A Polícia Civil prendeu Thiago Reis dos Santos, conhecido como “Thiago Jão”, de 37 anos, apontado como líder da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) na região da Grande Santa Rita, em Vila Velha. Ele é investigado por envolvimento na quádrupla tentativa de homicídio registrada no dia 5 de março deste ano, no bairro Vila Garrido, também em Vila Velha.
As vítimas, quatro jovens do sexo masculino com idades entre 15 e 24 anos, foram alvejadas durante um ataque motivado por disputas do crime organizado. Thiago foi preso no dia 15 de agosto pela Polícia Militar, na Praia de Itaparica, após ser abordado em um veículo blindado. Um adolescente de 17 anos, apontado como autor dos disparos, já havia sido apreendido em 10 de agosto, no bairro Santa Rita.
O delegado Cleudes Junior, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, destacou que Thiago tem um histórico criminal extenso e perigoso. Ele possui ligação familiar com Fernando Cabeção, um dos envolvidos na morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.
Ele (Thiago) tem um histórico criminal grande e muito violento, como tráfico de drogas, tráfico internacional de drogas. Ele ficou um tempo no Paraguai e de lá, foragido, mandava drogas, armas para cá (Estado), então é uma pessoa de extrema periculosidade
Ainda segundo a polícia, Thiago utilizava menores de idade para executar ataques em áreas dominadas pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção rival. No ataque de 5 de março, o adolescente usou uma pistola 9 mm e gritou que era da “tropa do Thiago Jão”.
Atualmente, a região do bairro Vila Garrido é dominada pelo PCV, mas, no passado, parte do território era controlada pelo TCP. Thiago estaria tentando retomar espaço no tráfico, o que motivou os ataques, segundo a polícia.
Prisão e investigação
A Justiça autorizou inicialmente a prisão temporária do suspeito por 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Antes do fim do prazo, a polícia concluiu o inquérito, indiciou Thiago e pediu a conversão para prisão preventiva. O Ministério Público também se manifestou favorável à medida, mas a decisão judicial só saiu um dia após o término da prisão temporária, permitindo a soltura do investigado.
Assim que a preventiva foi decretada, equipes de inteligência da Polícia Civil e da Polícia Militar iniciaram buscas. Thiago acabou localizado e preso pela PM.
Participação do adolescente
O adolescente apreendido não só participou do ataque de 5 de março, mas também voltou a agir no dia 16 do mesmo mês, atirando contra uma das vítimas do primeiro atentado, que havia escapado ilesa. Dessa vez, a vítima foi baleada.
Thiago foi indiciado por quatro homicídios tentados e por corrupção de menores. Já o adolescente vai responder por ato infracional análogo ao homicídio tentado, também quatro vezes.