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Virgínia Altoé Sessa

Artigo de Opinião

É médica oncologista do Hospital Santa Rita
Virgínia Altoé Sessa

Para além do diagnóstico, existe uma mulher

Ao longo dos anos acompanhando mulheres com tumores ginecológicos, aprendi que cada uma encontra sua própria maneira de atravessar esse caminho
Virgínia Altoé Sessa
É médica oncologista do Hospital Santa Rita

Publicado em 26 de Setembro de 2026 às 10:00

Publicado em 

26 set 2026 às 10:00
Muitas mulheres que chegam ao consultório com medo. Algumas trazem um diagnóstico recém-recebido, outras chegam depois de meses de investigação, tentando entender o que está acontecendo com o próprio corpo. Há aquelas que já passaram pelo tratamento e vivem o desafio de reconstruir a rotina, os planos e a confiança no futuro.

É por conhecer tantas histórias que vejo a campanha Setembro em Flor como muito mais do que um movimento de conscientização. É um convite para que as mulheres olhem para a própria saúde com mais atenção.

A campanha chama a atenção para os tumores ginecológicos que atingem o colo do útero, o endométrio, os ovários, a vagina e a vulva. São doenças diferentes, com características, fatores de risco e formas de tratamento próprias. Mas existe algo que todas elas nos ensinam: conhecer o próprio corpo e não ignorar mudanças persistentes pode fazer diferença.

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Na prática do consultório, muitas vezes percebo que a mulher demora a procurar ajuda porque acredita que determinado sintoma é normal, que vai passar ou que está relacionado apenas à idade. Sangramentos fora do período habitual, especialmente após a menopausa, dor pélvica persistente, alterações urinárias ou intestinais, aumento do volume abdominal e mudanças na região genital merecem avaliação médica. Nem todo sintoma significa câncer, mas todo sintoma persistente merece ser investigado.

Quando falamos em prevenção, precisamos falar principalmente sobre aquilo que está ao nosso alcance. A vacinação contra o HPV é uma das principais ferramentas para reduzir o risco de câncer do colo do útero e de alguns outros tumores relacionados ao vírus. O acompanhamento ginecológico e os exames indicados para cada fase da vida também fazem parte desse autocuidado.

E existe uma dimensão do cuidado que nem sempre aparece nas campanhas: a emocional. Receber um diagnóstico de câncer é muito mais do que lidar com uma doença. É reorganizar expectativas, enfrentar inseguranças e, muitas vezes, adaptar a vida a uma nova realidade. Por isso, cuidar de uma paciente também significa escutá-la, respeitar seu tempo e compreender que, por trás de cada diagnóstico, existe uma história única.
Com acompanhamento ginecológico desde cedo, as meninas podem se sentir mais seguras em relação à sua saúde íntima (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
Tratamento ginecológico
Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock
Ao longo dos anos acompanhando mulheres com tumores ginecológicos, aprendi que cada uma encontra sua própria maneira de atravessar esse caminho. Algumas precisam de informação; outras, de tempo. Há aquelas que desejam saber todos os detalhes do tratamento, enquanto outras preferem avançar um passo de cada vez. Não existe uma forma única de viver esse processo.

O Setembro em Flor nos lembra que cuidar da saúde feminina não deve ser uma tarefa de um único mês, mas precisa fazer parte da vida. Que setembro ainda seja, então, uma oportunidade para falar mais sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, e sobre acolhimento.

Porque cuidar de si não é exagero, não é egoísmo e não precisa esperar aparecer um problema. É uma forma de reconhecer o próprio corpo, respeitar seus sinais e entender que pedir ajuda é, entre outras coisas, uma demonstração de coragem.

Que cada mulher possa florescer com informação, cuidado e acesso à saúde. E que nenhuma delas precise enfrentar um diagnóstico sozinha.
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