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Palestrinha

Conselho do Ministério Público abre reclamação contra Deltan por palestra

Procurador cobrou R$ 33 mil para participar de evento de companhia mencionada em delação

Publicado em 03 de Agosto de 2019 às 16:48

Publicado em 

03 ago 2019 às 16:48
Conselho do Ministério Público abre reclamação contra Deltan por palestra Crédito: GISELE PIMENTA/FRAME/ESTADÃO

O corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Orlando Rochadel, abriu na sexta-feira (2) reclamação disciplinar para apurar a ocorrência de encontros reservados remunerados do coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, com empresários.

Baseado em mensagens e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados em conjunto com a Folha, que publicou reportagem sobre o caso no último dia 26, o corregedor decidiu instaurar o procedimento.

Segundo as mensagens, o procurador fez uma palestra remunerada no valor de R$ 33 mil para uma empresa que havia sido citada em um acordo de delação em caso de corrupção na própria força-tarefa da Lava Jato.

Além de participar do evento remunerado da companhia, em março de 2018, Deltan aproximou membros da Procuradoria e representantes da Neoway com o objetivo de viabilizar o uso de produtos dela em um trabalho da força-tarefa, da qual é coordenador em Curitiba.

De acordo com as mensagens, o procurador gravou um vídeo para a firma no qual enaltece a utilização de ferramentas tecnológicas em investigações, além de ter acionado um dos assessores do Ministério Público para avaliar seu desempenho na gravação.

Todos esses pontos serão analisados pela Corregedoria. O plenário do CNMP decidirá pela abertura ou não do processo disciplinar.

No momento, trata-se de uma apuração preliminar que serve para que o corregedor solicite informações e instrua o caso. A partir dessas informações, poderá arquivar o caso se não vir elementos ou apresentar ao conselho um voto pela abertura de processo disciplinar, se observar elementos de irregularidades.

Quatro meses após a palestra, em um chat, Deltan afirmou a outros procuradores que havia descoberto a citação à empresa na delação premiada do lobista do MDB Jorge Luz, que atuava em busca de vantagens em contratos da Petrobras e subsidiárias.

"Isso é um pepino pra mim. É uma brecha que pode ser usada para me atacar (e a LJ), porque dei palestra remunerada para a Neoway, que vende tecnologia para compliance e due diligence, jamais imaginando que poderia aparecer ou estaria em alguma delação sendo negociada", afirmou o procurador na conversa.

As mensagens são reproduzidas tal qual aparecem nos arquivos obtidos pelo Intercept, mantendo eventuais erros de digitação e normas da língua portuguesa.

A situação levou Deltan e outros procuradores que haviam mantido contato com a Neoway a deixarem as investigações relativas a Luz.

Procurado pela Folha na ocasião da reportagem, Deltan disse que, antes de dar palestra remunerada para a Neoway, não teve conhecimento de que a companhia já havia sido citada na Lava Jato.

"Não reconheço a autenticidade e a integridade dessas mensagens, mas o que posso afirmar, e é fato, é que eu participava de centenas de grupos de mensagens, assim como estou incluído em mais de mil processos da Lava Jato. Esse fato não me faz conhecer o teor de cada um desses processos."

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