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Muito debilitada

Menina abandonada em casa pela mãe no carnaval segue internada

A criança foi levada ao hospital muito debilitada após ser localizada por uma vizinha, em Cidade da Barra, Vila Velha, na última quarta-feira (26). Após receber alta, ela será recolhida pelo Conselho. Já a mãe, foi para o presídio

Publicado em 27 de Fevereiro de 2020 às 13:27

Redação de A Gazeta

Publicado em 

27 fev 2020 às 13:27
Fachada do Hospital Infantil de Vitória Crédito: Sesa/Reprodução
A menina de um 1 ano e 7 meses, encontrada por vizinhos após ser abandonada em casa pela mãe, de 20 anos, permanece internada. De acordo com o Conselho Tutelar, a criança foi levada ao hospital muito debilitada depois de ser localizada por uma vizinha, em Cidade da Barra, Vila Velha na última quarta-feira (26).  Após receber alta, ela será recolhida pelo Conselho.  Já a mãe, foi para o presídio. 
A mãe da menina, que sumiu durante os quatro dias de Carnaval, foi encaminhada à Delegacia Regional de Vila Velha nesta quarta-feira (26). De acordo com a conselheira Alessandra Santana, que atende a Região 5 de Vila Velha, a criança ainda não tem previsão de alta. Ela foi internada no Hospital Infantil do município. 
"Ainda não recebemos o estado de saúde dela nesta quinta (27). Mas a menina chegou ao hospital bem debilitada, com quadro de desnutrição, segundo relatório médico. Ela já é uma criança acamada e ficou quatro dias sem alimentação, água e cuidados.  Foram os próprios vizinhos que chamaram a polícia porque a mãe deixou uma bolsa na casa vizinha com um bilhete e a chave da casa", lembrou.
A mãe foi localizada por policiais militares e disse que saiu de casa para procurar uma residência para se mudar. Mas testemunhas disseram aos PMs terem visto a mulher no carnaval da Barra do Jucu.  
Segundo a Polícia Civil, a jovem foi autuada em flagrante por abandono de incapaz e por expor a perigo de vida e saúde, privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis. A autuação foi agravada pelo fato da acusada ser mãe da vítima, tornando o crime inafiançável. Ela foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.

HISTÓRICO DE MAUS TRATOS

Essa não foi a primeira vez que o Conselho Tutelar recebeu notícias de que a criança poderia estar sofrendo maus tratos. Porém, até então, não tinha sido possível provar a negligência. 
"Essa jovem já era acompanhada pelo Conselho porque já houve suspeita de maus tratos há cerca de dez meses Porém, não conseguimos comprovar. Tentamos provas em janeiro deste ano e não conseguimos de novo. A mãe sempre foi orientada, mas creio que não cumpriu com as orientações, já que a situação chegou nesse extremo. Isso nos chocou muito,  porque a gente não acostuma com essa violência. Estamos tristes pela menina, mas ao mesmo tempo aliviados porque agora conseguimos provas e podemos cuidar da criança", afirmou. 

FAMÍLIA É PROCURADA E CRIANÇA SERÁ ACOLHIDA

Agora, a conselheira tutelar está atrás de familiares da criança. Ela contou que toda documentação está sendo preparada para ser encaminhada à Vara da Infância e da Juventude ainda nesta quinta-feira (27). O  pedido será para que a menina seja acolhida pela justiça e saia da responsabilidade da mãe.
"O pai da menina mora no mesmo bairro, mas é muito ausente. Estamos tentando contato coma  família, com a vó materna, mas ainda não localizamos ninguém. Nossa decisão, pelos relatórios de atendimento, é de acolhimento até que  o caso seja investigado. Pois se a família não cuidou dessa criança até hoje, será necessário que ela seja trabalhada para ter condições de tê-la de volta. Agora é o judiciário que decide.", explicou.

CONSELHO PEDE DENÚNCIAS

A conselheira fez um alerta: É preciso denunciar na primeira suspeita de maus tratos contra crianças para evitar que os casos cheguem ao extremo. Só assim o Conselho Tutelar pode ajudar as vítimas. 
"Precisamos que as pessoas denunciem. A violência contra crianças é uma rotina diária. Mas não adianta denunciar apenas após casos extremos que podem levar a morte. Precisamos de denúncias verdadeiras para que a situação não chegue ao extremo.  Quem não quiser vir ao Conselho, pode ligar de forma anônima para o 181, ou 100. Muitos deixam de denunciar pensando que será pior para a criança ir para um abrigo. Mas o acolhimento nunca é definitivo. As vezes é necessário que a família fique um tempo sem a criança para sentir falta, aprender e se reestruturar ", afirmou. 

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