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Publicado em 26 de junho de 2025 às 11:32
O momento em que a adolescente de 16 anos foi atingida por uma bala perdida dentro da academia em que estava malhando foi flagrado por uma câmera de segurança. As imagens mostram o estabelecimento com os frequentadores fazendo atividade física e a moça andando com um colchonete, quando, de repente, ela cai no chão. O tiro pegou na canela da jovem. Ainda não se sabe exatamente de onde partiu o disparo, mas, segundo testemunhas, ele aconteceu no mesmo momento em que motoboys faziam um protesto na região de Rosa da Penha, em Cariacica, na quarta-feira (25). >
A repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta, foi até a academia e conversou com o treinador Éder da Silva. Ele revelou que todos começaram a ouvir o barulho do protesto do lado de fora. "Até então não nos preocupamos, até que, do nada, uma aluna nossa caiu. Ela foi atingida por um projétil de arma de fogo. Houve aquele alvoroço, pessoal deitou no chão para se proteger, correu lá para trás, e nós fomos prestar os primeiros socorros. Ela, a mãe dela e todo mundo ficou muito assustado", detalhou. >
A adolescente foi levada para o hospital e, segundo o treinador, precisou passar por cirurgia, mas está bem. "Dentro da academia, um local que não tem essas situações, acontecer isso do nada, a galera ficou bem apavorada. É muita tristeza, não sei nem o que falar em relação a sentimento porque era uma coisa que a gente não tinha nada a ver e acabou sendo vítima", desabafou Éder. >
O barulho que o treinador se referiu era de um protesto na frente de um prédio que fica a menos de 100 metros da academia. Para entender melhor essa história, é preciso voltar até o horário de almoço, quando um motoboy foi entregar uma marmita em uma casa e houve uma confusão: em um vídeo gravado por ele, o motociclista diz que a cliente não quis pagar; nas imagens, ele aparece discutindo com duas mulheres. No fim, um homem chega e diz que vai fazer o pagamento. >
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Horas depois, já durante a noite, um grupo de motoboys foi para a frente da casa fazer um protesto. Vídeos que circularam pelas redes sociais (veja acima) mostram eles buzinando e soltando fogos de artifício.>
Até o momento, ninguém sabe de onde partiu o disparo. No boletim de ocorrência da Polícia Militar, existe a informação de que duas cápsulas foram encontradas no local onde acontecia o protesto. Moradores da região disseram que não conseguiram diferenciar, em meio aos rojões, o barulho de tiro.>
"O policiamento estava todo aqui ontem investigando e eles estão vendo de onde veio. O policial estava falando que podia ter vindo do prédio, a gente não sabe de onde. Aqui é uma região tranquila, nunca aconteceu nada grave desse jeito", revelou uma moradora, em entrevista à TV Gazeta. Ela preferiu não se identificar. >
Em nota, a Polícia Civil disse que "o fato será investigado por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica e, até o momento, nenhum suspeito de cometer o crime foi detido. Para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será repassada".>
Sandra Moreira, que estava na casa alvo do protesto, conversou com a TV Gazeta. Ela disse que uma mulher que trabalha no local pediu a marmita, mas cancelou. Quando a refeição chegou, outra pessoa que estava no apartamento recebeu. >
"Minha filha abriu a marmita da menina e pegou um pedaço de carne. Estava paga, mas quando ela fez cancelamento, o aplicativo estornou o valor para ela, só que ela não sabia que a gente tinha recebido a marmita. O motoboy retornou nervoso querendo a marmita, eu falei que a menina que fez o pedido não estava aqui, e eu não podia devolver a marmita porque ela estava mexida. Pedi para ele mandar mensagem para ela mandar o dinheiro da marmita. Ele disse que não tinha como, então pedi para ele aguardar e desliguei o interfone", disse. >
A filha de Sandra desceu para fechar o portão, e os dois começaram a discutir. Em seguida, ela também desceu e a confusão continuou. Até que um amigo de Sandra passou e pagou pela marmita. A mulher declarou que, de noite, estava sozinha na casa quando o protesto começou. Ela negou que o tiro tenha partido de lá. >
"Se tivesse vindo do prédio ninguém ia atirar na academia, aqui embaixo tinha mais de 20 motoboys, teriam atirado nos motoboys. A polícia esteve aqui, eu liberei a entrada, eles revistaram a casa, olharam tudo, viram que não tinha ninguém, procuraram arma e não encontraram nada. Eu estava sozinha, somente eu e meus gatos", afirmou. >
A reportagem de A Gazeta ligou para o restaurante para tentar localizar o motoboy, para relatar a versão dele, mas eles disseram que não tinham informações. Este espaço segue aberto para manifestações.>
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