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Justiça manda prender motorista que atropelou e matou adolescente na Serra

Justiça manda prender motorista que atropelou e matou adolescente na Serra

Atropelamento aconteceu em 16 de janeiro, no bairro Castelândia; motorista chegou a ser preso, mas foi liberado após audiência de custódia

Publicado em 16 de maio de 2024 às 19:38

Karen Moreira Barbosa, de 16 anos
Karen Moreira Barbosa, de 16 anos Crédito: Acervo Pessoal

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) acolheu, nesta quinta-feira (16), a denúncia do Ministério Público Estadual (MPES), e determinou a prisão do motorista Eduardo Rodrigues, que atropelou e matou a adolescente Karen Moreira Barbosa, de 16 anos, em janeiro deste ano, enquanto a jovem caminhava com a mãe em uma ciclofaixa no município da Serra.

Na decisão, a juíza Lívia Regina Savergnini Bissoli Lage, da 3ª Vara Criminal da Serra, frisou que é “necessária a custódia (de Eduardo Rodrigues) para o fim de ser assegurada a ordem pública e a aplicação da lei penal, sobretudo diante das circunstâncias concretas que entornam os fatos narrados”.

Com o inquérito sendo direcionado para a Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito, houve a conclusão e o indiciamento do motorista Eduardo Rodrigues por homicídio qualificado, com agravantes, em março deste ano, e o procedimento foi encaminhado ao MPES.

Em sua denúncia, o MPES apontou que “o denunciado conduziu imprudentemente o veículo em uma via pública durante o horário comercial, quando havia muitos transeuntes, ciente de que sua conduta perigosa poderia causar danos à coletividade, incluindo a possibilidade de morte de outros pedestres”.

Na investigação, a Polícia Civil constatou que no sangue do motorista, conforme teste do etilômetro, havia 0,38 mg/l de álcool. O relatório reforçou que “o indiciado estava com sua capacidade psicomotora alterada sob influência de álcool” e “que em sua ação o indiciado Eduardo Rodrigues agiu dolosamente quando cometeu o crime em investigação”.

Os depoimentos prestados acerca do caso relatam que Eduardo, após o acidente, acendeu o cigarro e não concedeu qualquer tipo de auxílio à vítima. A adolescente teve várias fraturas na bacia e na perna. Karen foi socorrida e levada para o Hospital Estadual Jayme Santos Neves, localizado na mesma cidade, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte, em 17 de janeiro.

Diante dos fatos, o Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Justiça da Serra, destacou que “o denunciado conduziu imprudentemente o veículo em uma via pública durante o horário comercial, quando havia muitos transeuntes, ciente de que sua conduta perigosa poderia causar danos à coletividade, incluindo a possibilidade de morte de outros pedestres”.

A promotoria também atestou “que o crime foi praticado por recurso que dificultou a defesa da vítima, visto que o denunciado cruzou a avenida no sentido contrário, sobre a ciclofaixa, e parou na vegetação da via na direção oposta, sem reduzir a velocidade, o que dificultou as chances da vítima de esboçar qualquer reação de defesa”.

O advogado da família de Karen, Fábio Marçal, afirmou que a decisão da Justiça não reparará os parentes pela perda da jovem, mas considerou o requerimento de prisão justo.

“A investigação da Polícia Civil, o nosso trabalho e a denúncia do Ministério Público não deixam dúvidas do tamanho da irresponsabilidade do acusado, que bebeu e dirigiu, e tirou a vida de uma menina sonhadora. A prisão dele não vai trazer a Karen de volta para a família, mas demonstra uma esperança de não haver impunidade. Que este caso sirva de exemplo.”

Em nota enviada nesta quinta-feira (16), o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Serra, confirmou que ofereceu denúncia em face de Eduardo Rodrigues por homicídio duplamente qualificado (com recurso que dificultou a defesa da vítima e que resultou em perigo comum) e por conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool, provocando o atropelamento que levou à morte de Karen.

“O MPES requereu a prisão preventiva do denunciado e, na denúncia, requer que ele seja pronunciado, submetido a julgamento pelo Tribunal Popular do Júri, e condenado pelos crimes descritos na denúncia oferecida à Justiça".

A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa do motorista e com a empresa que ele presta serviços. O espaço está aberto para manifestações.

Motorista vai responder por crime com intenção de matar

Em março deste ano, dois meses após a morte da adolescente Karen Moreira, em Castelândia, na Serra, a Polícia Civil concluiu a investigação e acabou indiciando o motorista do caminhão que atropelou a jovem de 16 anos por homicídio qualificado (quando há intenção ou assume o risco de matar) e embriaguez ao volante.

A decisão da autoridade policial responsável pelo caso acaba sendo uma reviravolta, visto que, à época dos fatos, Eduardo Rodrigues havia sido autuado em flagrante por lesão corporal culposa e homicídio culposo (quando não há intenção de matar) — além da embriaguez ao volante, já que foi constatada presença de álcool no sangue dele.

A Polícia Civil explicou que o procedimento realizado pela Central de Teleflagrante no dia 16 de janeiro — data do acidente e da prisão de Eduardo — e o inquérito policial foram remetidos ao Judiciário, que devolveu à Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT) solicitando diligências complementares.

"O inquérito policial foi concluído no dia 15 de março deste ano, resultando no indiciamento do investigado pelo crime de homicídio qualificado que possa resultar em perigo comum, cometido com recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido e embriaguez ao volante. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público", informou a PC.

O motorista do caminhão foi preso e levado ao Centro de Triagem de Viana (CTV), mas a Justiça mandou soltá-lo no dia seguinte ao acidente, por meio de audiência de custódia. 

Álcool, cigarro e sem prestar socorro

Na investigação, a Polícia Civil constatou que no sangue de Eduardo, conforme teste do etilômetro, havia 0,38 mg/l de álcool.  Segundo o advogado da família de Karen, Fábio Marçal, o relatório policial reforça ainda que "o indiciado estava com a capacidade psicomotora alterada sob influência de álcool” e “que em sua ação o indiciado Eduardo Rodrigues agiu dolosamente quando cometeu o crime em investigação”.

Ainda segundo Marçal, a investigação destacou que o motorista:

  • Ingeriu bebida alcoólica dirigiu sob influência de álcool, com capacidade psicomotora alterada
  • Perdeu o controle do veículo
  • Subiu no canteiro central da via de circulação e atropelou a vítima
  • Não prestou socorro à vítima, que acabou morrendo no dia seguinte

Os depoimentos levantados pela polícia relatam que Eduardo, após o acidente, acendeu um cigarro e não concedeu qualquer tipo de auxílio à vítima, conforme constatou o inquérito. A adolescente teve várias fraturas na bacia e na perna. Karen foi socorrida e levada para o Hospital Estadual Jayme Santos Neves, na Serra, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte, em 17 de janeiro.

A Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito também representou pela suspensão da habilitação para dirigir do indiciado, bem como pela prisão preventiva do acusado.

Delegado Maurício Gonçalves da Rocha

"O indiciado representa sério risco ao sistema viário. A sociedade hoje clama por Justiça, e espera das autoridades competentes uma resposta responsável e coerente para que crimes e comportamentos desta natureza não se tornem uma constante em nosso Estado, dando uma sensação de impunidade e incentivando, inclusive, que outros assim atuem" 

[Titular da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito]

Relembre

Com apenas 16 anos e muitos sonhos, Karen caminhava com a mãe em uma ciclofaixa, quando o veículo invadiu o canteiro central e atropelou a adolescente. "Não morreu na hora, ainda estava consciente no local do acidente, disse que amava o pai e a mãe, já sentia que ia morrer. Foi levada ao hospital, onde passou a noite na UTI e morreu na manhã do outro dia”, contou uma tia da vítima. Ela ainda disse que Eduardo não chegou a fugir do local, mas não prestou qualquer socorro à sobrinha dela. 

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