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Mulher sofre queimadura de 3° grau nas pernas durante parto em Colatina

Mulher sofre queimadura de 3º grau nas pernas durante parto em Colatina

Caso ocorreu no dia 23 de maio. Família disse à polícia que bebê nasceu bem, mas a mãe teve de ser transferida para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra

Publicado em 2 de junho de 2025 às 18:05

 - Atualizado há 9 meses

Vista aérea do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina
Vista aérea do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina, onde foi realizado o parto Crédito: Santa de Misericórdia de Colatina

Uma jovem de 18 anos viveu momentos de tensão durante o parto no Hospital Santa Casa de Misericórdia em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. A gestante precisou fazer uma cesárea e, durante o procedimento cirúrgico, sofreu queimaduras por fogo na parte interna das pernas. O fato ocorreu no último dia 23, e foi presenciado pelo companheiro da vítima. A direção da unidade hospitalar acredita que as chamas possam ter sido causadas pela fagulha de um bisturi elétrico em contato com produto antisséptico utilizado na paciente.

A mãe da vítima registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, relatando que a filha deu entrada na Santa Casa por volta de 8h em trabalho de parto, e, pouco antes de meio-dia, começou a cesariana. O companheiro da gestante estava na sala e testemunhou quando, no momento em que o médico realizou o corte para fazer a cesariana, chamas atingiram a parte de dentro das pernas da jovem, "causando queimaduras de terceiro grau”, conforme descrito no registro da ocorrência.

Ainda segundo o relato da mãe da jovem na ocorrência, após conter o fogo, a equipe médica deu prosseguimento ao parto. Ela informou no boletim que a criança nasceu bem, mas que a jovem precisou ser transferida dois dias depois, em 25 de maio, para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, para tratar as queimaduras sofridas durante a cesárea.

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Mulher sofre queimadura de terceiro grau nas pernas durante parto em Colatina

Consta ainda na ocorrência que a família da vítima chegou a ir até a Delegacia de Colatina para formalizar o registro do fato, mas teria sido orientada pelos policiais de plantão a se dirigir à Delegacia de Baixo Guandu, onde posteriormente foi registrado o boletim. 

A mãe da jovem contou à reportagem, na tarde desta segunda-feira (2), que a filha ainda seguia internada no hospital da Grande Vitória.

O diretor técnico da Santa Casa de Misericórdia de Colatina, Halis Pimentel, relatou para A Gazeta que foi utilizada clorexidina na paciente e uma fagulha do bisturi elétrico pode ter provocado o fogo.

"Nós estamos tentando avaliar isso, se foi isso mesmo. Clorexidina é uma substância usada no Brasil todo, só que ela é alcoólica. Na hora da cesariana, o bisturi elétrico pode ter feito uma fagulha e provavelmente causou esse fogo que provocou a queimadura na paciente. É um evento raro, mas que pode acontecer com clorexidina. Nós estamos avaliando se tudo foi feito dentro dos protocolos".

O que é clorexidina?

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a solução com clorexidina "é uma solução tópica, contendo gliconato de clorexidina, e é usada como produto antisséptico. O produto é, amplamente, utilizado em estabelecimentos de saúde em procedimentos para limpar e preparar a pele antes de procedimentos invasivos (como cirurgias, inserção de cateteres)", informou.

O Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina enviou uma nota, informando que está apurando o caso, classificado como “episódio atípico e inesperado”. Conforme a unidade, a apuração ocorre com “rigor técnico, não havendo, até o momento, qualquer indício de negligência, omissão ou imprudência por parte da equipe médica envolvida”.

O hospital acrescentou que “está prestando toda a assistência necessária à paciente, incluindo a transferência para um hospital de referência na cidade de Serra, a fim de garantir atendimento especializado e integral, além do suporte à família, com custeio de despesas de hospedagem, alimentação e transporte do companheiro da paciente, para que ele possa acompanhá-la durante o tratamento”. Leia a nota na íntegra abaixo:

Na íntegra | Nota da Santa Casa de Misericórdia de Colatina

Em relação ao evento ocorrido, a Administração do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina informa que, está apurando cuidadosamente os fatos relacionados à intercorrência durante o procedimento cirúrgico realizado na paciente. Trata-se de um episódio atípico e inesperado, que está sendo analisado com o devido rigor técnico, não havendo, até o momento, qualquer indício de negligência, omissão ou imprudência por parte da equipe médica envolvida.

A instituição ressalta que está prestando toda a assistência necessária à paciente, incluindo sua transferência para um hospital de referência na cidade de Serra, a fim de garantir atendimento especializado e integral, além do suporte à família, com custeio de despesas de hospedagem, alimentação e transporte do companheiro da paciente, para que ele possa acompanhá-la durante o tratamento. 

O Hospital Santa Casa de Colatina reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o cuidado humanizado, desejando uma rápida e plena recuperação da paciente, para que, em breve, ela possa estar junto de seus familiares. 

Colatina, 30 de maio de 2025. 

Administração do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina

O que diz a Polícia Civil

A reportagem procurou a Polícia Civil para saber sobre os procedimentos adotados em relação ao ocorrido. A corporação disse que o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (Dipo) de Colatina.

Segundo a Polícia Civil, foi instaurado um Inquérito Policial para apuração dos fatos, inicialmente tratados como suposta lesão corporal de natureza culposa. Paralelamente, foi instaurada apuração administrativa/disciplinar para verificar eventual irregularidade na conduta de policiais que, segundo alegado, teriam orientado a comunicante a procurar a Delegacia de Polícia de Baixo Guandu, município onde ela reside.

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