Para a celebração de Corpus Christi em Castelo, marcada para o próximo dia 4 de junho, oficinas já ensinam as técnicas utilizadas na montagem dos tradicionais quadros e passadeiras que vão colorir as ruas da cidade durante a festa religiosa. A celebração está entre as 10 maiores manifestações religiosas do país.
Entre moldes, desenhos e pigmentos coloridos, voluntários se reúnem meses antes para aprender as técnicas que dão vida aos tapetes confeccionados para a celebração. Mais do que ensinar arte, o objetivo é garantir que a tradição continue viva nas próximas gerações.
“Eu já sou a segunda geração do Corpus Christi, e a ideia é criar uma terceira, uma quarta geração, para que nunca morra. Porque, se tirar o Corpus Christi de Castelo, você está tirando a identidade da cidade”, afirma Luciano Travaglia, presidente do Instituto Cultural Irmã Vicenza.
Técnica e paciência
Durante as oficinas, os participantes aprendem desde a preparação dos materiais até a aplicação das cores nos desenhos. Morador da cidade, o universitário Vitor Zardo participa da oficina pela primeira vez. Segundo ele, a curiosidade sobre o processo motivou a inscrição.
“Desde pequeno a gente vê as pessoas fazendo a arte, mas não sabe como tudo é feito. Aqui conseguimos acompanhar o processo inteiro, desde a fabricação dos pigmentos até a aplicação nos quadros”, conta.
O artesão Thainan Vettorazzi destaca que a maior dificuldade dos iniciantes está no cuidado com os detalhes. “A maior dificuldade é controlar a ansiedade de querer fazer o desenho logo e ter paciência para cuidar de cada detalhe sem perder o traço embaixo do pó”, explica.
Tradição
A tradição do Corpus Christi em Castelo começou em 1963 e, desde então, reúne fé, arte e trabalho coletivo. Neste ano, serão confeccionados 17 quadros e 17 passadeiras, que vão retratar desde a criação até o sacrifício de Jesus Cristo.
A festa atrai visitantes de diferentes cidades do Espírito Santo e também de outros estados. Mesmo diante do trabalho intenso, os voluntários dizem que a dedicação é uma forma de devoção. “É um detalhe que a gente faz e oferece para o Senhor”, resume Clarine Zandonade, participante da celebração.
*Com informações da repórter Mariana Couto, da TV Gazeta Sul.
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