Dos 580 candidatos que disputam a preferência do eleitor capixaba nas urnas no próximo dia 4 de outubro, 56 declararam à Justiça Eleitoral guardar dinheiro em espécie.
Ao todo, os concorrentes nas Eleições 2026 que contam com dinheiro vivo, no jargão popular, somam R$ 11.836.007,34 nessa modalidade. As quantias guardadas pelos candidatos em papel-moeda vão de R$ 52,34 a R$ 2,4 milhões.
O levantamento foi feito por A Gazeta com base nos bens declarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral. As informações constam do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da última semana de agosto.
Três candidatos têm mais de R$ 1 milhão em espécie. O dono da maior fatia é o candidato a deputado estadual pelo Agir Dr. Jonhson, com R$ 2.484.000,00 declarados em espécie. A quantia, inclusive, corresponde à maior parte do patrimônio declarado pelo postulante à Justiça Eleitoral. No total, o candidato informou ter bens que chegam ao montante de R$ 3.848.067,53. Entre as posses, estão apartamentos em Vitória e Venda Nova do Imigrante, carros e participação em empresas.
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Daniel Santana, conhecido como Daniel do Açaí e candidato a deputado estadual pelo PP, informou à Justiça Eleitoral contar com R$ 1.169.767,28 em papel-moeda. Já Bruno Lourenço, do PRD, que é primeiro suplente do candidato ao Senado Callegari (DC), apontou ter R$ 1.163.484,38 em dinheiro vivo.
Na lista entre os postulates com maior quantia em espécie, aparece ainda o deputado federal Da Vitória (PP), candidato à reeleição, com R$ 950 mil declarados à Justiça Eleitoral.
Em seguida, vem o deputado estadual Dr. Bruno Resende (União), que busca agora vaga na Câmara dos Deputados e declarou ter R$ 700 mil em espécie. Amaro Neto (PP), que almeja a reeleição como deputado federal, informou R$ 600 mil em espécie.
Na outra ponta, está Bombeiro Oliveira, concorrente a deputado federal pelo Missão. O valor declarado como dinheiro em espécie é de R$ 52,34, o menor neste ranking. |
Em uma época que cada vez mais gente tem acesso ao sistema financeiro do Brasil e a inclusão e facilidades proporcionadas pelos bancos digitais, será que vale a pena manter grandes quantias em dinheiro vivo?
Professor de Finanças da Fucape, Leonardo Boa explica que manter uma pequena quantia em dinheiro vivo pode ter utilidade como reserva para situações de emergência, exemplo: falhas de sistemas, falta de energia ou pagamentos em locais com pouca aceitação de meios eletrônicos.
Por outro lado, ponderou que guardar valores elevados costuma ser financeiramente pouco eficiente: o dinheiro não rende, perde poder de compra com a inflação e fica exposto a riscos de furto, roubo, perda ou incêndio.
"Aplicações de alta liquidez e baixo risco normalmente preservam melhor o valor sem comprometer o acesso rápido ao recurso. Muita gente ainda guarda dinheiro em papel-moeda por hábito, fatores culturais e geracionais, maior sensação de controle sobre os gastos, desconhecimento sobre o sistema financeiro ou preferência por ter uma reserva imediatamente disponível", acrescentou.
Leonardo Boa destaca que a prática, por si só, não representa qualquer irregularidade. "A questão relevante é a compatibilidade do valor com a renda e o patrimônio declarados e a origem dos recursos", afirma.
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