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Falso cadastro de vacina da Covid-19 é usado por bandidos em golpe no ES

O delegado Brenno Andrade explica que até o momento nenhuma vítima registrou ocorrência na Grande Vitória. Apesar disso, ele faz o alerta: "O MS não está realizando agendamento de vacina da Covid"

Vitória
Publicado em 18/01/2021 às 17h50
Atualizado em 18/01/2021 às 22h57
Delegado Brenno Andrade (DRCC)
Criminosos no ES se passam por servidores do Ministério da Saúde para coletar dados. Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Polícia Civil alerta a população para um novo golpe que vem sendo praticado no Brasil: criminosos têm se passado por servidores do Ministério da Saúde para coletar dados pessoais, sob a justificativa de agendamento para a vacinação contra a Covid-19. De acordo com relatos de vítimas do golpe no Espírito Santo, uma pessoa liga, sabendo com quem está falando, e envia uma mensagem de texto por SMS. Caso a vítima abra, corre o risco de ter o aplicativo do Whatsapp clonado.

De acordo com o delegado à frente da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Brenno Andrade, até o momento nenhuma vítima registrou ocorrência na Grande Vitória. Apesar disso, fica o alerta. "Semana passada eu publiquei um aviso no Instagram, porque tinha lido sobre isso e imaginei que teríamos ocorrência. Inevitavelmente vai haver, porque os criminosos acabam se aproveitando para fazer a clonagem do Whatsapp. Este é um golpe velho com uma roupagem nova", iniciou.

À reportagem, a autoridade policial informou nesta segunda-feira (18) que os suspeitos estão se utilizando do início da campanha de vacinação contra a Covid-19 para oferecer falsos agendamentos. De acordo com Andrade, é preciso ter uma atenção especial ao número de telefone que faz as ligações, já que o Ministério da Saúde utiliza apenas o 136 ou 00136.

"Outro número deve ser desconsiderado. E os criminosos podem saber os dados pessoais na ligação sim, já que estes são comercializados na internet. Se a pessoa ficou desconfiada, deve registrar o boletim de ocorrência, pessoalmente ou on-line. Eles fazem o suposto cadastramento e pedem confirmação, informando um código via SMS. A partir daí se dá a ativação do Whatsapp e passam a usar a conta pedindo dinheiro para parentes e amigos", acrescentou.

Para evitar ser pego de surpresa pelo golpe, a dica do delegado é que os usuários do Whatsapp entrem nas configurações e ativem a verificação de duas etapas. "Dessa forma se impede a clonagem. De toda maneira, o MS não está realizando agendamento de vacina da Covid ou outra. Eles também não pedem código, não solicitam doações de dinheiro, nem solicitam cadastro prévio. O cadastro será feito no momento da vacinação, no posto de saúde ou pelo aplicativo do SUS", explicou.

Para quem for vítima de clonagem da conta do Whatsapp, Andrade explica que o melhor a fazer é prontamente informar aos contatos por outras redes sociais e pedir para compartilhar a mensagem dizendo para ninguém dar dinheiro em nome da vítima do golpe. "Além disso, deve ser enviado email para o [email protected], informando o número clonado, com o código do país à frente (+ 55), solicitando bloquear o aplicativo. Em seguida a gestão do Whatsapp restabelecerá o acesso à vítima", finalizou.

O GOLPE NA PRÁTICA

Segundo uma das vítimas do golpe, que afirma não ter registrado a ocorrência na Polícia, uma mulher de 46 anos que prefere não se identificar, um suspeito com número de Minas Gerais ligou para ela como se fosse do Ministério da Saúde. "Ele queria meus dados, não sei onde pegaram meu nome. Pediu para eu abrir uma mensagem e eu não abri, falei para ele que deveria ser vírus e ele desligou. Resolvi avisar sobre o ocorrido para que outras pessoas não passem pela mesma situação. Inclusive outra pessoa, que trabalha comigo, foi vítima antes de mim", iniciou.

"Primeiro ele ligou para ela e falou que era do Ministério da Saúde e que estava querendo coletar umas informações. Ela então disse 'ah, você é? Eu também sou', de brincadeira, e o criminoso desligou. Depois de algumas horas, a mesma pessoa me ligou, conferimos o número. Achei curioso ele ter o número dela e o meu. Fui dando conversa, disse que já tive Covid. Ele pediu para abrir uma mensagem e clicar no número para o Ministério saber que respondi às perguntas. Ele fala que a ligação estava sendo gravada, então comecei a testar. Ele me fez três perguntas apenas. Se eu tinha Covid, se trabalhava em regime de CLT e se alguém do meu bairro sabia que eu tinha tido Covid", narrou.

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