Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Morta pelo marido

O relato de quem viu uma criança narrar o assassinato da mãe no ES

Genaína Gomes, de 34 anos, foi morta a facadas na frente dos filhos, em Cariacica. O principal suspeito é o marido

Publicado em 05 de Dezembro de 2019 às 13:31

Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 dez 2019 às 13:31
Ângela Maria Gomes dos Santos mostra a foto da filha, Genaína Gomes, que foi morta pelo marido Crédito: Rodrigo Gavini
Quando entrei pelo portão de madeira, simples, que dá acesso à casa da mãe da Genaína Gomes, a primeira pessoa que eu vi foi uma menina linda, vestida de branco e de cabeça baixa. Pedi licença e perguntei se aquela era a residência dos familiares da Genaína. "É sim, moço. Pode entrar. Foi minha mãe que morreu', respondeu a criança, com a aparência de quem tinha chorado por horas, antes de correr para dentro de casa e sentar no sofá da sala.
Aquela cena já me deixou sem reação. Sabia que a menina, que depois descobri ter 8 anos, viu o pai matar a mãe a facadas dentro de casa, no bairro Rio Branco, em Cariacica. Era mais uma criança do Espírito Santo que cresceu convivendo com as agressões contra a mãe e que ficou frente a frente com o último ato de violência que uma mulher pode sofrer: o feminicídio. Outros três irmãos da menina também presenciaram o crime.
Entrei na varanda da casa da família. A mãe de Genaína e avó da criança, Ângela Maria Gomes dos Santos, já me aguardava para a entrevista, combinada previamente pelo telefone. Após conversar com a família e prestar condolências pelas dores irreparáveis que eles sentem, pedi que Ângela se sentasse em uma cadeira na varanda para começar a gravação.
Aquela menina que me recebeu na portão de madeira veio em direção à Ângela e ficou acariciando o rosto dela. Tão pequena e já tirando forças não sei da onde para tentar consolar a avó. Precisei interromper aquela cena de carinho porque, claro, não podemos expor a identidade da criança. A menina voltou para a sala, mas ficou acompanhando atentamente a conversa. Não queria sair dali. Confesso que, durante a entrevista, meu olhar fugiu algumas vezes para dentro da sala, no sofá onde estava aquela menina.
Ângela começou a contar o que sabia do crime. Ela mora ao lado da casa onde a filha vivia. Ângela ouviu os gritos de desespero das crianças, mas não viu o que aconteceu. As crianças viram.
"Ele estava em casa e ela pediu pra ele sair. Ele foi e matou ela", disse Ângela, sem conseguir explicar direito o ocorrido porque não parava de chorar.
Alguém, de dentro da casa, corrigiu a mãe de Genaína: "Ele estava fora, pulou o portão e eles começaram a brigar. Ele foi na cozinha, pegou uma faca e bateu com a faca no pescoço dela". A voz era daquela mesma menina que me recebeu no portão de madeira. A voz era de mais uma criança vítima da cultura machista de uma sociedade que insiste em não respeitar o direito à vida e liberdade das mulheres. A impressão que eu tenho é que aquela voz, de uma menina marcada pela violência, nunca mais vai sair da minha cabeça.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Presidente do STF pede retirada de sigilo do caso Master
O prefeito Kleilson Rezende e o ex-prefeito Bruno Araújo são escoltados pela Políca Federal durante exame de corpo de delito
STJ manda soltar prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário, presos desde maio
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Lula diz que Fachin colocou 'um pouco de ordem na casa', mas que espera mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados