Correção
Inicialmente foi divulgado que a empresa havia tido as atividades encerradas. Contudo, um representante da companhia explicou que somente um serviço foi alvo da ação da polícia Federal e os demais permanecem em operação. Título e texto foram corrigidos.
A Polícia Federal encerrou as atividades de segurança privada de uma empresa de portaria virtual que atuava em Vitória após investigações apontarem ligação de funcionários com o sequestro, espancamento e morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, de 35 anos, que vivia em situação de rua na região da Praia do Suá. Quatro vigilantes estão presos por participação no crime, enquanto outros três seguem foragidos.
A ação faz parte da Operação Segurança em Pauta III e foi realizada pela Delegacia de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal. O encerramento das atividades ocorreu na quinta-feira (15).
Segundo a PF, a fiscalização foi motivada pelas informações divulgadas sobre o caso de Marcos Vinícius, morto após ser sequestrado e agredido. Durante as apurações, realizadas com apoio da Polícia Civil, foi constatado que os envolvidos no crime estavam vinculados à empresa, que não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada.
De acordo com a corporação, os funcionários realizavam rondas noturnas uniformizados e utilizavam tonfas, armas brancas e até simulacros de arma de fogo.
Diante das irregularidades, foi lavrado um auto de encerramento da atividade de segurança privada clandestina.
A Polícia Federal informou ainda que tem intensificado o combate a empresas clandestinas de segurança privada no Espírito Santo. Somente neste ano, 25 empresas irregulares tiveram as atividades encerradas no Estado.
Segundo a corporação, a contratação desse tipo de serviço representa risco à integridade física das pessoas e ao patrimônio dos contratantes, já que os vigilantes clandestinos não passam pelo controle da Polícia Federal sobre antecedentes criminais, formação e aptidão física e psicológica.
Em contato com a reportagem da TV Gazeta, um representante da Tattica Tecnologia e Segurança, situada na Praia do Suá, salientou que apenas um dos serviços oferecidos foi encerrado na ação da PF e que a corporação foi surpreendida pela ação dos funcionários investigados, que foram afastados.
"No dia 22 ou 23 de abril, quando cheguei no escritório, a polícia estava toda aqui e não sabia do que se tratava. O delegado educadamente me atendeu, pediu uma sala reservada e me colocou sobre toda a situação, já em investigação. Fiquei sem palavras e reação, pois não é a orientação que damos, pois a gente repudia isso totalmente. Infelizente aconteceu conosco. Ao todo, foram oito funcionários envolvidos, sendo que dois ficaram presos no mesmo momento e os demais foram afastados das funções", explicou o representante, que não quis se identificar.
Vídeo mostra ação dos suspeitos
Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), Marcos Vinícius Lopes Rodrigues foi sequestrado no bairro Praia do Suá, em Vitória, e morto em uma plantação de eucalipto na Serra. Um vídeo mostra o momento em que a vítima é abordada pelos suspeitos (veja acima). O corpo foi encontrado pela Polícia Civil no dia 20 de abril.
Até o momento, quatro vigilantes foram presas suspeitos de participação no crime. Dois deles em abril deste ano e mais dois na última quarta-feira (14). Outros três investigados seguem foragidos.
Checagem
A Polícia Federal explicou que a checagem sobre a legitimidade da empresa de segurança privada poderá ser realizada através do site www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/seguranca-privada/consultas-de-empresas-declaracoes ou através do email [email protected], canal que também serve para envio de denúncias dessa área.