O júri popular da corretora de imóveis Adriana Felisberto, acusada pela morte da ciclista e modelo Luísa Lopes, em Camburi, Vitória, começou por volta das 10 horas desta quarta-feira (5). Entre os sete jurados selecionados, cinco são mulheres.
Adriana, segundo a defesa, chegou a comparecer ao Fórum Criminal, mas decidiu acompanhar o júri de casa, por videoconferência. “Ela está muito abalada”, informou um dos seus advogados, Fábio Marçal.
A sessão teve início com o depoimento de uma testemunha, um dos policiais militares que atenderam a ocorrência logo após o acidente. Ele relatou que a corretora não aceitou fazer o bafômetro, mas que, na ocasião, foi produzido um laudo de constatação com os sintomas apresentados por Adriana.
Segundo o militar, ela apresentava “fala enrolada, exaltação, sonolência e odor de álcool”. “Quando a coloquei na viatura, ela não conseguia ficar de pé”, informou o 1º sargento José Alberto Pinheiro dos Santos.
Durante o depoimento do militar, foram apresentados dois vídeos de uma conversa de Adriana com os militares que atenderam a ocorrência.
Nas imagens (veja vídeo acima), ela relata que tinha ingerido medicamentos controlados em decorrência de problemas de saúde, por depressão, nega fazer o bafômetro e que tenha bebido. “Tomei três garrafas de água”, afirma. Ela também relata que a voz arrastada é o seu “jeito de falar”.
Foi a viatura do sargento que conduziu Adriana para a delegacia. A gravação foi feita enquanto a ciclista e modelo Luísa Lopes recebia atendimento da equipe médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Adriana responde por homicídio com as qualificadoras de perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de embriaguez ao volante, conforme decisão da 1ª Vara Criminal de Vitória.
Dois advogados representam a corretora, incluindo um especialista em trânsito. Segundo o advogado Jamilson Monteiro dos Santos, o objetivo será enfrentar a principal tese do Ministério Público do Espírito Santo (MPES): a de dolo eventual, na qual se sustenta que Adriana assumiu o risco de matar.
Atuará ao lado de Jamilson o criminalista Fábio Marçal. “Nós o convidamos pela experiência dele em casos semelhantes. Entendemos que o MP promove uma banalização do instituto do dolo eventual”, afirmou Santos.
Marçal acrescenta que a defesa pretende provar aos jurados a ausência de dolo eventual, sustentando que essa tipificação não pode ser configurada apenas pelo uso de álcool.
“Não podemos banalizar o dolo eventual, que exige o desprezo pelo resultado, o que não ocorreu com a Adriana. Trata-se de homicídio culposo sob efeito de álcool, e é por ele que ela tem que responder. Não se pode instituir a vingança”, destacou Marçal.
A sessão do júri popular acontece no Fórum Criminal de Vitória, quatro anos após a morte de Luísa. Nove testemunhas vão prestar depoimento e haverá ainda o interrogatório da ré. A expectativa é de que a sessão seja concluída na quinta-feira (6).
De acordo com a denúncia do MP, Adriana seguia em direção à Serra e trafegava em velocidade média de 72 km/h na Avenida Dante Michelini, onde o limite máximo permitido é de 60 km/h.
O documento aponta que a corretora apresentava sinais de estar sob efeito de álcool e medicamentos controlados quando atingiu a jovem, no bairro Jardim da Penha, no momento em que a vítima iniciava a travessia na faixa de pedestres.
Com o impacto, Luísa foi projetada a uma distância de 40 metros. O Ministério Público reforçou na acusação que a motorista assumiu o risco do resultado morte e demonstrou desprezo pela vida humana.