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"Minha filha foi torturada até a morte", diz pai de médica morta em hotel de Colatina

O médico-cirurgião Samir El-Aouar, ex-prefeito de Teófilo Otoni, afirmou que havia  histórico de agressões do marido e acredita que ele tenha planejado a morte da filha

Publicado em 03 de Setembro de 2023 às 18:08

Vitor Recla

Publicado em 

03 set 2023 às 18:08
Samir Sagi El-Aouar, pai da médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, em entrevista ao repórter Jerry Santos, da InterTV, afiliada da Rede Globo em Teófilo Otoni (MG), afirmou que a filha foi torturada durante toda a noite até a morte. 
"O que aconteceu com ela foi tortura a noite toda. Houve traumatismo cranioencefálico em dois locais da cabeça. Ele machucou o estômago, a traqueia e o esôfago dela. Minha filha foi torturada até a morte"
Samir El-Aouar - Médico-cirurgiao e pai da vítima
No atestado emitido no último sábado (2) pelo Departamento Médico Legal de Colatina, ao qual a reportagem de A Gazeta teve acesso, as causas da morte apontadas são:
  • Hipoxemia (baixa concentração de oxigênio no sangue);
  • Asfixia mecânica;
  • Broncoaspiração (entrada de substâncias estranhas, tais como alimentos e saliva, na via respiratória);
  • Traumatismo cranioencefálico (lesão física ao tecido cerebral que, temporária ou permanentemente, incapacita a função cerebral).
O médico relatou que a família está arrasada com a morte da filha, de 39 anos. "Uma médica, psiquiatra, com o futuro todo pela frente, uma filha maravilhosa, um amor de pessoa, de repente é submetida a uma tortura. Mais um feminicídio neste país que eu espero que não vá ficar impune", lamentou.

Histórico de agressões no relacionamento

O pai de Juliana afirmou que a família tinha conhecimento de agressões recentes do marido contra a esposa e acredita que o crime tenha sido planejado pelo ex-prefeito.
"Ele já vinha batendo nela algumas vezes e dizia que ela caía dentro de casa. Todo dia um olho roxo, uma cicatriz de sete centímetros na região frontal. Tudo isso acontecendo e ela querendo sair do casamento. Ele a ameaçava quando ela dizia que queria sair do casamento, pois ele não aceitava a separação. Ele programou o que ele fez"
Samir El-Aouar - Pai da vítima
Entrevista
Samir El-Aouar, médico cirurgião, pai de Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, morta em hotel de Colatina Crédito: InterTV Minas
Segundo o boletim de ocorrência, o marido contou para os policiais que a esposa passou por um procedimento cirúrgico em um hospital de Colatina, e que ela estava bem. Ao acordar pela manhã, percebeu que Juliana já estava sem vida. Mas o pai da vítima desmentiu a informação.
"Nenhuma cirurgia foi feita. Nada. Nenhuma consulta. Ele se aproveitou, achando que o que foi feito, um bloqueio pequeno que se faz nas costas, como se fosse uma pequena injeção, justificaria o óbito dela, quebrando a cabeça dela. Isso justifica que, após uma consulta, isso tudo aconteceu?"
Samir El-Aouar - Pai da vítima
Na entrevista, concedida na Capela do Vale das Flores em Teófilo Otoni, onde a médica estava sendo velada, o médico agradeceu à polícia do Espírito Santo e afirmou acreditar na Justiça.
"Eu espero que daqui pra frente, seja feita justiça principalmente, mantê-lo preso até o final dos fatos"
Samir El-Aouar - Pai da vítima

Histórico do caso

No sábado (2), a Polícia Militar havia informado, em nota, que uma equipe foi acionada para verificar a informação de que teria acontecido um homicídio nas dependências de um hotel de Colatina. Quando os policiais chegaram ao local, o gerente do estabelecimento disse aos militares que havia uma hóspede em um quarto com o marido e, em outro quarto, estava o motorista do casal.
Ainda em relato aos policiais, o gerente do hotel disse que, durante a madrugada, outros hóspedes reclamaram de barulho e bagunça no quarto do casal. Já pela manhã, o marido da mulher compareceu à recepção do estabelecimento, bastante alterado, querendo pagar a conta, alegando que a esposa estava passando mal e teria desmaiado. Nesse momento, foi feito contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou o óbito no local.
Conforme consta no boletim de ocorrência da PM, um agente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Colatina compareceu ao local do fato para realizar as diligências. Ao questionar o ex-prefeito sobre o que teria acontecido dentro do quarto, o homem relatou que a esposa teria passado por um procedimento cirúrgico em um hospital particular da cidade na última sexta-feira (1º), e que, após isso, os dois teriam ido a uma churrascaria. Segundo ele, a mulher estava feliz e ambos foram dormir às 20h.
O homem ainda relatou que, ao acordar por volta de 8 horas de sábado, encontrou a esposa desmaiada na cama, possivelmente já morta, e foi orientado pelo Samu a colocá-la no chão do quarto para tentar reanimá-la.
Em contrapartida, segundo o boletim de ocorrência da PM, o motorista do casal relatou ao agente da DHPP que foi chamado pelo marido da vítima para ir ao quarto onde os dois estavam hospedados, pois a esposa havia caído no banheiro e precisava de ajuda.
Como ambos apresentaram informações diferentes do cenário encontrado pela perícia, foram encaminhados à Delegacia Regional do município. Fuvio se tornou suspeito de ter participado do crime, tendo sido autuado por homicídio qualificado por motivo torpe, sem que a vítima tivesse direito à defesa e por ela ser mulher.
Segundo o boletim de ocorrência, no quarto onde o casal estava hospedado havia garrafas de cerveja e sangue nas roupas de cama. A vítima foi encontrada machucada.
O motorista do casal, Robson Gonçalves dos Santos, de 52 anos, que estava hospedado no quarto ao lado, também foi autuado em flagrante pelas mesmas razões. Ele e o marido da vítima foram encaminhados ao sistema prisional capixaba. O caso seguirá sob investigação. A audiência de custódia está prevista para a manhã desta segunda (4).
Na tarde desta terça-feira (5), o Ibis Colatina, hotel onde o casal estava hospedado, lamentou, em nota, o ocorrido. O local também ressaltou que está colaborando integralmente com as autoridades para esclarecer os fatos e que está fornecendo todo o suporte necessário às investigações em curso.

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