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Publicado em 13 de novembro de 2025 às 18:32
A noite de diversão se tornou um problema para pelo menos 21 pessoas durante um show de pagode. Todas foram furtadas no evento Samba Brasil Espírito Santo, realizado no estacionamento de um shopping em Vila Velha, no último sábado (8). O grupo acabou se unindo para buscar uma solução já que, segundo as vítimas, não receberam apoio da organização e estão sendo alvo de golpes após terem os aparelhos levados.
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Todos relatam situações parecidas: telefones furtados na área de bebidas ou próximo ao banheiro. Poucas horas depois, mensagens e ligações começaram a chegar em tentativas de roubo dos dados pessoais. Para tentar recuperar ou pelo menos identificar os criminosos, eles se juntaram e criaram um grupo no WhatsApp. >
Nele, mais coincidências foram descobertas. A localização da maioria dos telefones apontava para Itaparica, na cidade-canela verde, ainda na manhã de domingo (9). Porém, já no final do fim de semana, o localizador mostrava a maioria dos aparelhos em Belo Horizonte, em Minas Gerais, um em Campo dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e outro em Cariacica.>
A reportagem conversou com quatro vítimas que não serão identificadas por questão de segurança. Uma técnica em segurança do trabalho, de 19 anos, estava com a irmã, que sofreu o furto. >
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“Pagamos R$ 280 reais para um evento e isso acontecer. Tentamos falar com a equipe de revista e não resolveu. Achamos que é uma quadrilha porque começamos a receber ligações informando que era a Apple e precisava da senha do telefone para dar como roubado. O DDD era 011 e 021 e ligam também daquele número que parecia internacional”, explicou a jovem. >
Segundo a técnica, outras vítimas também receberam telefonemas, inclusive, de pessoas se passando por funcionários da Delegacia de BH, onde aparece a localização de vários celulares furtados. >
A situação de golpe foi vivida também por uma arquiteta e um administrador, mas de formas diferentes. A responsável por projetos arquitetônicos foi furtada quando parou no balcão de bebidas. A ação não demorou cinco minutos e quando voltou, percebeu a bolsa aberta. Depois do crime, ela recebeu uma mensagem no WhatsApp. O recado era, segundo ela, identificado aos enviados pela marca do celular que tinha. >
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VítimaJá o administrador, que está com o celular no RJ, conforme o buscador, foi furtado enquanto seguia ao setor de bebida. No caminho acabou ficando sem o aparelho. O furto gerou mais problemas. Quem pegou, conseguiu acessar aplicativos de mensagens e pediu dinheiro para familiares e amigos. “Minha mãe enviou R$ 1000 reais, pois achou que era eu. Enviaram mensagens para amigas chamando elas de ‘gostosa’. Conseguiu usar meu cartão no Rio de Janeiro”, relatou a vítima. >
As vítimas frisaram sobre o descaso que sentiram por parte da organização. A técnica informou ter procurado o proprietário da Brava Entretenimento, responsável pelo show. "Ele nem deu atenção e disse que era para comprarmos um bolsa de segurança para colocar os pertences. A mulher dele ainda falou com seguranças para não deixar ninguém se aproximar mais", informou. >
Outra vítima foi uma bancária, roubada quando foi ao banheiro. Tudo aconteceu quando levou um esbarrão. Ela estava com a mãe, que precisou cancelar cartões e linhas de telefone da filha. Conversamos com a mãe que contou terem enviado mensagens pedindo auxílio, mas foram bloqueadas. >
“No domingo a gente entrou em contato com a Brava. Eles falaram que não se responsabilizam pelos telefones, só pela nossa integridade física. Falamos sobre a segurança que a gente não viu. Não tinha ninguém com nenhum tipo de identificação de segurança, tinha algumas pessoas com a camisa amarela, que eu acredito que devem ser freelancer. Lamentaram o ocorrido e que não era para gente seguir com falas negativas. Por fim, bloqueou a gente", detalhou a mulher.>
A reclamação é a mesa de outras vítimas: o administrador imobiliário disse que o retorno da Brava foi somente informando que são respaldados por decisão do Supremo Tribunal Judicial de não serem responsáveis por furtos em shows. Porém, a advogada dele informou que não seria verdade. "Eles ainda falaram 'Se fosse (responsável) não haveria mais shows no país. Imagina 20 furtos de iPhones de R$ 19 mil. Quebraria qualquer empresa", informou. >
O sentimento de insegurança aumentou, conforme as vítimas, após perceberem que não existiam seguranças e viaturas da Polícia Militar no entorno. Ao ligarem para a corporação militar, foram informados que não foi feito nenhum ofício (necessário para a presença da PM em eventos particulares) a eles. >
A Brava Entretenimento, que organizou o Samba Brasil, informou, em nota, que todas as medidas de segurança foram adotadas para garantir a proteção do público durante o evento. O trabalho foi realizado com efetivo completo, incluindo revista minuciosa na entrada. Após alguns casos relatados à produção, medidas foram tomadas pela equipe de segurança, que repetiu a revista também na saída.>
Nota da Brava Entretenimento
Mesmo com todos os esforços, infelizmente ocorrências pontuais de furtos foram registradas — uma realidade que, lamentavelmente, também afeta grandes festivais em todo o país. A organização manteve contato permanente com a polícia e colaborou com as investigações, sendo inclusive possível recuperar e devolver alguns aparelhos aos proprietários.
A empresa lamenta profundamente os fatos, reafirma seu comprometimento com o bem-estar e a experiência do público, e informa que irá reforçar ainda mais o plano de segurança nas próximas edições.
Em nota, a Polícia Civil informou que os casos seguem sob investigação do 7º Distrito Policial de Vila Velha que está trabalhando para que os suspeitos sejam identificados e responsabilizados. Sobre a prática de exigir quantia para devolver o aparelho, dependendo da forma que for realizada, pode se enquadrar no crime de extorsão mediante ameaça, ou receptação.>
"Porém, depende da investigação, que está em andamento. Não há detalhes que possam ser repassados, no momento", frisou. A corporação pediu ajuda com denúncias feitas diretamente no 7º Distrito Policial ou de forma anônima, através do Disque-Denúncia 181. O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.>
Já a Polícia Militar destacou que recebeu ofício referente à realização de um evento privado no estacionamento do Shopping Vila Velha, ocorrido no último sábado (8). Em razão disso, a Corporação intensificou o policiamento preventivo nas vias do entorno, com o emprego de viaturas, visando garantir a segurança na região, prevenindo e coibindo a prática de delitos e possíveis perturbações da ordem pública.>
"Lamentamos a ocorrência e estamos colaborando com as investigações que vêm sendo conduzidas pela Polícia Civil", informou a assessoria do Shopping VIla Velha.>
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