas para realizar a manutenção de todas as 102 Unidades que compõem a rede municipal de ensino" e que o planejamento para o próximo ano letivo já está "pronto e em curso". "aulas por meio do site Conectados da Vila, estratégias em cada unidade de ensino e material impresso para os alunos que não possuem acesso à internet. Mas, caberá à futura gestão definir as ações", finalizou.

ESTRUTURA PARA VACINAÇÃO

Além disso, de acordo com o relatório, o município não possui estrutura para armazenamento e vacinação em massa dos moradores. O problema seria não só para o armazenamento de uma vacina para a Covid-19, mas também de qualquer outra doença. 
"Nossa secretária já está organizando um grande plano de atenção básica, vamos adquirir insumos para equipar nossos profissionais e atender à população, preparar um plano macro de vacinação contra o coronavírus, inclusive, com equipamentos de armazenamento dessa medicação e muitas outras, pois nossa cidade não possui câmaras de frios", destacou o prefeito eleito.
A resposta da prefeitura, novamente, contradiz as informações prestadas. De acordo com a atual gestão, Vila Velha adquiriu três câmaras refrigeradas "com inteligência artificial, que avisa ao gestor do sistema sobre alguma intercorrência elétrica" que "mantém, mesmo sem energia, a validade das vacinas por 48h".
"(As Câmaras) Têm capacidade de 1.500 litros, para armazenar as vacinas contra o coronavírus, além disso, a rede de frio municipal dispõe de mais 16 câmaras refrigeradas de 373 litros, para armazenar a rotina do município e mais doses da vacina contra o coronavírus caso seja necessário", completou.

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