A recusa em participar de uma partida de sinuca valendo dinheiro teria provocado o desentendimento que terminou com a morte de Diego Araujo de Oliveira, de 35 anos, no bairro Alecrim, em Vila Velha. Segundo a Polícia Civil, ele foi esfaqueado por Josselio Silva Santos, de 50 anos, que havia conhecido pouco antes em um bar. O investigado foi preso dois dias depois em um estabelecimento comercial na Serra.
O crime ocorreu na noite de 9 de agosto, mas os detalhes da investigação e da prisão foram divulgados pela Polícia Civil nesta quarta-feira (26), durante coletiva de imprensa. O caso foi investigado pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha.
De acordo com a delegada Suzana Garcia, adjunta da DHPP de Vila Velha, Diego e Josselio não se conheciam e nunca tinham se encontrado antes daquela noite. O investigado havia consumido bebida alcoólica durante uma confraternização familiar e, depois, seguiu para um bar na região conhecida como Pingo D’Água, onde costumava jogar sinuca com apostas.
No estabelecimento, Josselio teria insistido para que Diego participasse de uma partida valendo dinheiro. A vítima não aceitou e os dois se desentenderam. Conforme a investigação, não houve agressão física nem ameaça por parte de Diego naquele momento. “O dono do bar interveio, o apartou e orientou que o investigado fosse para casa, já que havia bebido o dia inteiro e estava na hora de descansar”, relatou Suzana.
A residência de Josselio ficava em um beco próximo ao estabelecimento. Cerca de dez minutos depois de ele deixar o bar, Diego também saiu e entrou no mesmo acesso, usado pelos moradores como caminho mais curto.
Segundo a delegada, imagens obtidas durante a investigação (veja acima) mostram a vítima entrando tranquilamente no beco e, cerca de 30 segundos depois, retornando ferida e pedindo ajuda. Diego caiu nas proximidades do bar e morreu antes de ser socorrido. “A motivação foi fútil, porque essa discussão sequer teve troca de ameaça. Foi intolerância mesmo”, afirmou a delegada.
A Polícia Civil informou que os elementos reunidos na investigação indicam que Diego foi surpreendido pelo agressor. Conforme Suzana, o exame cadavérico não identificou lesões de defesa, o que, segundo a polícia, reforça a hipótese de que a vítima não teve oportunidade de reagir.
Durante o interrogatório, Josselio afirmou ter agido em legítima defesa e alegou que Diego teria arrombado a porta da residência dele. A versão, no entanto, não foi confirmada pelos elementos reunidos na investigação.
Segundo Suzana, os vestígios foram encontrados do lado de fora do imóvel, no beco, e não havia sangue dentro da residência. As imagens e o intervalo de aproximadamente 30 segundos entre a entrada e a saída de Diego do beco também foram considerados pela polícia na reconstrução da dinâmica do crime.
A Polícia Civil apurou ainda que Josselio teria usado uma faca retirada da própria cozinha. Depois do crime, ele descartou a arma e fugiu para a Serra. A faca não foi localizada porque, segundo a corporação, o investigado não soube indicar o ponto exato onde a deixou.
As buscas começaram assim que a Polícia Civil tomou conhecimento do homicídio e, segundo a corporação, continuaram de forma ininterrupta. Na manhã de terça-feira (11), dois dias após o crime, Josselio foi encontrado em uma loja no bairro Parque Jacaraípe, na Serra. Ele conhecia o proprietário do estabelecimento, para quem já havia prestado serviços como eletricista autônomo.
A polícia não encontrou elementos que indicassem que o dono da loja sabia que o homem era procurado. Josselio foi autuado em flagrante, apesar de o crime ter ocorrido dois dias antes. “Às vezes tem um mito popular daquele prazo de 24h, mas a lei não fixa prazo. O que importou nesse caso foi a ininterrupção da perseguição através de diligências”, esclareceu Suzana.
O flagrante foi homologado pela Justiça e a prisão de Josselio foi convertida em preventiva.