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Publicado em 28 de agosto de 2025 às 07:14
Uma megaoperação nacional contra um esquema bilionário de adulteração e fraude no setor de combustíveis tem desdobramentos no Espírito Santo nesta quinta-feira (28). A Operação Carbono Oculto é coordenada por uma força-tarefa envolvendo órgãos estaduais e federais, com o objetivo de desarticular uma rede criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Central), deu apoio à ação e cumpriu um mandado no Estado, sem detalhar se se tratou de busca e apreensão ou prisão.>
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cerca de 1.400 agentes cumprem mandados de busca, apreensão e prisão em oito Estados: Espírito Santo, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.>
As investigações, conforme o MP-SP, apontam que mais de 350 pessoas físicas e jurídicas estão envolvidas em crimes como adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro, estelionato, fraude fiscal e crimes ambientais. O esquema teria causado um prejuízo de R$ 7,6 bilhões em impostos sonegados.>
Um dos eixos da fraude passava pela importação irregular de metanol, produto altamente inflamável e tóxico. O insumo chegava ao Brasil pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, mas era desviado para transportadoras e distribuidoras ligadas à rede criminosa, com documentação fraudulenta e sem seguir normas de segurança.>
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O metanol era usado para adulterar combustíveis, aumentando o lucro do PCC. Além disso, postos comprados pela organização foram incorporados ao esquema. >
"Vale destacar, ainda, que proprietários de postos de gasolina, que venderam seus estabelecimentos comerciais, não receberam os valores da transação e foram ameaçados de morte caso fizessem qualquer tipo de cobrança", informou o MPSP. Além do Ministério Público de São Paulo, estão envolvidos na operação várias instituições, como Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e polícias Civil e Militar dos Estados onde a operação tem desdobramentos.>
A investigação também identificou que os recursos eram movimentados por fintechs ligadas ao crime organizado, que criaram sistemas de contabilidade paralela para dificultar o rastreamento do dinheiro.>
"As fintechs operavam com contabilidade paralela, permitindo transferências entre empresas e pessoas físicas sem que os beneficiários finais fossem identificados", disse o MP-SP
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As autoridades destacam que parte do dinheiro obtido com a fraude foi usada para comprar usinas de cana-de-açúcar, distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis, fortalecendo ainda mais a atuação do grupo.>
Além das medidas criminais, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) adotará, segundo informado pelo órgão ministerial, providências judiciais para bloqueio de bens no valor de R$ 7,67 bilhões, equivalente ao montante estimado de tributos sonegados.>
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