"Vou levar para a vida toda. Ele me traumatizou". Esse foi o desabafo da adolescente de 17 anos que afirmou ter sido vítima de violência sexual durante consulta médica em uma Unidade de Saúde da Família (USF), em Vila Velha, na Grande Vitória. O médico suspeito foi preso em flagrante.
A vítima explicou que só percebeu ter sido vítima de um crime quando relatou o caso às amigas. Abalada pela situação, ela chorou ao relatar o que viveu e afirmou que não compareceu à escola na sexta-feira (25), ainda traumatizada.
"Estou com muita raiva, dói muito. Hoje (sexta-feira), não consegui fazer ou falar nada. Só agora consegui falar sobre isso. Só quero ficar na cama, em silêncio. Quero desaparecer do mundo. Não estou acreditando que isso aconteceu comigo, mas é uma coisa que vou levar para a vida toda", lamentou.
A estudante adolescente foi sozinha à unidade de saúde na manhã de quinta (24) para realizar o exame de aptidão física, marcado pela escola e relacionado ao programa Jogos na Rede, da Secretaria de Estado da Educação (Sedu).
Segundo a adolescente, o médico Augusto Henrique dos Santos Moraes, 63 anos, pediu que ela deitasse na maca e usou um estetoscópio para ouvir os batimentos cardíacos da paciente.
Ela seguiu para a escola logo depois e, por volta das 12h, conversou com outras colegas que também foram examinadas pelo médico.
No entanto, o profissional colocou as mãos e o instrumento por dentro da blusa da adolescente e tocou nos seios dela durante o procedimento. "Não sabia como seria o exame, não sabia o que esperar, e na hora fiquei sem reação. Foi muito rápido", contou.
Minhas amigas disseram que ele 'deu em cima' delas, mas eu vi que comigo foi diferente. Ele passou a mão em mim. Contei e elas falaram que estava errado, que isso era assédio e que ele não precisava colocar a mão por dentro da minha blusa. Foi aí que minha ficha caiu.
Adolescente de 17 anos
Após perceber que foi vítima de um crime, a menina mandou uma mensagem para a mãe e relatou o caso a uma professora. A profissional comunicou a diretora da escola e as duas também comunicaram a responsável pela menor. A Guarda Municipal e a Polícia Civil foram acionadas.
O médico, de 63 anos, foi conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha, onde foi autuado em flagrante por violação sexual mediante fraude e encaminhado ao presídio.
A advogada do médico Augusto Henrique, que também é esposa dele, preferiu não comentar o caso.
Procurada pelo g1, a Secretaria de Justiça do Espírito Santo (Sejus) afirmou que o médico não possui registros anteriores de passagens pelo sistema prisional.
Os nomes da escola e do bairro onde fica a unidade de ensino não estão sendo divulgados para preservar a identidade das menores de idade, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).
Em nota, a Secretaria de Saúde de Vila Velha informou que, ao tomar conhecimento do episódio, a coordenadora da unidade de saúde acionou o botão do pânico e a Guarda Municipal de Vila Velha foi chamada.
Além disso, a pasta frisou que comunicou o caso ao programa Mais Médicos, do governo federal, do qual o profissional faz parte, e suspendeu preventivamente as agendas do médico na rede municipal. "A secretaria aguarda agora a conclusão da investigação policial."
Em uma primeira resposta, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) não informou que a escola havia auxiliado no agendamento dos exames, apenas que a participação nos "Jogos na Rede" dependia de autorização dos responsáveis e da apresentação de laudo médico.
"Dessa forma, as famílias recebem previamente as orientações sobre os procedimentos e requisitos necessários para a participação dos estudantes na competição. No caso em questão, o exame de aptidão física foi realizado fora do horário de aula. Ao tomar conhecimento da situação relatada, a unidade escolar adotou as providências cabíveis e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários", informou a Sedu.
Com informações do g1 ES.