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Publicado em 5 de maio de 2022 às 19:55
A Polícia Federal apreendeu R$ 150.645,00 em notas falsas durante todo o ano de 2021 no Espírito Santo. As apreensões acabaram em 21 prisões de pessoas ligadas ao crime de moeda falsa, delito que tem crescido e utiliza os meios digitais para expansão e contato com novos compradores. >
Segundo números da Polícia Federal cedidos à reportagem de A Gazeta, em 2022 foram apreendidos R$ 16.920,00 em cédulas falsas. Foram cinco prisões neste ano por conta do crime. >
NOTAS FALSAS NO ESPÍRITO SANTO
QUANTIA APREENDIDA
2022 - R$ 16.920,00
2021 - R$ 150.645,00
Em 2021, foram 244 cédulas apreendidas, sendo 41 de R$ 20, 84 de R$ 50 e 119 de R$ 100 reais
PRISÕES POR NOTAS FALSAS
2022 - 05
2021 - 21
FONTE: Polícia Federal do Espírito Santo
A última prisão, na quarta-feira (4), foi de um homem de 34 anos que recebeu a encomenda em uma agência dos Correios do bairro Santa Inês, em Vila Velha. O pacote tinha R$ 1 mil em notas falsas.>
Os policias foram ao local e acompanharam o momento em que o homem retirava o pacote. No momento da prisão em flagrante, o detido confessou que adquiriu as notas por meio de um aplicativo de mensagens. Ele, porém, não informou quem seria o vendedor.>
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A ocorrência da última quarta (4) mostra duas características do crime: venda pela internet e envio pelos Correios.>
A forma como o homem comprou e recebeu é comum e bastante utilizada, segundo o delegado da Polícia Federal Lorenzo Espósito. Em conversa com a reportagem de A Gazeta, o delegado chamou atenção para grupos em redes sociais e afirmou que muitos compradores não temem a punição, acreditando ser um crime de menor potencial. Ou até mesmo pensando que não serão identificados pelas polícias.>
"Na maioria das vezes o envio é pelos Correios, que é um parceiro da Polícia Federal e costuma colaborar com a investigação. Por vezes, identificamos a entrega do dinheiro em uma agência. Na abordagem, a pessoa confessa que fez a compra. Temos visto que as pessoas pagam entre 25% e 35% do valor e recebem o dinheiro", afirma.>
Procurado pela reportagem de A Gazeta, os Correios informaram que mantém estreita parceria com órgãos de segurança pública para prevenir a ocorrência de delitos nos serviços postais. Foi informado que há um Acordo de Cooperação Técnica com a Polícia Federal, firmado em 2019.>
Sobre a ação desta quarta-feira, os Correios classificaram como uma ação conjunta para fornecimento de informações. "A operação é resultado do desdobramento das investigações que estão sendo conduzidas pela PF/ES", diz, em nota. >
Perguntado sobre o crescimento do crime no Espírito Santo, o delegado afirma que as apreensões e prisões aumentam como consequência da maior fiscalização feita pelas polícias.>
Lorenzo Espósito
Delegado de Polícia FederalO terreno fértil para a venda de notas falsas é o mesmo utilizado para outros crimes: a internet. Em grupos de aplicativos de mensagens instantâneas, os vendedores abordam ou são abordados por pessoas interessadas na compra de cédulas. >
Segundo Lorenzo Espósito, a primeira compra costuma ser de um valor entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Isso porque, como explica, o comprador tem interesse em observar o produto antes de comprar uma quantidade superior. Ela verifica a qualidade da nota, se a cédula se aproxima de uma nota verdadeira. >
O contato acontece por meio da internet, a entrega, pelos Correios. As agências são os locais onde os compradores tocam na mercadoria pela primeira vez. Apesar de o pacote estar fechado, as agências também servem para abordagem e prisão.>
Após a compra das notas falsas, os indivíduos não usam, de acordo com o delegado, as cédulas em qualquer lugar. Lorenzo Espósito comenta que, normalmente, são escolhidos locais que envolvem alguma pressa no pagamento.>
Bares, restaurantes ou carros de aplicativos proporcionam menor tempo para verificar se aquela nota é realmente verdadeira. O pagamento acaba acontecendo sem qualquer desconfiança. Em um supermercado, por exemplo, o caixa costuma ter iluminação e tempo para tocar e analisar a cédula. >
O delegado da Polícia Federal avalia que compradores de notas falsas podem ser revendedores, podem servir como intermediários. No entanto, é percebida a presença de pessoas sem antecedentes criminais. Aqueles, que segundo Lorenzo Espósito, não acreditam ou julgam como pequena a punição pelo crime de moeda falsa.>
"Notamos que a grande maioria faz a primeira compra, é como se fosse um teste. Como ele só vê a foto na internet, compra normalmente entre R$ 1 mil e R$ 2 mil", comenta.>
Lorenzo Espósito
Delegado de Polícia FederalDe acordo com o delegado, há várias formas de começar uma investigação de produção ou venda de notas falsas. Uma delas é após uma denúncia anônima recebida. Outra forma é o contato entre as polícias. Há ainda ocasiões em que os Correios podem acionar a polícia.>
"Todas as polícias usam todas as técnicas possíveis e que estão dentro da lei. Os meios lícitos são usados. Por exemplo, acompanhar rede social, levantamento de campo, tratar com informante, conversar com forças policias e transportadoras", detalha.>
Quem falsifica, fabrica ou altera a moeda responde pelo crime de moeda falsa. A pena é de multa e reclusão de 3 a 12 anos. >
O delegado da Polícia Federal destaca que a corporação tem como um dos objetivos identificar as fábricas de notas falsas ao redor do Brasil. Assim, é possível conhecer quem fabrica e venda a moeda. Lorenzo Espósito chama atenção para aqueles que recebem a cédula falsa e, sabendo da não veracidade, não comunicam à polícia.>
"Quem compra sabendo da nota falsa responde pelo crime. É indiciado por comprar algo e introduzir no meio. Quem recebe de boa-fé também responde por um crime, mas de menor potencial", afirma,>
Caso você receba uma moeda falsa, deve, segundo o delegado:
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