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Alvará de soltura

Médico suspeito de violação sexual contra estudantes em Vila Velha sai da cadeia

Profissional recebeu alvará após audiência de custódia. Adolescente de 17 anos relatou ter sido tocada por ele nos seios. Outras estudantes teriam recebido comentários de cunho sexual

Publicado em 26 de Setembro de 2026 às 18:33

Mikaella Mozer

Publicado em 

26 set 2026 às 18:33
Médico Augusto Henrique dos Santos Moraes, de 63 anos, foi solto da prisão  Reprodução/TV Gazeta

O médico Augusto Henrique dos Santos Moraes, de 63 anos, preso suspeito de violação sexual contra estudantes em Vila Velha, foi solto neste sábado (26). Segundo a Secretaria da Justiça (Sejus), ele recebeu alvará após audiência de custódia. 


Moraes tinha sido encaminhado ao sistema prisional na quinta-feira (23), quando um grupo de adolescentes relatou o assédio a funcionários da escola onde estudam. O caso aconteceu em uma unidade de saúde da família (USF) de Vila Velha.


Conforme a Polícia Militar, uma das estudantes, de 17 anos, relatou ter sido tocada nos seios e em outras partes do corpo durante uma consulta, enquanto as demais teriam sido alvo de comentários de cunho sexual feitos pelo mesmo profissional. Em entrevista à reportagem da TV Gazeta, a jovem contou estar traumatizada.

Assédio durante atendimento

As adolescentes foram à unidade para realizar exames de aptidão física relacionados ao programa Jogos na Rede, da Secretaria de Estado da Educação (Sedu-ES). Segundo o relato da adolescente, enquanto as amigas eram atendidas por enfermeiras e compareciam ao consultório apenas para entregar o laudo, ela foi tocada de forma inapropriada nos seios e em outras partes do corpo durante o atendimento médico.


Em entrevista à repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, a mãe da jovem contou que estava em casa quando recebeu uma ligação da coordenação da escola, pedindo que comparecesse à instituição porque algo havia acontecido com a filha. Ao saber que a filha havia ido à unidade de saúde para realizar exames exigidos para a participação nos jogos escolares, a mãe questionou se as adolescentes estavam acompanhadas por algum profissional da escola, mas foi informada de que tinham ido sozinhas.


“Ele [o coordenador] disse que, acima de 12 anos, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, podem escolher ir sozinhos ou acompanhados. Eu não entendi o porquê. Ele virou para mim e falou que minha filha tinha sido aliciada pelo médico. Quando eu vi minha filha, ela estava em prantos e confirmou que o médico tinha passado as mãos nos seios dela e parece que tinha falado algumas barbaridades para as outras alunas”, relatou.

Mãe questiona falta de acompanhamento da escola

Ainda segundo a mãe, após encontrar a filha, ela foi até a unidade de saúde e procurou o consultório do médico. Na ocasião, o suspeito atendia um casal, que, conforme o relato da mulher, teria reagido à presença dela e da adolescente. 


“Esse casal infelizmente foi contra mim. Agrediu minha filha e nos empurrou para fora do consultório. Ficaram lá dentro com o médico”, contou.


A mãe contou ainda que foi informada pela coordenadora da unidade de saúde que o médico não poderia tocar na adolescente e que apenas as enfermeiras estavam autorizadas a realizar aquele procedimento. 


"Eu questionei para a diretora: que absurdo é esse que adolescentes, no horário de aula, sem os pais autorizarem, vão ao médico? A gente achando que eles estão na escola, e eles entregam esses adolescentes nas mãos de lobos. Não relataram nada para mim, eu não assinei nada liberando", desabafou.


A Guarda Municipal foi acionada após a ocorrência. Posteriormente, uma equipe da Polícia Militar compareceu ao local para prestar apoio. O médico foi conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha, onde foi autuado em flagrante por violação sexual mediante fraude  e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória da Serra.


Procurada pela reportagem da TV Gazeta, a advogada do médico Augusto Henrique, que também é esposa dele, preferiu não comentar o caso.


Os nomes da escola e do bairro onde fica a unidade de ensino não estão sendo divulgados para preservar a identidade das menores de idade, conforme prevê o 

Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).

Médico teve agenda suspensa após episódio

Em nota, a Secretaria de Saúde de Vila Velha informou que, ao tomar conhecimento do episódio, a coordenadora da unidade de saúde acionou o botão do pânico e a Guarda Municipal de Vila Velha foi chamada.


Além disso, a pasta frisou que comunicou o caso ao programa Mais Médicos, do Governo Federal, do qual o profissional faz parte, e suspendeu preventivamente as agendas do médico na rede municipal. "A Secretaria aguarda agora a conclusão da investigação policial."

Unidade de saúde onde médico foi preso após importunar sexualmente grupo de adolescentes Isabelle Oliveira
Sedu diz que caso aconteceu fora do horário de aula
Em relação aos exames de aptidão física exigidos para a participação nos Jogos na Rede, a Secretaria da Educação (Sedu) informou que os estudantes só podem participar da competição mediante autorização dos pais ou responsáveis. Segundo a pasta, o documento de autorização também informa expressamente a necessidade de apresentação de laudo médico para a participação nas atividades esportivas.

"Dessa forma, as famílias recebem previamente as orientações sobre os procedimentos e requisitos necessários para a participação dos estudantes na competição. No caso em questão, o exame de aptidão física foi realizado fora do horário de aula. Ao tomar conhecimento da situação relatada, a unidade escolar adotou as providências cabíveis e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários", informou a Sedu.
CRM pode instaurar sindicância
Ao tomar conhecimento do caso, o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) informou, na última sexta-feira (25), que pode instaurar sindicância por para apurar as informações.

"A sindicância pode resultar em abertura de um Processo Ético Profissional, caso haja elementos suficientes de indícios de materialidade e autoria de infração ao Código de Ética Médica. O CRM-ES não se manifesta sobre casos concretos, a não ser nos autos. Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça."

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