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Traficantes da alta cúpula do PCV são condenados a mais de 24 anos de prisão

Traficantes da alta cúpula do PCV são condenados a mais de 24 anos de prisão

Os cinco integrantes da fação atuante no ES foram condenados pelos crimes de associação para o tráfico, com aumento da pena pelo emprego de arma de fogo e prática de organização criminosa

Publicado em 6 de maio de 2025 às 16:26

Líderes do PCV em ordem: Carlos Alberto Furtado da Silva, João de Andrade, Geovani de Andrade Bento, Giovani Otacílio de Souza e Pablo Bernardes
Líderes do PCV em ordem: Carlos Alberto Furtado da Silva, João de Andrade, Geovani de Andrade Bento, Giovani Otacílio de Souza e Pablo Bernardes Crédito: Montagem A Gazeta

As cinco principais lideranças da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) foram condenadas a mais de 24 anos prisão, além de 1.166 dias multa (cada dia multa equivalente a 1/30 do salário mínimo vigente à época), pelos crimes de associação para o tráfico, com aumento da pena pelo emprego de arma de fogo, e prática de organização criminosa. Todos já estão presos em presídios federais.

Os condenados são:

  • Carlos Alberto Furtado da Silva, vulgo Beto;
  • João de Andrade, vulgo Joãozinho da 12;
  • Geovane de Andrade Bento, vulgo Vaninho;
  • Giovani Otacílio de Souza, o Paraíba;
  • Pablo Bernardes, vulgo Geleia.

Eles foram investigados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na Operação Armistício, realizada em 19 de julho de 2021, para investigar crimes praticados pelo PCV.

Na ocasião, eles foram transferidos para presídios federais, com aplicação de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Pagamentos

Os réus não poderão recorrer da sentença em liberdade, a pedido do Ministério Público, diante da gravidade dos crimes cometidos. Também foram condenados ao pagamento de R$ 50 mil como indenização mínima por danos morais difusos (por prejuízos causados a toda a sociedade), além da condenação ao pagamento das custas processuais.

Segundo o MPES, a indenização será destinada à entidade sem fins lucrativos voltada à saúde ou segurança pública.

Recurso

A Justiça julgou improcedente um dos pedidos apresentados pelo Ministério Público na denúncia e absolveu os réus do crime de tráfico de drogas, sob a alegação de ausência de prova material suficiente. O MPES disse que vai recorrer.

Outros réus denunciados pelo Ministério Público a partir da Operação Armistício também já foram condenados pela Justiça. Durante a operação, em julho de 2021, foram cumpridos 37 mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão em municípios da Grande Vitória, além de Aracruz e São Mateus.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra nove advogados, que faziam comunicação entre lideranças da facção presos em unidades prisionais do Espírito Santo com integrantes em liberdade e foragidos.

As investigações foram realizadas de abril de 2019 a março de 2020. Nesse período ocorreu a identificação dos integrantes do grupo e sua forma de atuação.

Sentença

Na sentença, é destacado a influência do PCV no Espírito Santo: “A prova carreada demonstra que o denominado Primeiro Comando de Vitória – PCV apresenta enorme potencial econômico e bélico, sendo certo que sua sede está no Bairro da Penha, nesta Capital, mas com conexões em toda a região metropolitana e em unidades prisionais deste Estado, com clara ligação com o Comando Vermelho – CV, sediado no Rio de Janeiro”, diz parte da sentença.

Em outro trecho, é citado uma “cartilha” apreendida nas investigações com instruções sobre as regras da facção e disponível para acesso e consulta da população em geral.

“Os elementos colhidos, nesta ação penal, são firmes ao indicar a existência de uma organização criminosa, com associados exercendo funções específicas e definidas em escala de prioridade e importância no esquema, como fogueteiros, olheiros, seguranças e responsáveis pelas vendas de drogas, sempre com a adoção de práticas de violência física e intimidação, impondo medo a população de um modo geral, fazendo valer as regras definidas pela organização”, consta no documento.

A sentença também especifica a função de cada condenado na organização. Veja o que consta em relação a cada réu:

Carlos Alberto Furtado, o Beto, líder do Primeiro Comando de Vitória (PCV)
Carlos Alberto Furtado, o Beto, líder do Primeiro Comando de Vitória (PCV) Crédito: Vitor Jubini | GZ

CARLOS ALBERTO FURTADO

“As provas demonstram que o réu Carlos Alberto, por meio de inúmeras visitas recebidas no sistema prisional, coordenava as mais importantes ações do grupo, sendo reverenciado como principal liderança pelos demais membros da organização”.

Pablo Bernardes, de 30 anos
Pablo Bernardes, de 30 anos Crédito: Polícia Civil

PABLO BERNARDES, O GELEIA

“Quanto ao réu Pablo Bernardes, importante destacar sua posição proeminente nesta organização criminosa, sendo suas ações de liderança especialmente ligadas ao bairro Jesus de Nazaré, além da prova carreada demonstrar sua capacidade de aquisição de drogas de pessoas 'de fora' da ORCRIM (organização criminosa), com posterior distribuição interna”.

João de Andrade,  “Joãozinho da 12” ou “Paizão”, PCV
João de Andrade, “Joãozinho da 12” ou “Paizão”, PCV Crédito: Sejus

JOÃO DE ANDRADE, O JOÃOZINHO DA 12

“Em relação ao réu João de Andrade, vale destacar os bilhetes a ele endereçados e capturados na nuvem de Geovani de Andrade, que registram agradecimentos a ataques que foram feitos a rivais nos bairros Conquista e Capixaba, além de menções ao lucro obtido com as ações de tráfico de drogas, denotando ações de abrangência interestadual".

Geovani Andrade Bento, o Vaninho
Geovani Andrade Bento, o Vaninho Crédito: Divulgação

GEOVANI DE ANDRADE BENTO, O VANINHO

“O réu Geovani de Andrade Bento tem forte atuação como liderança desta ORCRIM, agindo na coordenação da compra e venda de drogas, armas e munições e nos ataques armados aos grupos rivais, ocupando posição relevante no comando de todas as ações perpetradas".

Giovani Otacílio de Souza, “Paraíba” ou “Bob Esponja”, PCV
Giovani Otacílio de Souza, “Paraíba” ou “Bob Esponja” Crédito: Sejus

GIOVANI OTACILIO DE SOUZA, O PARAÍBA

“Giovani Otacílio de Souza, como demonstram os autos, exerce forte liderança na organização criminosa em análise, sendo suas ações de comando emanadas de dentro da unidade prisional, onde se encontra recolhido, com suas ordens encaminhadas por meio de visitantes que levavam as informações atualizadas relacionadas aos movimentos realizados pelo grupo criminoso".

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